Insólito – Compositor e id Software em guerra pela música de DOOM

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A banda-sonora do compositor Mick Gordon no primeiro DOOM é tida por muitos como genial. Mas, a do segundo jogo… nem por isso. Numa guerra de palavras e trocas de acusações, ninguém assume culpas.

A história “infernal” da banda-sonora de DOOM: Eternal começou depois do lançamento. Apesar de “soar” bem, nos tons “heavy metal” do primeiro jogo, muitos fãs reclamaram da fraca qualidade do álbum de banda-sonora original (BSO) lançada com o jogo, reconhecendo “misturas” e edição mal feitas e outros sinais de alegada “fraca produção”. A autoria foi atribuída a Mick Gordon, mas cedo o compositor tentou descarta-se da responsabilidade pela mesma.

Pouco depois, a história tornou-se ainda mais viral quando o produtor executivo Marty Stratton da id Software escreveu uma carta aberta no Reddit. Neste longo comunicado, Stratton aborda o alegado “desrespeito” pelo trabalho de Mick Gordon, havendo mesmo alegações que este teria sido impedido da sua liberdade criativa com as edições de áudio feitas pelo estúdio.

Stratton defende o designer de áudio da id Software Chad Mossholder e o seu trabalho, assim como o trabalho do próprio compositor, falando de uma série de peripécias que teriam criado com um “acordo” entre as partes, do qual teria resultado numa banda sonora “nivelada” pela vontade do compositor e do designer. Esse resultado, como sabemos, não veio a agradar aos fãs. História longa, resumo curto, Stratton diz que a “culpa” é dos dois lados. Mas, se quiserem ler tudo, estejam à vontade, o link está acima.

Saltemos para este ano, mais precisamente para a semana passada. Gordon demorou, mas lá respondeu com todas as letras, mesmo “todas”. Durante todo este tempo, fãs e curiosos foram atraídos a comentários e trocas de mensagens nas redes sociais que só atiçaram esta pequena luta pelo reconhecimento de uma potencial falha. Estamos só a falar de uma banda-sonora mas parece mesmo ser algo que apaixona muita gente. Só que o artigo de Mick Gordon trouxe todo um novo patamar.

No artigo ainda maior de Mick Gordon publicado no site Medium (que, olhando bem, classifica-se muito bem como “lavagem de roupa suja” em público), o compositor responde em detalhe aos vários pontos assinalados na mensagem de Stratton, adicionando outros detalhes “picantes” ao enredo que, por esta altura, é já uma autêntica “telenovela”. Basicamente, Gordon acusa Stratton de mentir e diz que a sua descrição dos eventos é “injusta”.

Além disto, o compositor acusa o produtor executivo e os advogados da Zenimax (casa-mãe da Bethesda) de oferecerem um “acordo de seis digitos” para Gordon assumir as “culpas” pela fraca performance da banda-sonora em jogo. Pior, alega que ainda lhe é devido o pagamento de metade do valor do seu envolvimento na produção do jogo, além de alegar receber ameaças e assédio depois da história se tornar pública. Os detalhes, novamente, estão no link acima se quiserem perder (ainda) mais tempo com tudo isto.

Por fim, a Bethesda teve de fazer o seu próprio comunicado (via Twitter em baixo). Felizmente, editora é bem mais comedida em palavras mas a mensagem é, mesmo assim, bastante clara. Defende o seu estúdio id Software e os seus funcionários, rejeitando “a distorção da verdade e apresentação selectiva de ‘factos’ incompletos”. A editora ainda se mostra disponível para apresentar “provas documentadas” num “local apropriado” e afirma que ameaças aos seus empregados serão respondidas para proteger “a sua saúde e segurança”. Ok… um pouco exagerado, mas podem haver acções judiciais em resultado destas tricas.

Uma vez mais: estamos a falar só de uma mera banda-sonora, de um jogo que é comprado, não é um produtor essencial. E como jogo até nem foi, de longe, assim tão memorável ou popular como muitos outros que foram lançados antes ou depois. Assim sendo, toda esta história tornada pública, por mais que as partes tenham as suas razões, é francamente caricata. Por mais que os fãs sejam apaixonados pelos seus jogos favoritos e até pela sua música, fazer ameaças à produção porque esta não corresponde às suas expectativas, é francamente insólito.

Toda esta guerra de palavras deixa todos os intervenientes muito mal vistos. Num lado está uma produtora que recusa admitir que falhou num produto artístico, no outro está um artista que recusa “assinar” uma obra alegadamente sua. No meio, estão fãs dementes que ameaçam a integridade física dos dois lados… por causa de faixas de música.