A polémica das microtransacções de Diablo Immortal

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Não censuramos ninguém se Diablo Immortal vos passou ao lado. Não só foi um projecto pejado de críticas negativas desde o seu anúncio, como acabou por não corresponder às expectativas. E ainda irritou fãs.

Então, o que há de errado com o jogo? Não é bem o seu foco nos dispositivos mobile, uma vez que já se fizeram bons jogos nessa plataforma. Nem sequer é a jogabilidade em si, que até foi bem recebida de um modo geral. O jogo pode não ser graficamente memorável, mas tem o seu charme, desenhado para o hardware mais modesto. O seu problema está na forma como é monetizado.

Embora a Blizzard não indique que seja necessário, os jogadores perceberam bem cedo que, se quisessem progredir de uma forma mais aceitável e menos morosa no jogo, angariariando o melhor loot, teriam de desembolsar nas microtransacções. Numa análise superficial, parece que estas compras com dinheiro real apenas adquirem itens cosméticos, mas não é bem assim.

O “grind” em jogo para progredir personagens pode ser “agilizado” pela vossa carteira. Como o melhor loot é adquirido nos rifts, alguns Crests comprados com Eternal Orbs (compradas com dinheiro real) permitem obter melhores recompensas nestes rifts. Alguns permitem “melhorar as hipóteses”, outros garantem mesmo itens raros e poderosos. Tudo depende da quantidade de dinheiro que estão dispostos a gastar.

Esta situação despertou mesmo a atenção das autoridades Belgas e Holandesas, onde o jogo sofreu um adiamento no lançamento para averiguar se quebra as leis locais. Embora os rifts não sejam literais caixas de loot, estas microtransacções por “chances” ou “garantias” de loot podem à mesma ser consideradas formas de “gambling“, actividade ilegal em videojogos nestes países.

E não é só este pormenor da progressão que está a ser alvo de críticas. Há também críticas à forma como se podem comprar outros itens de bónus nos leilões da Auction House (que está de volta), também usando dinheiro real. Também é possível melhores estatísticas e efeitos de equipamento lendário por fazer um re-roll das mesmas, usando Eternal Orbs (compradas com dinheiro real) formando Reforge Stones para esse efeito. Há também outros talismãs para melhorar as recompensas gerais.

No fundo, os jogadores estão apreensivos que seja possível desembolsar (muito) dinheiro real para obter melhor loot e, assim, fomentar o infame “pay-to-win”. É possível, de facto, jogar este título “Free to Play” sem gastar um cêntimo, notem. Mas, o “grind” será moroso se comparado com outro jogador que simplesmente investe nas microtransacções e tem de jogar muito menos horas para chegar aos melhores níveis.

Uma semana depois do lançamento, os jogadores decidiram que já basta. Inúmeras mensagens de crítica surgiram nos fóruns e redes socias, com especial destaque para o subreddit oficial do jogo. Também o site Metacritic tem uma avaliação medíocre dada pelos utilizadores. Segundo a maioria, por mais que a Blizzard tenha dito que as microtransacções são opcionais, há um constante “empurrão” para as mesmas, já que quase tudo pode ser comprado com dinheiro real, fazendo do “grind” algo irrelevante.

Há mesmo quem compare o jogo a outros títulos mobile de jogos de Casino, em que tudo parece grátis mas o melhor está reservado a quem paga para jogar. Por outro lado, há quem critique as microtransacções em si, dizendo que, mesmo comprando os Crests e outros bónus, “é melhor jogar na lotaria” porque as probabilidades não parecem melhorar assim tanto.

Era evidente que a Blizzard tinha de encontrar uma forma de monetizar um jogo “free-to-play”, desenhado para mobile e convertido para PC. Nos dias que correm, nenhum jogo deste calibre é realmente gratuito, obrigando a pagar por certas porções do jogo ou mesmo para progredir. Aqui a questão é que a Activision Blizzard não está a passar por um bom momento e tudo o que pareça “dinheiro fácil” faz despoletar a ira dos fãs.