É novamente um avião da 2ª Guerra Mundial que chega ao DCS World. Depois do nosso pequeno “Mosquito”, o DCS: FW-190 A-8 é elevado aos céus. Não é o primeiro avião da era Nazi que nos chega, nem sequer é o primeiro FW-190. Mas, é talvez, o mais mortífero.

Quanto ouvirem falar de batalhas aéreas entre Aliados e Nazis, é muito provável que vejam um Me Bf-109 (também presente no DCS World) representado nos céus, seja em séries de TV, filmes ou ilustrações. Os Messerschmitt, de facto, gozaram de particular fama, pela sua performance e pelo seu aspecto inesquecível. Contudo, na maior parte dos encontros desta era entre as duas facções, os pilotos britânicos e americanos deverão ter encontrado muitos mais FW-190. Este foi, sem sombra de dúvidas, o avião mais produzido e operado pela Luftwaffe neste período, recebendo imensas variantes e cumprindo muitos papéis diferentes. Versátil, ágil, com um design muito à frente do seu tempo, inclusive a nível de sistemas a bordo, o FW-190 lutou nos céus da Europa com relativo sucesso, tornando-se temível.

Curiosamente, o primeiro FW-190 que chegou ao DCS World, nem foi este que vos vou falar hoje. O FW-190 D-9, carinhosamente apadrinhado de “Dora” foi o primeiro modelo a chegar há uns quatro anos. O Dora beneficiou de inúmeras actualizações no conceito do FW-190, tornando-se ainda mais versátil. A principal diferença, porém, estava no “nariz” com a introdução de um motor muito mais robusto, um V12 em linha que lhe permitia ir mais rápido e mais alto que o modelo A. Contudo, dada a progressão da guerra, o Dora nunca conseguiu atingir o seu potencial de caça de superioridade aérea, sendo quase confinado ao papel de bombardeiro. Até lá, porém, o Anton foi o caça a abater.

A Focke-Wulf inicou a produção deste aparelho no final dos anos 30. O Würger (ou Picanço) foi desenhado para ser um caça diurno, com capacidades de bombardeiro e o seu conceito teve bastante sucesso. Na sua entrada ao serviço em 1941, viu a sua principal oposição, o Spitfire Mk. V, a ser literalmente humilhado pela sua eficácia em altitude e poderio de fogo. O motor radial BMW 801 tornava-o ágil e rápido, enquanto que os seus destrutivos canhões garantiam superioridade imbatível. De facto, a britânica Supermarine foi praticamente obrigada a actualizar o seu avião de propósito para fazer frente ao FW-190, resultando no Spitfire Mk. VI. É que o caça alemão tinha muitas características que o tornavam superior.

Até que aparecesse o modelo D com o seu motor V12 em linha, o FW-190 teve diversos modelos “A” a voar pelos céus Nazis. O “Anton” como ficou conhecido entre os pilotos, tem dez gerações desde os protótipos até ao último modelo, o pouco usado A-10 com maior envergadura de asas e a pensar nos ataques a bombardeiros de altitude. O modelo que chega agora ao DCS World, o A-8, foi um puro caça, que às vezes era chamado para outras missões, cumprindo-as sem problema. Nesta versão, a blindagem era reforçada, o motor possuía mais potência, inclusive com a novidade de um booster de emergência. Mas, o que mais o distinguiu foi, de facto, o seu armamento impressionante.

O modelo que temos no DCS World é o A-8 R1 que possui uma parelha de metralhadoras MG 131 no nariz de 13 mm, além de um pilar central para bombas de 250Kg. Como se não bastasse, nas asas estão montados mais quatro canhões MG 151 de 20mm, dois de cada lado. O avião possui mesmo dois gatilhos, um deles com cobertura para evitar disparar os canhões inadvertidamente. Este poder de fogo mandava tantas balas pelo ar que, mesmo sem poder de manobrabilidade para acompanhar o “rei” da manobra Spitfire, era difícil escapar ao Anton nas seis horas. Algures nas casernas da Royal Air Force e da USAF, chamava-se o FW-190 de “Butcher” (ou Carniceiro) e com bons motivos.

De facto, outros modelos A foram equipados com mais armas distintas. O A-4, por exemplo, chegou a ter morteiros de foguete e o A-5 teve mesmo uma versão prematura de um radar. Os 10 modelos do Anton foram os mais populares na Luftwaffe, experimentando vários papéis. Com o advento dos motores V12, porém, o veterano BMW 801 estava a tornar-se algo ineficaz para acompanhar o progresso da aviação aliada. A evolução era urgente, para que a Alemanha continuasse relevante na guerra. Mas, mesmo com o Dora disponível no hangar virtual do DCS World, este A-8 é capaz de ser um dos melhores aviões desta era.

E, sim, digo isto principalmente por causa do seu poder de fogo. Tive a oportunidade de combater nos céus virtuais, tanto contra a os pilotos artificias da IA, como contra humanos em servidores dedicados à 2ª Guerra Mundial no DCS e fiquei impressionado com a forma como este avião “esburaca” adversários. Se nestes aviões desta era, é quase uma ciência mirar e acertar nos adversários, com tanta munição pelo ar, tal como aconteceu no I-16 “alguma há-de lá parar”. E as balas de 20mm dos canhões fazem imensos estragos em poucas passagens. Mesmo em ataque ao solo, estes canhões são devastadores e entendi porque tem essa alcunha de “carniceiro”.

Contudo, há mais elementos para conferir o devido “charme” neste avião. De um modo geral, o FW-190, tanto no caso do Anton, como do Dora, possuem muitas inovações e avanços tecnológicos que os aviões aliados ainda só podiam sonhar. Um compensador eléctrico, por exemplo, pode ser algo banal hoje em dia, mas é uma característica muito avançada nesta era, facilitando imenso a vida ao piloto. Depois, tem um sistema de arranque de motor francamente facilitado, usando um volante (flywheel) como motor de arranque. Depois, é a “limpeza” do cockpit, com apenas uma manivela de potência (as RPM são controlados por botões) e uma gestão muito simples da maior parte dos sistemas.

O FW-190 é um avião muito fácil de operar, portanto, possuindo até algumas ideias que ainda hoje perduram. A ideia da Focke-Wulf era facilitar a vida ao piloto, colocando-o a voar e a disparar as suas munições, ao invés de o distrair com sistemas complexos. Se isto vos soa familiar, é porque essa mesma premissa é a que hoje temos na aviação moderna. Apesar das aeronaves serem profundamente mais complexas, a simplicidade de operação de sistemas começou aqui. Não é por mero acaso que no fim da 2ª Guerra Mundial, Americanos, Ingleses e Russos açambarcaram aviões, engenheiros e pilotos Alemães para os dois lados, contribuindo para uma das mais importantes evoluções de tecnologia na história da aviação moderna.

Conforme já disse, já tenho bastantes horas de voo no FW-190 A-9 desde que aterrou aqui no meu DCS. Confesso que não tinha voado ainda no FW-190 D-9 Dora, mas já tinha bastantes horas no Spitfire e Mustang, além do pequeno I-16. Esta experiência foi, obviamente, preciosa para pegar no Anton com alguma destreza. Digo “alguma” porque cada avião tem uma sua “história” para contar. As ideias gerais de operar um “tail dragger” desta era mantém-se, assim como a sua “letalidade” a operar estes aviões tão intolerantes no chão. Taxiar requer muita calma com os pedais, sobretudo a virar nas taxiways. Rolar na descolagem é uma arte de puxar o manche atrás para bloquear a roda traseira e largar na velocidade de rotação. Tudo requer precisão e hábito.

É só mesmo a aterrar que o Anton é mais implacável. Embora não seja tão intolerante como o “mato-te a aterrar” Spitfire, quanto a mim. O enorme motor radial obriga a jogar com os flaps e já habitual ângulo offset com a pista. Nada demais, para dizer a verdade, outros aviões desta era obrigam ao mesmo. É só mesmo no pouso que as coisas se complicam. A velocidade de toque de 200 Kmph é algo elevada, não podemos usar travões e o toque tem de ser suave e sem grande exageros. A prática leva à perfeição, mas confesso que este avião foi, para mim, um dos mais desafiantes que já voei desta era. A urgência é mesmo de ir para o ar logo que seja possível e rezar para que a aterragem corra bem.

Uma vez no céu, é altura de apreciar este avião onde parece querer estar sempre. O Anton foi recriado com um nível de detalhe impressionante. Cada pedaço do avião respira legitimidade e só tenho pena que não tenhamos mais pinturas, contando apenas com duas, uma delas de protótipo, a outra com duas variantes. Adoro os pormenores mais discretos. Como o dos cartuchos do canhão a cair a cada disparo ou as nervuras das asas que lhe dão relevo. Um espectáculo visual, sem dúvida.

Achei o modelo francamente bem feito e detalhado, com efeitos visuais credíveis. Quem sabe o melhor que este avião tem para oferecer é mesmo o som do lendário motor radial BMW 801. Uma vez mais, voar neste avião clássico é um acto de prazer, muito por culpa da sua sonoridade. Já o tinha dito no Yak-52 e no I-16, esta é uma era em que os aviões era ruidosos e aqueles “rateres” a reduzir velocidade nunca passam de moda.

Infelizmente, há alguns pormenores a precisar de atenção. Achei a mira demasiado baixa, por exemplo, sobretudo para ataques ao solo. Também há alguns erros de lógica em alguns instrumentos que precisam de revisão como a bússola e os indicadores de combustível. Como só resta um FW-190 real a voar hoje em dia, é sempre difícil confirmamos estes pormenores. Parece bem concebido no DCS, num trabalho exímio da produção interna da Eagle Dynamics. Mas, nesta fase de Acesso Antecipado, ainda precisa de ajustes pontuais.

Reforço que é em combate que este avião justifica a sua existência num simulador… de combate. Porque o Anton possui pressurização de cabine, fiz muitas intercepções a bombardeiros Americanos sobre a Normandia em altitudes elevadas. Esta era outra inovação deste avião que os Aliados tiveram de lidar para os seus míticos B-17. A nível de combates directos, já expliquei que o verdadeiro poder está na quantidade munição pelo ar que se torna essencial nos combates próximos. Isto porque o Anton tem tendência para abrir um pouco demais as voltas, além de entrar em perdas muito facilmente, com departures complicadas de contrariar.

Também apreciei muito o combate ar-solo. Embora outros modelos fossem mais adequados, inclusive o Dora, mesmo só tendo uma bomba disponível para largar e sem qualquer tipo de mira dedicada disponível. Os canhões de 20 mm do Anton são, ainda assim, muito divertidos de usar contra alvos terrestres. Para alguns veículos, navios e edifícios menos resistentes ou blindados, são devastadores, podendo mesmo danificá-los gravemente em poucas passagens. Também apreciei o nível de danos que o avião consegue suportar, fruto da sua blindagem a pensam na sobrevivência do piloto. Contudo, quando tudo falha, tal como os outros, é hora de o abandonar…

O Anton é uma boa surpresa no leque cada vez mais diversificado de aviões da Segunda Guerra Mundial no DCS. Graças às inovações que este modelo trouxe à Luftwaffe, torna-se francamente simples de voar e operar como arma aérea também no simulador. O seu motor radial, pode não ser tão veloz como os aparelhos aliados no jogo, mas faz-lhes frente num avião equilibrado, muito ágil e que apenas não vira tão bem como um Spitfire (marginalmente, notem). Como modelo para o DCS World, traz mais um avião do Eixo para fazer oposição aos Aliados, num papel de caça e com um devastador poder de fogo. E ainda pode largar uma bomba naquele tanque mais persistente.

Foi o meu primeiro avião Alemão no DCS World e não estou nada arrependido das horas que gastei a aprender a voá-lo e novas palavras em Alemão. Já tinha ouvido falar de como o Dora era, para muitos, um avião superior aos demais na oferta da 2ª Guerra Mundial no DCS World. Agora entendo porquê e até estou disposto a ir buscar esse outro FW-190 para fazer companhia a este no meu hangar. Se quiserem um aparelho robusto, com uma operação a pensar na simplificação da vida do piloto, com um poder de fogo temível e um aspecto impecável, ultrapassem o preconceito da suástica (semi-apagada) pintada no leme vertical e dêem uma oportunidade ao Focke-Wulf FW-190 A-8 “Anton”.

O DCS: FW-190 A-8 está já disponível para voar em acesso antecipado na loja da Eagle Dynamics. Será ainda alvo de algumas melhorias e adições num futuro próximo. Aconselho vivamente a voarem estes e outros aviões desta era no mapa DCS: Normandy.

Este software foi testado em acesso antecipado, gentilmente cedido pela Eagle Dynamics. Sendo uma versão experimental, muitas das características, bugs, erros ou faltas assinalados poderão sofrer alterações até ao lançamento.

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