Star Citizen angaria mais de 400 milhões de dólares

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A Cloud Imperium e Chris Roberts estão de parabéns. Há quase 10 anos lançaram um projecto ambicioso, suportado por angariação de fundos (crowdfunding) e que nunca passou da fase Alpha. Mas, Star Citizen continua a facturar.

Apresentado em Outubro de 2012, foi na altura uma audaz aposta de Roberts, que prometeu trazer para cima da mesa a sua experiência em jogos como Wing Commander ou Freelancer, ampliando a sua visão para um vastíssimo MMO espacial. Para isso, pediu o apoio dos fãs, que não perderam tempo a investir no que era na altura apenas uma ideia elaborada.

Nove anos depois, o que poderia ser um jogo como serviço, com produção contínua a adicionar conteúdo, tornou-se, ao contrário, um produto de promessas constantes e pouca entrega. Ainda hoje o jogo está em fase de testes Alpha, com uma pequena porção jogável disponível, sempre em expansão é certo, mas ainda longe do produto prometido em 2012.

Entretanto, apesar de não ter um jogo final para mostrar, os fãs e curiosos já pagaram 400 milhões de dólares a Chris Roberts. As pledges, que basicamente são pacotes de conteúdo com naves, acesso ao jogo e/ou à campanha Squadron 42 (alegadamente mais próxima do lançamento que o próprio jogo base… mas, calma), continuam a vender-se, algumas com valores que ascendem aos milhares de dólares.

Fraude, “Vaporware”, megalomania, a crítica não tem poupado Star Citizen, a Cloud Imperium e, claro, o próprio Chris Roberts nos últimos meses. Há uns tempos demos conta de uma destrutiva reportagem sobre a gestão da produtora e deste projecto. A opinião geral é que este projecto não tem lançamento previsto para os próximos anos e qualquer pedido de esclarecimento é recebido com palavras vagas. Tudo isto somado, porém, não parece travar o avanço deste projecto.

Será que ainda vamos ter Star Citizen no formato prometido? Será que o pretenso perfeccionismo de Roberts é que impede um lançamento há anos? Será que o jogo sequer alguma vez vai ser lançado? Como sempre dizemos, por mais que critiquemos este modelo de produção, queremos mesmo que a visão de Roberts se concretize.

Convenhamos que este “modelo de negócio” coloca a Cloud Imperium numa posição privilegiada, uma vez que continua a facturar sem precisar de um produto final e sem sequer ter algo no ar que seja possível alvo de crítica. Assim, vai-se pagando uma produção que parece não ter metas definidas a cumprir (apesar de parecer que tem) e a quem não se pedem justificações. Para quê lançar o jogo?