MLBTHESHOW21 HD

Análise – MLB The Show 21

Todos os anos surge mais uma edição deste jogo que, estou certo, muitos passarão adiante. A culpa não é do estúdio SIE San Diego, que todos os anos se esmera para criar uma experiência fantástica no complexo mundo da Major League of Baseball. MLB The Show 21 é mais uma excelente experiência de Baseball. Simplesmente, por cá, não temos grande interesse neste desporto.

Existe a prática de baseball em Portugal, havendo mesmo equipas e até uma Federação de Baseball e Softball que gere algumas competições. A dada altura, as aulas de Educação Física nas escolas passaram também a incluir a prática do chamado “basebol”. Só que, depois, a nossa ligação ao desporto na sua plenitude, jamais teve (ou terá) a mesma cobertura de outros desportos na nossa cultura. E contam-se pelos dedos das mãos as transmissões de jogos oficiais, especialmente da grande MLB em canais nacionais, mesmo na televisão por cabo. Por isso, eu perdoo a todos os que nem sequer querem ler esta análise, muito menos experimentar o novo MLB The Show. Contudo, estarão a perder um “mergulho profundo” num desporto que, se calhar, é bem mais interessante do que possam pensar. Já no passado o disse e reitero: não sou o maior conhecedor deste desporto. Contudo, consigo encontrar neste jogo uma boa forma de o apreciar.

Falar de MLB The Show 21 nesta era, só pode significar que esta edição também se estreia na PS5. Muitos outros jogos de desporto nesta altura estão a capitalizar no novo hardware para nos trazer experiências cada vez mais elaboradas e mais impressionantes, sobretudo no campo visual. E, alterando um pouco aquilo que costumamos fazer aqui no WASD quanto a análises, vou começar mesmo por aí. Porque a PS5 permite jogar os jogos PS4 em modo de retrocompatibiliade, é possível testar MLB The Show 20 nesta consola antes de abordar este novo jogo. Se forem mesmo fãs, terão mesmo instalado essa versão anterior em antecipação à nova edição.

Obviamente, fiz isso mesmo para fins de análise, não tanto porque queria fazer algum tipo de comparação de conteúdo. Fi-lo porque quando comecei a jogar MLB TS21, tive a sensação de estar a jogar o jogo errado. Ainda nos recordamos como a PS5, por vezes, instalava a versão PS4 do mesmo jogo por engano. Foi algo corrigido numa recente actualização de sistema mas, nunca se sabe. Notei que, de facto, a versão de 2021 tem umas melhorias consideráveis nas expressões faciais e noutros pequenos pormenores, contudo, visualmente, parece o mesmíssimo jogo, agora francamente mais rápido graças à velocidade da nova consola.

Acontece muito isto em jogos sazonais, que sejam “mais do mesmo”, alterando alguns pormenores de cosmética. Falo imenso em várias análises de diferentes jogos dessa realidade, especialmente em títulos de desporto. Contudo, caros produtores do estúdio SIE San Diego… esta é uma nova consola, com hardware muito mais potente. Sim, notam-se melhorias na iluminação e algumas sombras, mas os modelos, animações e texturas parecem “fotocópias” da edição do ano passado. Porque não aproveitar para dar um valente “boost” visual e técnico com a nova consola? Tudo é francamente familiar, até mesmo no comentador (Matt Vasgersian) que, mesmo sendo um dos melhores no seu ramo (li algures que era), não deixa de ser só mais um toque de dejá vu.

Falando agora do que realmente importa, a jogabilidade, também não notei grandes diferenças (excepto uma, que não é muito positiva e que já falarei). MLB The Show sempre se pautou numa omnipresente “velocidade”, que é um contraste num desporto claramente mais pausado. O baseball é um jogo de paciência, com imensos momentos “mortiços” e súbitas arrancadas. Embora não existam muitos títulos dedicados, este jogo será um dos melhores a recriar essas várias fases de jogo e as suas evoluções. Os modos de jogo poderão causar alguma confusão aos menos “letrados” nas regras e lógicas e é bem possível que não conheçam os principais jogadores ou equipas desta liga Norte-Americana. Mas, um pouco de estudo por aí ajudará bastante.

Mesmo conhecendo basicamente este desporto e as equipas, uma vez mais, senti-me um pouco perdido, especialmente na nova lógica de pitching que me parece algo complicada demais. Há uma boa introdução a explicar algumas lógicas, mas não serve para quem não conhece o mínimo das regras e lógicas. Imagino que alguém completamente estreante sinta que está num mundo obscuro com bolas que são batidas com tacos e onde alguns têm luvas estranhas. Sugiro que passem pela “Road to the Show” que é um modo de carreira que se inicia nas ligas menores. Obviamente, as regras são as mesmas, igualmente confusas, mas há mais espaço de aprendizagem e equipas mais acessíveis. O que torna tudo um pouco mais descontraído.

Como esta é uma altura em que o público está arredado dos estádios (não só de Baseball) e encontra nos jogos a sua “dose” de interacção alternativa. Por isso, a adição de um editor de estádios é claramente um bónus para os fãs do desporto. Não só é possível criar um campo de jogo personalizado, como até se pode alterar o aspecto e dimensão das bancadas. Será óptimo para quem quer recriar um determinado estádio de uma equipa local, por exemplo. Adorava ter isto num jogo de futebol e nunca mais ter de jogar em estádios genéricos. Tomem nota EA e Konami. Notem apenas que este editor é exclusivo das versões das consolas da nova geração.

O que eu não consigo contornar é esta lógica das estatísticas estarem associadas a peças de equipamento. Tudo bem, o Cristiano Ronaldo talvez não jogasse tão bem futebol sem um bom par de botas de alta performance. Mas, será que essas botas criam Ronaldos? A resposta é óbvia, mas para MLB The Show, pelos vistos, a realidade é diferente. E quando vejo que é possível comprar mais itens na loja do jogo que melhoram prestações, fico um pouco apreensivo, com a palavra “pay to win” a ecoar na minha cabeça. As já conhecidas cartas de jogo “Diamond Dinasty” são outra forma de pedir dinheiro. Entendo que é um apelo aos coleccionistas e fãs, substituindo as infames cadernetas de cromos, mas é também uma monetização algo exagerada num jogo pago.

Numa nota curiosa, embora este jogo seja de produção de um estúdio interno da Sony Interactive Entertainment, pela primeira vez MLB The Show 21 também se estreia nas consolas Xbox One e Xbox Series X|S, incluindo a sua estreia no primeiro dia no Xbox Game Pass. Esta pode ser uma boa abertura por parte da Sony para futuras produções que possam transitar além das plataformas PlayStation. Talvez por isso não tenhamos reais novidades técnicas nesta edição, com uma nota francamente desapontante para a implementação pouco notável do DualSense. Todo o tempo de produção pode ter sido gasto no port para as consolas Xbox.

Veredicto

Tal como o desporto real que recria, MLB The Show 21 deverá só atrair os verdadeiros fãs que querem uma simulação credível de um desporto muito peculiar. Por cá, poucos pegarão no jogo sem o mínimo de gosto pessoal pelo Baseball real. E esses, já conhecerão a série e talvez nem se incomodem que seja uma recriação pouco inovadora do título da época passada. Chegar às consolas Xbox é uma mais valia, expandindo a sua audiência. O que traz de realmente novo, porém, talvez não justifique uma edição nova. Bastava uma expansão anual com as actualizações de equipas.

  • ProdutoraSIE San Diego Studio
  • EditoraSony Interactive Entertainment
  • Lançamento20 de Abril 2021
  • PlataformasPS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X|S
  • GéneroDesporto
?
Sem pontuação

Ainda não tem uma classificação por estamos a rever o nosso esquema de pontuações em análises mais antigas.

Mais sobre a nossa pontuação
Não Gostámos
  • Sensação de repetição da edição anterior
  • Novo esquema de pitching demasiado complicado
  • Demasiada monetização de itens

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.

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