Nem tudo está bem entre a EA e a FIFA

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Não era um título que alguma vez pudéssemos prever. As relações entre a Electronic Arts e a FIFA não estão bem. Depois de alguns rumores, a série FIFA Football poderá mudar de mãos ou deixar mesmo de existir.

Na semana passada, ficámos a saber que a EA se preparava para mudar o nome à sua lendária série de jogos de futebol. Na altura, a teoria era que o rebranding iria avançar mas as licenças estariam “intactas.” Contudo, dias depois surgiu um rumor que dizia que a FIFA tinha pedido um valor absurdo pela licença oficial (mil milhões de dólares), algo que a EA teria declinado e daí ter surgido uma possível cisão.

Agora, parece que este “divórcio” não só é mesmo para avançar, como a própria FIFA decidiu lançar uma “farpa” à EA. Num comunicado, a Federação Internacional de Futebol Associado menciona que o gaming de futebol e eSporst “devem envolver mais que uma entidade a controlar e explorar todos os direitos”. Esta é uma clara menção ao facto que desde 1993 a série FIFA só ter conhecido uma casa: a EA.

Mais adiante, o comunicado acrescenta que a FIFA está “optimista quanto ao futuro no gaming e nos eSports, depois de uma avaliação extensiva e estratégica dos jogos e do mercado de entretenimento”. O que isto quer dizer? A FIFA irá interagir com “vários elementos da indústria, incluindo produtores, investidores e analistas para construir uma visão a longo prazo”. Isto pode até significar que a série FIFA Football possa ressurgir com produção da própria FIFA ou com múltiplas produtoras a explorar licenças.

Esta é mais uma má notícia na história recente da Electronic Arts. Como não foi um bom momento o seu afastamento da exclusividade da licença Star Wars, por exemplo. A empresa também parece estar a perder o poder de outrora nas suas franquias mais populares, já que nem todos os lançamentos recentes foram realmente bem sucedidos. Com este golpe, restam-lhe poucos baluartes daqueles que considerávamos há uns tempos como sendo “impossíveis de falhar”.

O futuro para os simuladores de futebol também é agora muito incerto. O que, por um lado, pode ser positivo pelas inúmeras hipóteses que essa premissa oferece, inclusive pelo possível regresso de uma competição sadia de novos títulos. Mas, por outro lado, é também um momento negativo se a FIFA não souber bem o que fazer com as licenças, cedendo-as a estúdios com muito menos experiência. Até porque, no passado, nem sempre tivemos boas representações neste género.

Como fãs de futebol, até podemos apoiar a decisão de permitir que mais empresas possam “beber” na popularidade do mundo do futebol. eFootball poderá agora ver um futuro melhor com a possibilidade de obter mais licenças. E ainda não sabemos muito sobre UFL, previsto para o próximo ano. Quanto a FIFA Football pela mão da EA Sports, pode ter visto o fim da sua longa jornada com FIFA 22. É, para nós, “mais um triunfo incontestável da EA Sports, uma “goleada à antiga”. Se realmente a série mudar de rumo, vai com certeza deixar saudades. Como PES deixou, já agora.