Progressão de carreira de Gran Turismo 7 criticada

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Qualquer jogo desta série da Polyphony Digital envolve muitas horas de dedicação. Contudo, desde o seu lançamento que Gran Turismo 7 está a ser criticado pelo excessivo “grind”. E os jogadores já inventam “soluções”.

Ao longo dos vários jogos na série, os jogadores sempre encontraram formas de fazer uma espécie de “farming” de dinheiro virtual para conseguir fundos para chegar aos melhores bólides. Há mesmo estudos para concluir quais as provas mais curtas e mais remuneradas e quantas horas de jogo são necessárias para chegar a determinados montantes.

Contudo, desde logo os jogadores puderam constatar que os montantes dados por prova em GT7 estavam bem abaixo dos anteriores GT6 e GT Sport. Além disto, muitos dos veículos só podem ser comprados em jogo com montras rotativas, no caso dos veículos usados e os lendários. E ainda outros só podem ser comprados com “convites” temporários. O que obriga a um “grind” algo elevado, bem acima dos restantes jogos da série, além de alguma sorte à mistura que não deveria ser um factor.

Segundo o site GT Planet, porém, desde a actualização 1.07 (e posterior correcção 1.08) que causou um “apagão” no jogo, as coisas pioraram ainda mais. De 1.75 milhões de créditos ganhos por hora em potencial, diz o site que essa média foi cortada ao meio para 850.000 créditos por hora com os ajustes dos prémios por prova em comparação com os valores dos automóveis. O que enraiveceu ainda mais os fãs, com reacções que se fizeram ouvir.

O director Kazunori Yamauchi veio a público esclarecer as motivações da medida, dizendo que deseja passar “o valor e raridade” nos preços dos carros, ligando-os a “preços do mundo real”. Por outro lado, diz o produtor, a ideia é que os jogadores não adoptem técnicas “mecânicas” de “repetição de certos eventos”. É, portanto, uma decisão consciente de abrandar o progresso dos jogadores.

Para muitos, porém, esta explicação esconde uma outra intenção. Como sabem, na PlayStation Store existem pacotes de créditos (na imagem acima) que podem ser comprados com dinheiro real. Para estes jogadores, tudo isto soa bastante a um “empurrão” da produção para comprar dinheiro virtual com essas micro-transacções.

Por causa deste paradoxo entre jogadores que querem mais do jogo e uma produtora que não quer facilitar, alguns jogadores colocaram mãos à obra. Um utilizador no site PSN Profiles criou um método que usa o Remote Play no PC para criar uma série de inputs de comando numa corrida simples, neste caso a prova Pan American Championship no circuito simples de Blue Moon Bay Speedway. E, não, não é nada ilegal.

Assim, o jogador coloca a prova a decorrer e o automatismo permite correr a prova com poucas curvas para lidar e sem a participação do jogador. É algo que nos faz recordar (com pouca saudade) o infame modo B-Spec em que agíamos como um director de prova a comandar um piloto virtual. Felizmente, o modo não passou além de Gran Turismo 5, mas se calhar até dava jeito para todo este grind forçado do último jogo.

Na nossa análise a Gran Turismo 7, não chegamos tão longe como estes jogadores, ávidos de carros raros e dispostos a tudo para os conseguir. Ficámos deslumbrados com o visual, o comportamento dos automóveis e vários outros aspectos. Dissemos mesmo que é “absolutamente obrigatório por tudo o que traz à PlayStation 5”. Continuamos a achar o mesmo, embora agora, se calhar, aconselhamos paciência para evoluir.