Vão atender a chamada de Hotline Miami?

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Já tendo conhecimento deste game developer da comunidade indie, mais propriamente pelos seus jogos com um estilo fora do comum criados no programar “Game Maker”, fiquei bastante surpreendido ao ver que este tinha lançado um título comercial no Steam. Claro que de imediato fiquei ansioso por experimentar mais um grande jogo independente deste autor e não fiquei desapontado…

Jonatan Söderström, ou “Cactus” como é conhecido na comunidade indie é conhecido pelo seu game design pouco convencional, mas também algo controverso e estranho, misturando um estilo retro com bastantes efeitos visuais, como se pode comprovar por alguns dos seus jogos indie de culto como “Clean Asia“, um shoot-em-up bastante colorido e brilhante.
Desta vez juntou-se com Dennis Wedin para criar “Hotline Miami“, um jogo de acção violento, com uma narrativa bastante psicótica situada na cidade de Miami. O jogo também possui elementos de estratégia, no entanto só se assimilam com alguma prática, já que também são necessárias aptidões de stealth.

Em Hotline Miami, estamos na pele de um serial killer que, motivado por estranhas chamadas telefónicas que o encarregam das missões, comete os crimes mais macabros nos edifícios de Miami governados pelo crime, sempre usando uma máscara de animal para esconder a sua identidade.
Visualmente, Hotline Miami segue o caminho dos seus jogos passados. Bastante cor e efeitos vibrantes, mas apesar da pouca resolução, o jogo não poupa a ilustrar com precisão as mortes bizarras dos inimigos, com as mais variadas armas que aumentam em número ao longo dos níveis. A acção e a velocidade podem tornar-se obstáculos à conclusão de cada nível, pois basta um inimigo atacar-nos, quer com um pé-de-cabra, quer com um tiro de shotgun, que é morte certa e teremos que reiniciar o nível. Neste caso, a estratégia é recompensada, pois é necessário algum cuidado para não se ser visto ou ficamos rodeados de inimigos. Para concluir o nível, basta “limpar” vários andares do edifício onde estamos, com uma mistura de estratégia a grande velocidade. Ter em atenção que a jogabilidade requer também um controlo preciso do personagem e pela rapidez e variedade das mortes, somos recompensados com pontos, que nos atribuem uma nota no final de cada nível. Os níveis são divididos em capítulos da história, e podemos sempre voltar a atrás ou escolher um nível para conseguir melhorar a sua nota. Existem também alguns segredos e máscaras secretas, que funcionam como power-ups cada vez que começamos um nível.

Apesar do aspecto retro do jogo, o ambiente é muito bem conseguido, e imerge-nos imediatamente para a narrativa através de vários aspectos do jogo, nomeadamente do local, da época, do estilo de um filme policial, misturado com a fantástica música e com o DeLorean que a personagem usa para se deslocar.

A música é uma parte importante neste jogo, já que conta com uma brilhante banda sonora capaz de nos fazer o coração palpitar de emoção enquanto cometemos os mais horrorosos homicídios com ritmo acelerado. Não vos vai parecer má ideia querer ouvi-la fora do jogo, reencarnando fora dele o ambiente psicótico.

O jogo foi muito bem recebido pela crítica, com pontuações de fazer inveja a títulos comerciais com maiores recursos, por isso é bastante aconselhável, nem que seja para experimentar um pouco a mente de Cactus, que diz estar a criar o futuro do entretenimento.