Konami pede desculpas pelo lançamento tremido de eFootball

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Foi lançado ontem sem grande pompa ou circunstância. Nem mesmo perante uma nova era estratégica a Konami fez questão de dar o devido destaque a eFootball. Depois do lançamento, porém, parece ter ficado bem claro porque é que a produtora lançou o jogo assim.

Qualquer título free-to-play é um esqueleto de algo maior a ser construído a longo prazo. O jogo base é gratuito e depois multiplica-se em inúmeros extras pagos para expandir o conteúdo. Em muitos género, é um negócio lucrativo, um jogo como serviço pode ser suportado por anos, sempre a facturar. Agora, no género da simulação de futebol, este foi o primeiro com este modelo.

Mesmo que nem todos concordem com este modelo, se o jogo em si fosse particularmente bem concebido, talvez ninguém se importasse. Acontece que não foi só um lançamento “light”, também o próprio jogo é algo “light” em vários níveis. Parece que a mudança do Fox Engine para o Unreal Engine não correu assim tão bem, mesmo perante alguns vídeos promissores.

Como sempre, as comunidades fazem-se ouvir das formas mais directas que têm ao seu dispor. Obviamente que é o sistema de meta-análises do Steam o alvo preferencial das suas críticas. Na data deste artigo, o jogo está neste momento classificado como “Extremamente Negativo”, com apenas 9% de análises positivas. Sendo gratuito é de esperar que muita gente o experimente e dê a sua opinião. Mas, nada fazia esperar este resultado abismal. E há ainda alguma dose de “ódio” latente com a Konami que sobreviveu ao triste episódio com Hideo Kojima.

Certamente que as mudanças são sempre dolorosas e não só a perda da franquia PES foi difícil de digerir, como foi, sem dúvida, difícil aceitar esta mudança de estratégia. Mas, os jogadores não se focam apenas no aspecto comercial do jogo. Há imensos relatos de bugs, grafismo pobre, faces e animações estranhas dos jogadores, mecânicas de interacção estranhas, havendo ainda muitos a reclamar de falta de conteúdo.

A situação poderia ser apenas uma ocasião de ventilar frustrações por um jogo que tem um rumo diferente, soa a diferente e até joga algo diferente. Só que a Konami não podia ficar impávida perante tanta crítica e foi obrigada a responder aos inúmeros comentários negativos. Até porque os comentários negativos não se ficaram apenas pelo Steam.

Resumindo, a produtora nipónica está ciente de todas as críticas relacionadas com mecânicas, animações e qualidade geral. Afirma que tudo é “trabalho contínuo” e estão já a preparar uma actualização para este mês de Outubro. Menciona ainda que estão a receber feedback dos utilizadores e garantem desejar satisfazer o máximo de jogadores possível.

Entre alguns poucos elogios pela reacção, estão novos ataques. E a pergunta “porque é lançaram o jogo assim se já pensavam numa actualização” era inevitável. De facto, eFootball parece algo apressado, tendo sido lançado apenas um dia antes do rival FIFA 22, este mantendo o seu tradicional conteúdo e formato comercial e parecendo gozar de outra popularidade logo no seu primeiro dia de lançamento.

Do que nos foi possível testar, parece-nos que eFootball mantém algum do seu ADN de PES, regressando a famosa velocidade e drible fácil. Contudo, de facto, o grafismo não está ao nível do jogo anterior, há animações absolutamente grotescas e a sua magreza de conteúdo não faz grandes favores ao jogo. Talvez fosse mais sensato lançar o jogo mais tarde, mais polido e com mais conteúdo disponível, independentemente de ser pago ou não.