Mais infoProdutora: AtlusEditora: SEGALançamento: 10/01/2019Plataformas: Género: ,

Dizer que os títulos que nos chegam do Japão são estranhos é já um eufemismo. A produtora Atlus até já nos trouxe grandes êxitos, mas é normal que este igualmente estranho jogo vos tenha passado despercebido. Catherine Classic está aí para corrigir isso.

Para todos os efeitos, Catherine Classic é mesmo isso, um clássico, agora reeditado na versão PC com todo o conteúdo do jogo original, lançado em 2012 para a PlayStation 3 e Xbox 360. Na altura, muito possivelmente não o notaram. Este até foi um título bem recebido pela crítica mas a sua fama de “difícil” e jogabilidade pouco convencional afastou muitos jogadores. Ainda assim, é um jogo de culto, com uma base de fãs fiel e que esperava ansiosamente que a SEGA reeditasse o jogo nesta geração. Esta é a primeira aposta, fazendo-o chegar finalmente ao PC. A PlayStation 4 e a PlayStation Vita também haverão de receber uma autêntica remasterização (Edição Full Body), com direito a novo conteúdo e tudo. Por agora, vamos mergulhar novamente neste clássico, agora com teclado e rato.

É algo complicado explicar-vos o conteúdo deste jogo. No rigor, quando nos passa o controlo para as mãos, é um jogo de puzzles. Contudo, descrever este título desta forma é injusto. Como pano de fundo, vamos acompanhar Vincent, um pobre rapaz preso entre uma relação amorosa com a sua namorada Katherine e uma nova paixão por outra rapariga, chamada Catherine… que namora… sem saber… Pela sua indecisão, surgem estranhos sonhos em que, ainda mais estranhos, monstros o perseguem, enquanto escala uma improvável torre. O pior desta sua história, é que na vida real estão a acontecer casos de jovens da sua idade que aparecem mortos na cama, como se tivessem morrido a dormir.

Esta história tem imensos desenvolvimentos e personagens à mistura e não posso adiantar muito mais que isto. Na maior parte das vezes, tudo é contado como um simples filme de animação manga, no que parece ser um programa de televisão chamado “Golden Playhouse”. Tirando umas quantas interacções e decisões pontuais a meio da trama, o grosso da nossa participação está nas tais torres dos sonhos. De um modo geral, conseguimos apreciar a relação metafórica entre personagens e aberrações nos sonhos de Vincent, numa narrativa que… bom, dá que pensar. Mesmo a construção de personagens e eventos, tão remanescente da série Persona, dá-nos vontade de jogar mais para saber o que se passa a seguir.

Mas, a dada altura, só podemos concluir que estas cenas intermédias extensas e soberbamente animadas, com contribuições de excelentes actores como Troy Baker, só existem para nos entreter da acção que se passa entre as tais infames torres. Como devem imaginar, apesar dos muitos momentos genuinamente cómicos, é impossível não ter uns quantos sorrisos “amarelos” nalgumas opções criativas da produção. Um bom exemplo, são as omnipresentes ovelhas. Representam outros jovens com o mesmo problema de Vincent e que precisam subir a torre para fugir dos seus monstros, uma mensagem evidente (mais ou menos) num animalismo e uma metáfora que daria para vários artigos sucessivos.

Só não sei se a Atlus gostaria que aprofundássemos muito a questão, sob pena de deixarmos de analisar um jogo e passarmos a análise a toda uma sociedade, sobretudo a Nipónica. Há elementos que, francamente, são algo complicados de “digerir”, sejam eles de profunda reflexão, como o compromisso e a traição numa relação (o mais óbvio), de pura comédia, arrancando alguns risos, mas também de profunda… estupidez. Não quero estragar-vos a surpresa, até porque haverão reacções diferentes em cada jogador. Reitero que é um jogo estranho e que vos pode arrebatar ou repelir com igual probabilidade. Como, aliás, acontece com muitos dos jogos vindos da Terra do Sol Nascente.

Falando do que é jogo propriamente dito, as torres são compostas por blocos que Vincent tem de subir até chegar a uma porta de saída. Os blocos podem ser fixos ou móveis, mas também podem esconder armadilhas e outras trapaças para nos criar dificuldade. Tendo em conta que temos um tempo limite para ascender ao topo e que a dificuldade vai aumentando exponencialmente, é bem possível que bem cedo se apercebam da tal dificuldade pela qual o jogo foi tão criticado. Para ajudar, temos de encontrar ou “comprar” alguns extras. Ainda assim, há momentos verdadeiramente frustrantes, como “becos sem saída”. Contudo, nunca achei que fosse assim tão difícil como dizem. Escolham um nível de dificuldade baixo se o acharem demasiado desafiante.

Quando acabarem a história, o que vos levará umas 14 horas, aproximadamente, talvez ainda tenham vontade de começar tudo de novo para verem outros dos finais alternativos. E ainda podem contar com dois outros modos de jogo para vos distrair. Babel é uma espécie de modo “desafio”, que vos permite repetir torres para conseguirem obter melhores tempos e pontuações. Já Colosseum coloca-nos a subir torres contra adversários em constante batalha. Por esta altura, ou amam, ou odeiam a jogabilidade deste jogo. O que, obviamente, ditará a longevidade destes modos adicionais.

Quanto ao seu aspecto, já mencionei uma inspiração na série Persona na construção de personagens e eventos, mas esta inspiração vai mais longe. É bem notório que Atlus tirou alguns elementos dessa sua outra série de sucesso no que toca ao visual. O design geral das personagens, os efeitos visuais, os menus, há muitos elementos familiares por aqui. Também junta animação 2D estilo manga com elementos 3D, um estilo muito próprio que a Atlus aperfeiçoou. Só lhe falta mesmo os elementos RPG e uma jogabilidade mais linear para o chamar de “uma espécie de Persona”. Não é, felizmente, fazendo deste título algo muito único e que justifica bem a quantidade de fãs à sua volta.

Notem que há muitos elementos visuais que parecem datados, afinal esta não é uma remasterização mas uma reedição para PC. Mesmo assim, há muitas melhorias nesta versão em particular. Este é um port directo da versão de 2012 para as consolas, com as melhorias expectáveis para tirar proveito do PC. Além do óbvio suporte para teclado e rato (também podem optar por um comando convencional para jogar), contem com resoluções mais altas (até 4K), FPS desbloqueados e até a opção de escolha nas vozes das personagens entre a versão dobrada ou a original em Japonês. De resto, nada foi alterado.

Veredicto

Há dois veredictos a fazer aqui. Primeiro, o do jogo propriamente dito, o original de 2012 agora reeditado no PC. Catherine é um jogo complicado de avaliar, entre a direcção artística fantástica e uma jogabilidade, no mínimo, estranha. Os puzzles tornam-se meio complicados lá mais para meio, frustrando os menos pacientes. A recompensa pela persistência é uma história rocambolesca, com elementos adultos e algo profundos, que justificam muito bem o facto de ser um jogo de culto. A outra análise é ao port feito para o PC. Este é um clássico intacto, devidamente transportado para os PCs modernos, com as melhorias esperadas. Não vos vai dar nada de novo se já jogaram o original mas, enquanto não chega a remasterização, é a melhor oportunidade de conhecer este clássico.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.