Star Citizen angaria mais de 250 milhões de Dólares sem jogo para mostrar

53

É um caso de estudo. Quase totalmente suportado por crowdfunding, é também tido como um dos títulos mais ambiciosos de sempre. Star Citizen está longe (muito longe) de estar completo e já angariou tanto dinheiro sem dar nada substancial em troca.

Essa angariação prende-se com muitos pequenos nadas, de um jogo que está em produção desde 2011 e nunca mais parece sequer próximo de estar pronto. Poderíamos dizer que um jogo com esta visão, um MMO de dimensão estelar com elementos de simulação espacial, first person shooter, role play game e tantas outras inspirações, que já tem no elenco actores como Mark Hamill, Gary Oldman ou Henry Cavill e que promete revolucionar os jogos como os conhecemos, precisa de um tempo para aperfeiçoar. Mas, há limites.

Acontece que o que Chris Roberts e a sua produtora Cloud Imperium Games apresentam são duas versões Alpha do mesmo jogo protótipo, cheio de bugs e problemas, muito aquém do prometido há anos, umas quantas actualizações demasiado lentas de conteúdo e muitas newsletters cheias de promessas, muito hype desmedido e algum “vaporware”.

Contudo, isto não impede os jogadores de continuarem a financiar a visão de Roberts e companhia. A mais recente actualização dá conta de ter ultrapassado 250 milhões de dólares em fundos directos, chegando muito próximo de Grand Theft Auto V, o “campeão” actual dos jogos mais caros de sempre, com os seus 265 milhões anunciados. Só que há uma grande diferença entre GTA V e Star Citizen… O jogo da Rockstar Games já cá está, mesmo na sua enormidade, sendo financiado por privados e cumprindo calendário.

Apesar dos recentes 46 milhões de Dólares investidos por privados em SC, o resto foi financiado por “pledges”, que mais não são que a compra de naves em jogo com dinheiro real. Algumas destas naves custam impressionantes centenas (e até milhares) de dólares, para depois nem sequer podermos usá-las como deve ser, se o jogo está numa fase Alpha tão limitada.

Para os que gostam de gastar dinheiro em pequenos nadas, durante um tempo era possível comprar um pacote chamado de “Legatus” que oferecia 117 naves e outros tantos itens pela módica quantia de 27.000 dólares! É verdade, o preço de um automóvel de média gama, por software que tecnicamente nem existe. A ideia é “ajudar a produção a criar a visão de Roberts”, mas 250 milhões de dólares depois, começa a ser complicado justificar tanto dinheiro em caixa sem jogo concreto para mostrar.

Na versão mais recente da Alpha, os jogadores podem deambular por áreas de demonstração, planetas por concluir e apostar em alguns combates igualmente de demonstração sem muito mais para fazer. No próximo ano, se não derrapar novamente, estreia-se o modo Squadron 42, uma campanha a solo que alegadamente será a base do que o jogo oferece. Fica a promessa, que vale o que vale, porque Squadron 42 era suposto estrear em… 2016.

De acordo com um artigo bastante quente publicado pela Forbes, Roberts e a Cloud Imperium são acusados de gestão grosseira de fundos, “incompetência e má gestão numa escala galáctica”. Há relatos de fãs a pedirem reembolsos, entretanto perfeitamente negados pelas políticas obscuras dos termos de serviço das “pledges“. E ainda assim, há quem defenda Star Citizen, enchendo a convenção anual “CitizenCon” quase como um “culto religioso” e onde Roberts mostra muitos planos que ainda hoje estão “pendentes”.

Aquele que pode ser um dos maiores embustes da história dos videojogos, não parece ter conclusão à vista. E os jogadores, em vez de desconfiarem e reclamarem o jogo pelo qual pagaram (pelo menos 45 dólares, a “pledge” mínima), ainda lançam mais dinheiro no projecto, perpetuando o que pode ser “o negócio do século” para um Chris Roberts demasiado obcecado pela “perfeição” (algo defendido pelos fãs) ou… incrivelmente esperto.