Membros do Congresso dos EUA apelam contra banimentos da Blizzard

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No rescaldo da situação gerada pelo banimento de vários jogadores pela Blizzard devido a apelos activistas em campeonatos de Hearthstone, a comunidade reagiu em uníssono contra a posição da produtora e editora. E agora, até o Congresso dos EUA se manifestou.

No nosso artigo ficou bem claro que consideramos que a política não deveria ter lugar no mundo dos videojogos. Contudo, as cabeças pensantes neste meio expressam-se e nunca gostamos de ouvir falar de censura, seja em que formato for, muito menos no mundo dos videojogos. Porque o assunto passou, de facto, a ser político, eis que surgem políticos a tentar abordar aquilo que chamam de “apetite crescente” do governo Chinês de “pressionar negócios Americanos para “sufocar a liberdade de expressão”.

A carta, redigida pelos Congressistas Liberais e Conservadores, Ron Wyden, Marco Rubio, Alexandria Ocasio-Cortez, Mike Gallagher e Tom Malinowski, foi dirigida ao CEO da Activision Blizzard, Bobby Kotick. A carta, no entanto, é pública e foi disponibilizada para todos os interessados. Pode ser lida na íntegra (em inglês) aqui.

Resumidamente, os Congressistas insinuam que a empresa está condicionada pelos seus planos na China, inclusive na sua aposta no mercado emergente de eSports nesta região e o investimento da Chinesa Tencent na própria Activision Blizzard. Pelo facto, manifestam preocupação pelo acto da Blizzard ir contra os “direitos de expressão individual de pensamentos e opiniões”, valores que apontam às alegações da própria empresa.

A carta termina com uma recomendação de “ver além do óbvio” e promover valores como “liberdade de expressão e de pensamento”, pedindo também para reconsiderar a posição da empresa no caso do banimento e negação do prémio de Chung “Blitzchung” Ng Wai. Contudo, como já avançámos, pelo menos o prémio até já foi entregue, provavelmente depois desta carta ter sido redigida.

Se a Activision ou a Blizzard vão tomar este apelo em consideração, ficamos para ver. Conforme é dito, os interesses Chineses neste mercado e na própria Activision Blizzard poderão ser demasiado grandes para ignorar a pressão do governo Chinês. Nestes casos, as perdas financeiras podem não justificar atitudes firmes de defesa de valores.

Ainda assim, a longo prazo, esta polémica pode ter efeitos muito negativos na comunidade. A hashtag “#boycottblizzard” já está no top das redes sociais, por exemplo. Se calhar as perdas financeiras poderão ser bem maiores se nada for feito. Veremos.