Está de regresso Six Days In Fallujah

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Há 12 anos atrás, foi anunciado um novo jogo que ofendeu muita gente. Six Days In Fallujah foi sumariamente abandonado, sem quaisquer perspectivas de sequer ver a luz do dia. Os tempos são outros e voltou recentemente à produção.

A controvérsia em torno deste jogo tem a ver com o palco real em que se inspira. Ainda na segunda guerra no Iraque, embora a Coligação tivesse decretado vitória no país em 2003, a cidade de Fallujah foi palco de dois violentos confrontos no ano seguinte. Nomeada de primeira e segunda “Batalha de Fallujah”, foi talvez, a campanha mais sangrenta da Coligação contra extremistas em território Iraquiano.

Um dos efeitos colaterais mais significativos, foram as muitas vítimas civis, além de inúmeras acusações de violação de direitos humanos. As repercussões políticas destas duas batalhas foram tão polémicas, que contribuíram bastante para a decisão de retirar as tropas do Iraque anos mais tarde (e consequente vazio militar que resultou no nascimento de grupos radicais… mas isso é outra história).

Ora, criar um jogo em 2009, apenas dois anos depois do último reforço de tropas Americanas e quando o presidente Barack Obama se debatia para remover as tropas do território, levantou demasiado “frissom” em volta do jogo. A então editora Konami retirou-se do projecto e a equipa de produção acabou por abandonar o projecto, levando a crer que tinha sido mesmo cancelado e fechado em alguma gaveta.

Este ano de 2021 dá alguma margem de distância deste conflito. Entretanto, já tivemos jogos, se calhar, mais violentos e igualmente controversos, alguns também inspirados em eventos reais e com a mesma conotação negativa. Não fazemos futurologia, pelo que não sabemos se será mesmo a melhor altura. No entanto, a nova equipa de produção parece bastante empenhada.

Six Days In Fallujah foi reavivado pela Highwire Games (Golem) e será publicado pela editora Victura (do mesmo fundador da editora original deste jogo Atomic Games). Na verdade, apesar do título e premissa idênticos (a “Segunda Batalha de Fallujah” de Dezembro de 2004), este parecer ser um novo jogo por inteiro. Além das óbvias melhores capacidades técnicas do actual hardware para criação de jogos deste calibre, a equipa de produção conta com alguns veteranos de outras séries de combate como Halo e Destiny.

O que é mais surpreendente é que o jogo já está em produção há uns três anos, usando os testemunhos, documentos, vídeos e fotografias de mais de 100 fuzileiros, soldados e civis Iraquianos que viveram na pele este conflito. Por mais que seja um jogo no seu rigor, se a produção souber fazer bem o que pretende, poderá também ser um precioso retrato interactivo de um conflito que não convém esquecer. Nem que seja pelos piores motivos.