Produção de Star Citizen pode ser processada pela Crytek

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Num longo processo, a germânica Crytek tem vindo a reclamar que o jogo Star Citizen está a usar indevidamente o motor gráfico CryEngine. Por seu lado, a Cloud Imperium Games e a Roberts Space Industries sempre negaram as acusações. Um processo judicial poderá decidir quem tem razão.

Se não se recordam de Star Citizen, reavivemos a vossa memória. Este é um projecto de um jogo online de carácter massivo (MMORPG) que pretende trazer de volta o clássico Wing Commander, alegadamente com uma visão mais ampla de exploração, combate e com elementos competitivos e cooperativos. Desde há alguns anos (2012) que o jogo se encontra numa fase de desenvolvimento baseado no crowdfunding, conseguindo um montante ridículo na ordem dos 170 milhões de dólares (à data desta notícia)!

Com todo esse dinheiro, porém, o jogo nunca esteve mais perto de ser lançado. Quem decidir apoiar o projecto agora, tem acesso a conteúdo muito limitado em “acesso antecipado”, com umas naves e uns poucos locais para descobrir, tudo muito incompleto e com mecânicas inconsistentes. De resto, o jogo parece ser uma autêntica fábrica de dinheiro para a produção, que se limita a impor mais e mais metas financeiras e entregando… pouco ou nada.

Existe um tal de Star Citizen em fase Alpha, um outro modelo de servidor de testes (PTU), uma campanha em produção perpétua há anos chamada de Squadron 42 e toda a sorte de promessas, que chegam muitas vezes em emails avulsos aos subscritores. Nada é concretizado, tudo tem de ser pago, inclusive até “lotes de terreno” que já podem comprar para um jogo que ainda nem existe. Desde 2012 que o jogo nunca teve uma data de lançamento e assim deverá ficar por mais uns anos. Provavelmente, até um dia em que o mentor Chris Roberts anuncie que o projecto tem de ser cancelado por uma conveniente falência financeira, por exemplo.

Embuste ou não, por causa dos muitos vídeos cheios de elementos bonitos e as tais promessas, muita gente já caiu na tentação de comprar um dos pacotes disponíveis. Isto tem vindo a enriquecer mais ainda Roberts, que obviamente alega que todo o dinheiro é investido no jogo. Há quem o defenda, dizendo que é um perfeccionista e que pretende lançar “o jogo perfeito”. Há também quem o acuse de estar intencionalmente a gerir uma fraude, inclusive ex-trabalhadores das suas empresas que também alegam passar por más condições laborais.

A acusação mais grave, porém, vem do seu próprio desenvolvimento técnico. Há já algum tempo que a Crytek tem vindo a reclamar o uso ilegal do seu CryEngine 3 na produção de Star Citizen. Embora inicialmente a equipa de produção tivesse usado este motor gráfico, há algum tempo anunciou que teria migrado tudo para o novo software de desenvolvimento Lumberyard da Amazon. Contudo, a empresa Germânica continua a alegar que muitos elementos do CryEngine 3 são ainda usados indevidamente, sendo omitidos das informações do jogo.

O Lumberyard é, na verdade, uma evolução revisitada de uma anterior versão do CryEngine, o que pode justificar as descobertas de  Crytek de linhas de comando similares no código do jogo. Contudo, a acusação que deu agora entrada no tribunal, alega que as ditas linhas de código são específicas de CryEngine 3 e que a produção da RSI e CIG omite intencionalmente que usa uma versão modificada deste motor gráfico, quebrando assim o contrato celebrado entre as duas partes.

Não seria a primeira vez que a produção era acusada de usos indevidos de propriedade de terceiros. Ao longo da sua longa vida de… bom… “grandes nadas”, Star Citizen foi acusado de plágio inúmeras vezes, seja no conceito, seja na execução de algumas das suas muitas ideias e opções de design.

Dadas todas estas suspeitas, até que Roberts entregue algo, nunca poderemos confirmar seja o que for que estará na sua forja. Entretanto, o jogo continua a facturar uma média de 1 milhão de dólares por mês… sem sequer existir realmente!