Embora por aqui já tivessem passado produtos das linhas mais avançadas de simulação da Thrustmaster, como os fantásticos pedais TM TPR e os emblemáticos auscultadores T.Flight USAF, hoje vamos falar de algo mais simples. Aproveitando o lançamento de Ace Combat 7: Skies Unknown, o sistema Thrustmaster HOTAS 4/One – Ace Combat 7 Limited Edition é a solução perfeita para quem não quer comprometer a acção.

Leiam aqui a nossa análise ao jogo Ace Combat 7

Tal como no mundo dos jogos de combate aéreo há um nível distinto de realismo, entre os simuladores como o DCS World e o já mencionado Ace Combat 7, também os periféricos de controlo possuem níveis de realismo diferentes, consoante o seu uso. A Thrustmaster já tinha introduzido no passado um modelo que serve de base para este sistema que analisamos hoje, o TM HOTAS X. Na altura, este outro conjunto desenhado para a PS3 e PC, demonstrou ser uma solução simples mas, nem por isso, menos robusta num orçamento mais limitado. Esta reedição do HOTAS 4 para PlayStation 4 e HOTAS One para Xbox One, também funcionam no PC, diferindo apenas nos botões e na sua decoração (consoante a consola). Resta saber como se comporta, sobretudo com o jogo para o qual foi concebido.

Como disse na análise de AC7, o jogo apenas aceita este joystick para controlo. Não é obrigatório que o tenham, notem. Podem perfeitamente jogar com os comandos das consolas, ou com o teclado e rato no PC. Contudo, a experiência não será jamais igual a terem um periférico dedicado para o efeito. Em primeiro lugar, quem se habitua a voar com manche ou joystick, por mais que este jogo seja de arcada, dificilmente vai conseguir habituar-se a um mero gamepad ou aos falíveis controlos de teclado e rato. Alguns jogos funcionam muito bem com esta lógica, como os controlos de “point’n’click” de WarThunder por exemplo. Outros, nem por isso. E já que este joystick foi criado para Ace Combat 7, nada como usá-lo nesse título para testar as suas capacidades.

Tal como o HOTAS X, o HOTAS 4/One é um sistema de joystick com throttle incorporado, numa plataforma que pode ser separada (unida com um cabo fixo) ou acoplada em conjunto. A primeira opção é a ideal para quem quer replicar os controlos num cockpit de uma avião de caça, a segunda opção é apropriada para quem não tem espaço ou quer algo simplificado. A junção dos dois módulos é feita com um encaixe e dois parafusos tipo Allen (chave incluída) na parte inferior. O cabo que une os dois módulos pode depois ser enrolado numa calha embutida. Montado, fica uma unidade robusta que ninguém dirá que é composta por dois módulos.

As versões 4 e One, como já disse, diferem na decoração, a versão PS4 com tons de azul e a versão One com tons brancos. Contudo, há também diferenças na designação e função dos botões, cada uma a replicar um Dualshock 4 ou um Xbox Gamepad, respectivamente. No caso do HOTAS One, temos até o famoso botão Xbox que replica o centro do gamepad oficial. De resto, possuem as mesmas funções e eixos, além do importante comutador entre consola e PC que nos permitiu jogar AC7 no nosso computador. O design é praticamente o mesmo do HOTAS X que, na altura, possuía uma decoração vermelha que o distingue agora destas duas novas edições.

Notem que podem adquirir estes dois conjuntos nas suas versões base, ou nas versões Ace Combat 7 Limited Edition. Trata-se apenas de uma edição limitada, que coloca o logótipo do jogo na lateral da base. Ao que tudo indica, não parece adicionar nenhuma funcionalidade especial, nem mesmo ao jogo em si, sendo apenas um elemento decorativo. Seja como for, jogar Ace Combat 7 num produto oficial da Bandai Namco e da Sony PlayStation ou da Microsoft Xbox, será sempre uma garantia de total compatibilidade neste jogo em particular.

Para interagir, contem com um joystick de design confortável para a mão direita e uma manete de controlo de potência com zona neutra para a mão esquerda. Lamento, esquerdinos mas, ou tentam actos de magia, ou não vão conseguir usar estes dois manípulos, mesmo que os separem e troquem posição. Isto porque as pegas e os botões, sobretudo na manete da potência, foram desenhados para dextros. Não é realmente um ponto negativo, mas é algo para ter em atenção se procuram algo mais ambidextro ou mesmo indicado para esquerdinos.

O conceito dos HOTAS, uma sigla que significa “Hands On Throttle And Stick”, pressupõe que o piloto possa controlar todas as funções essenciais ao voo e ao combate sem tirar as mãos dos dois controlos (manche e quadrante de potência). Este conceito pressupõe que tenhamos dezenas de botões disponíveis para as mais diversas funções. Infelizmente, o HOTAS 4/One não é o joystick com mais botões disponíveis no mercado. 14 botões, um gatilho e um switch multi-posição (Hat Switch) são o suficiente para Ace Combat 7, mas poderá não satisfazer as necessidades mais exigentes dos simuladores mais avançados.

Contudo, no caso dos eixos, há claras vantagens neste conjunto. Apesar de parecer que apenas tem três eixos (Pitch e Roll no Joystick e Throttle na manete de potência), tem também, não um, mas dois eixos para o leme vertical (ou Rudder). Um destes eixos está no joystick, na rotação do mesmo (o chamado “twist”), o outro está na frente da manete da potência, num largo switch com pivot. Parecendo que não, esta opção na manete de potência é genial. Não só substitui os pedais para quem não está habituado ou não tem espaço, como oferece um controlo de precisão tremendo. Outros joysticks da TM (como o T16000M FCS HOTAS) já oferecem esta opção e é muito bem vinda.

(Notem que, caso não queira usar o twist ou switch na manete, podem sempre ligar os pedais T.Flight Rudder Pedals, recorrendo à tomada RJ45 embutida na base do joystick).

Algo que salta à vista nos primeiros instantes é a sua óbvia simplicidade. Dado o seu PVP relativamente baixo para um conjunto HOTAS (cerca de 80€), porém, não esperem grandes pormenores de qualidade nos materiais usados ou componentes usados. O plástico é competente, diria, com um acabamento que parece suficientemente robusto, mas nada resistente a impactos maiores ou desgaste de uso contínuo. Contudo, é de notar que a montagem é assente em múltiplos reforços, sendo mais notório na base do joystick, com um robusto anel aparafusado. Dificilmente este joystick irá partir por ali.

No interior contam com potenciómetros analógicos, como seria de esperar. Em linhas mais altas, a TM usa sensores com Hal Effect (magnéticos), muito mais duráveis e precisos. Aqui, como imaginam, não era possível manter este preço com essa tecnologia. Até porque as consolas dificilmente tirariam partido desse tipo de sensores. Ainda assim, usando o software de calibração da Thrustmaster no PC, não detectei quaisquer falhas nos eixos ou nos botões. Se já possuem outros dispositivos com internos analógicos, já sabem o que esperar a longo prazo. Até lá, o HOTAS 4/One parece robusto e eficiente quanto baste.

Traduzindo isto para a jogabilidade de Ace Combat 7, esperem uma operação linear e intuitiva. O jogo irá atribuir automaticamente as teclas e eixos ao joystick, de acordo com a disposição e operação dos comandos DualShock 4 e Xbox One. Não é, de todo, possível alterar esta disposição ou controlar os eixos. Notem que isto não é uma limitação do joystick em si, operando como qualquer outro dispositivo USB do género em outros jogos ou simuladores. É mesmo uma limitação do AC7 que, inclusive, não reconhece outros joysticks, nem mesmo da Thrustmaster. Não consigo propriamente explicar o motivo desta restrição. Será fruto do tal port directo das consolas para o PC, em princípio.

Esta pré-calibração e pré-programação até bem vinda no jogo. Todos os tutoriais e explicações do jogo usam as teclas correspondentes à configuração do comando (Xbox ou PS). Rapidamente aprendemos todas as funções e habituamo-nos aos eixos necessários para o combate. A opção do jogo não ter um cursor nos menus, obriga-nos a navegar por eles com os botões e eixos do joystick, por vezes ignorando alguns comandos, que não são possíveis de replicar no mesmo. Isto não é muito problemático na maioria dos casos, podendo usar um comando da consola ou o teclado e rato no PC como complemento.

Em combate, diria que a experiência é mista. Os eixos funcionam todos como o esperado mas, como o modelo de voo em jogo é muito simplista, nunca terão a sensação de um verdadeiro simulador de voo. Por outro lado, os eixos parecem todos demasiado reactivos. Não sendo possível optimizá-los em jogo, torna o voo algo sintético. Uma vez mais, o HOTAS 4/One não é o culpado. As molas internas são algo “suaves”, assim com o atrito da potência (ajustável por baixo) tem de ser colocado quase no máximo. Contudo, o jogo bem que podia deixar-nos alterar sensibilidades e zonas neutras para optimizar a performance.

Outra questão que poderá causar algum transtorno, porém, é mesmo culpa do design do sistema. Nada a apontar ao joystick em si, um bom design volumoso que assenta na maioria das mãos. Não é ajustável, mas não me parece que alguém reclame do seu desenho. Agora, o mesmo não posso dizer do quadrante de potência. Tentei usá-lo tanto acoplado ao joystick, como em separado, em várias posições e ângulos. O problema não está na manete em si, embora não goste do sistema de pivot que usa, tão diferente do mais interessante sistema de carril do TM T-16000M FCS HOTAS.

A grande questão é a disposição dos botões. Existem quatro virados para nós e dois virados para a parte posterior. Idealmente, usaríamos os quatro de cá com o polegar e os de lá com o indicador. Contudo, não é nada ergonónico, sobretudo o botão inferior do polegar (Y na Xbox e Triângulo na PS4) que nos obriga a uma “ginástica” desnecessária com o polegar. No caso dos botões frontais a questão é outra. Para carregar no mais pequeno inferior, correm o risco de carregar no maior inadvertidamente. A solução é levantar um pouco a mão, o que vai contra o já explicado conceito dos HOTAS. Enfim, uma falha de design, mas também é algo que nos habituamos com o uso.

Veredicto

De um modo geral, o Thrustmaster HOTAS 4/One – Ace Combat 7 Limited Edition vai interessar a todos os que queiram um compromisso de preço e qualidade, sem procurar algo mais “realista” ou mais dedicado. É a solução ideal para usar nas consolas PlayStation 4 e Xbox One nos poucos simuladores que peçam controlos mais dedicados. No caso do jogo Ace Combat 7, alvo desta edição propriamente, a sua integração directa é bem vinda, mas seria bom podermos ajustar os controlos no periférico ao nosso gosto. A interacção é, ainda assim, positiva, respondendo bem à exigência dos combates aéreos mais intensos. Algumas opções de design e construção podiam ser melhores, sem dúvida. Mas, aí, a Thrustmaster tem outros argumentos em produtos bem mais evoluídos e… com outros orçamentos.