Chris Roberts defende-se (outra vez) dos atrasos de Star Citizen

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Já falámos aqui imensas vezes da eterna “saga” que tem sido a produção de Star Citizen, um jogo ainda muito longe de estar minimamente completo, mas com muitos milhões de dólares angariados. Chris Roberts, o seu mentor, continuar a justificar-se online.

Perante acusações de fraude, gestão danosa e até uso indevido de licenças, o que é certo é que o jogo megalómano de exploração e combate espacial continua a angariar fundos. À hora desta notícia, o jogo conta com 313,354,836$ de dólares, sim, mais de 300 milhões de dólares, sem nunca ter saído de uma fase Alpha e uns quantos “servidores de testes”. A expansão milionária do jogo Squadron 42 ainda nem sequer viu a luz do dia.

E no centro de toda a esta polémica, está Chris Roberts. Para alguns um visionário, para outros um burlão, Roberts continua a defender o seu projecto, nem que para isso tenha de escrever extensamente no seu fórum oficial. A nova polémica surgiu de um vídeo, que poderia perfeitamente passar despercebido a todos, não fosse um sucinto comentário que levantou um autêntico “pé de vento”.

O vídeo em questão é de um jogador chamado Camural que fala acerca dos efeitos atmosféricos no projecto. Este efeito visual esteve em produção durante quatro anos e o jogador expressa alguma frustração por entender que pouco foi feito para transmitir a dose de realismo visual esperado.

Pois bem, Roberts partiu para o seu fórum defendendo-se, mencionando que algumas opções de organização, o que chama de “abordagem sistémica”, faz com que “resultados demorem mais tempo a aparecer”, falando de como os sistemas precisam interagir uns com os outros e… bom… nesta fase, por mais que se explique de forma tão complexa, acaba por dizer que quatro anos não chegam para gerar um efeito atmosférico.

Camural responde à visão de Roberts, alegando que “necessitaria mais uns 10 a 20 anos de produção”. Roberts parte, então, para um discurso filosófico sobre os “debates na internet” que não levam em conta o tempo necessário e os problemas encontrados que atrasam os projectos. O que é algo perfeitamente irónico para uma empresa que está constantemente a adicionar mais e mais etapas e demora mais e mais a entregá-las.

Mais à frente, diz que os próprios produtores do seu jogo estão tão frustrados como os fãs, falando de uma “gestão que não delineia datas” e que, basicamente, não tem pessoal que chegue para tudo o que precisam fazer. Enfim, talvez Chris Roberts precise mais uns quantos milhões para contratar mais staff para o seu projecto.

Até Mark Hamill fica de boca aberta com o tempo que demora a chegar Star Citizen.

Das inúmeras vezes que alegou que o seu jogo estava próximo de ser completado, a Cloud Imperium Games lançou outros tantos adiamentos logo a seguir. Agora, já nem datas apresentam para nenhuma entrega do jogo, preferindo dar “etapas” de produção e tempos vagos de previsão das mesmas. Por exemplo, Squadron 42 está adiado até que “haja um produto final completo”, algo que pode muito bem acontecer dentro de alguns anos, se realmente acontecer.

Até à data, Star Citizen pode ser descarregado para jogar uma Alpha 3.10 muito incompleta. Para a poder “jogar”, notem, só comprando uma “pledge” (num mínimo de 45$ Dólares), que dá em troca uma nave e um punhado de missões e planetas para explorar, sem uma real estrutura de jogo estabelecida.

Tudo o resto, desde mais umas quantas naves de dimensões diferentes, até mesmo as suas pinturas, uma subscrição de uma newsletter especial ou o acesso antecipado aos servidores de testes, tudo é pago à parte. Entende-se sempre que os grandes projectos mais ambiciosos precisam de financiamento, mas como “rei do crowdfunding”, este projecto é suportado pela boa vontade de muita gente. E Roberts está claramente a aproveitar para colocar no ar mais opções de investimento para o aproveitar.

Por causa das reacções intempestivas do mentor, dos constantes sinais de falta de rumo e uma série de acusações de censura nos fóruns, entre outras questões que assolam o projecto há anos, Star Citizen é tido por muitos como um dos maiores embustes da história dos videojogos. Resta a Chris Roberts provar a todos os negacionistas que a sua visão é válida e entregá-la num futuro (relativamente) próximo.

Já agora, se ficaram interessados, o jogo está com uma Free Fly Trial neste dias.