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Análise – Rustler

O sucesso de Grand Theft Auto é inegável. Contudo, as origens da série são bem diferentes da actualidade. Uma perspectiva vertical, com um grafismo de jogabilidade bem mais simples mas com a mesma premissa de mundo aberto e muita, mesmo muita irreverência. Rutsler não esconde que é essa a sua grande influência, para o bem e para o mal.

Mesmo na sdescrição do jogo nas várias lojas, a produção da Jutsu Games não esconde esta inspiração, dizendo mesmo que este é um jogo que “presta tributo ao velho estilo de jogabilidade de GTA”. Não sei o que a Rockstar Games sentiu ao ler isto. No passado, a empresa tem sido muito protectora da sua propriedade intelectual, pelo que não seria descabido que se opusesse ao conceito deste jogo. Contudo, já lançado noutras plataformas desde há dois anos, não parece haver problemas. Agora que chegou à PS5, é a nossa altura de o analisar. E fica no ar que criar uma espécie de GTA clássico num ambiente medieval parece-me realmente interessante. Mas, é preciso que todos os ingredientes sejam bem doseados.

O GTA original era um jogo muito equilibrado. Tinha os seus momentos cómicos, com piadas fáceis e momentos hilariantes mas sempre engenhoso em como entregava a sua narrativa. Também tinha bons momentos de acção e interacção, mesmo que tecnicamente fosse bastante limitado (para os standards de hoje, claro). Já outros jogos tentaram recuperar esta fórmula com resultados mistos, sem nunca fazer recuperar a “vibe” dos primeiros GTA. Pode não ser um problema de conceito, porque os mais recentes GTA mantém a mesma lógica e tom, apenas mudaram a perspectiva. No meu ponto de vista, acredito que é só uma questão engenho. E isso é o que não falta na série da Rockstar.

Rustler apresenta-se, assim, bastante ambicioso. Pensem nele como uma espécie de GTA 2 histórico, onde os automóveis são substituídos por cavalos e carroças, as pistolas por arcos e flechas ou espadas, passando-se num período medieval. No bom espírito dos jogos em que se inspira, também aborda a vida de um rufia a sobreviver no sub-mundo do crime organizado. É igualmente irreverente, não pedindo desculpa pela sua violência e rudeza de temas. Está repleto de momentos cómicos e imensas referências de outros jogos e e outros meios. Contudo, é nesse esforço de ser um GTA renovado com outro tema, que a produção se perde um pouco.

O protagonista Guy e o seu companheiro de aventura Buddy são personagens francamente exageradas, com situações que começam por ser cómicas mas a acabam a roçar o caricato. É uma constante durante todo o jogo ver piadas fáceis, asneiras, obscenidades frequentes, com uma contante insistência nas referências de terceiros. Obviamente, tudo depende do sentido de humor de cada um. Ainda assim, mesmo achado alguns diálogos e momentos absolutamente hilariantes, a dada altura percebemos que os argumentistas se esforçaram demasiado para manter um nível de comicidade que, simplesmente, não é possível durante as 10 horas de jogo.

Pensem só neste pormenor: há um botão dedicado no comando especificamente para  dar flatulência ou arrotos a Guy. Não é uma interacção realmente funcional ou que nos permita algum tipo de reacção. É somente isso que acabei de descrever. Tem piada nos primeiros minutos mas o poder cómico esgota-se rapidamente. Para terem uma ideia do tom do enredo, esta dupla pretende infiltrar-se num torneio de combate para impressionar as garotas. Na maior parte do tempo as missões variam entre roubos, assassinatos e outos actos ilícitos. Diz-se que a esperança de vida nestes tempos era baixa, Guy provavelmente só pioraria as estatísticas.

Em termos de jogabilidade, esperem algo muito linear. Na tal perspectiva vertical, sem grande necessidade de rigor técnico, na verdade, é um jogo com um grafismo colorido, com alguns efeitos visuais de encher o olho. Os cavaleiros reais (os polícias do jogo) têm até umas luzes azuis e vermelhas a simular um carro policial. A interacção de roubar cavalos ou atacar transeuntes, assim como os “tiroteios” e embates com espada e escudo, possuem mecânicas simples e intuitivas. Infelizmente, notei alguns problemas com os controlos, especialmente a cavalo. O esquema de botões no DualSense necessita de ajustes e as reacções aos inputs parecem algo lentas.

Certamente notaram que este jogo foi lançado há algum tempo (2019) noutras plataformas, tendo chegado neste ano ao PC e neste mês à PlayStation 5 e Xbox Series X|S. Testei este jogo na PS5 e devo dizer que, para um jogo tão simples e já com tanto tempo de vida, a performance deste port deixa um pouco a desejar em alguns momentos. Especialmente quanto exploramos o mapa a alta velocidade, há pequenos stutters que estragam um pouco a fluidez. Também tive uns quantos problemas com missões que ficam “penduradas”, impossíveis de progredir. Todas estas são questões pequenas, facilmente resolvidas nas próximas semanas com alguma actualização. Ainda assim, ao fim de tanto tempo, esperava-se mais polimento.

Veredicto

Sem pensar nos seus problemas técnicos ou na sua narrativa demasiado focada na piada ligeira, Rustler é um jogo divertido, cuja intenção de nos recordar o irreverente GTA, transportado para a era medieval, é realmente cumprida. Infelizmente, por mais que queiramos ignorar essas questões, tomam muita da nossa atenção, desgastando um pouco a ambição desta produtora. Infelizmente, este o jogo que rapidamente se torna numa nota de rodapé entre os vários “clones” de GTA.

  • ProdutoraJutsu Games
  • Editora Games Operators, Modus Games
  • Lançamento3 de Setembro 2021
  • PlataformasPC, PS4, PS5, Switch, Xbox One, Xbox Series X|S
  • GéneroAventura, Shooter
?
Sem pontuação

Ainda não tem uma classificação por estamos a rever o nosso esquema de pontuações em análises mais antigas.

Mais sobre a nossa pontuação
Não Gostámos
  • Algumas questões de performance e bugs
  • Algumas piadas são demasiado forçadas
  • Problemas de controlos

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.

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