Com a aquisição da marca THX, seria uma questão de tempo até a Razer introduzir esta tecnologia de som nos seus auscultadores. O modelo mais recente da já conhecida linha Razer Kraken, que vamos analisar agora, é o primeiro a incluir esta tecnologia.

Este modelo de auscultadores da Razer, tem estado por aí há já algum tempo, sofrendo pequenas alterações estéticas de design. Contudo, este novo modelo pretende elevar a fasquia, graças à introdução da recentemente desenvolvida tecnologia THX Spatial Audio. Esta novidade pretende abordar o som espacial, no que vulgarmente chamamos de Surround, para uma melhor percepção do que nos rodeia no mundo virtual. Vamos ver se estes Razer Kraken Tournament Edition estão de facto prontos para a competição.

Já passaram dois anos desde que analisamos o último modelo da linha Kraken. E, pelo menos visualmente, pouco mudou. Não que esta percepção seja negativa, é uma questão de gostos, obviamente. Mesmo assim, por esta altura, gostávamos de ver algumas mudanças de materiais ou de elementos usados. Afinal de contas, a Razer já lançou auscultadores com design mais estético. O tamanho exagerado dos Kraken faz com que não sejam muito práticos fora de um contexto de gaming. E mesmo nesse âmbito, são os maiores auscultadores que já usámos, dando-nos aquele aspecto de Princesa Leia. Já para não falar do peso que podem provocar ao fim de algum tempo.

Isso não quer dizer que sejam propriamente desconfortáveis quando chega a hora de os colocar na cabeça. A ergonomia mantém-se aceitável, encostando bem à cabeça. Se forem usados por curtos períodos, são confortáveis. Ao fim de umas horas, porém, os seus 240g fazem-se sentir, obrigando a alguns ajustes. No topo, a estrutura da banda da cabeça é feita de alumínio, o que oferece mais durabilidade que os plásticos usados no passado. Isto também oferece uma maior rigidez nessa área tão sensível. O que me deixar algumas dúvidas se o revestimento com uma almofada é suficiente ao fim de um tempo.

Em relação aos chamados earcups, possuem um gel no interior das almofadas que ajuda a formar à nossa cabeça e também ajudam a reduzir o calor emanado. Também o tecido à sua volta ajuda a evaporizar o suor, a pensar naqueles momentos mais tensos. Durante os meus testes, não estávamos ainda com temperaturas tropicais, para dizer se chegam. Contudo, comparando com outros modelos de auscultadores, os Kraken pareceram-me sempre adequados, não aquecendo em demasia. Vejamos se as temperaturas mais elevadas no Verão ajudam, porque os nossos Kraken clássicos foram colocados de lado no ano passado por essa altura.

Outro pormenor que dou muita importância é o conforto para quem usa óculos. Neste caso, as almofadas têm um pequeno corte no seu interior que permite o encaixe perfeito com as hastes dos meus óculos. Dado que muitos jogadores usam óculos graduados (ou só para o estilo, claro), a Razer não deixou este pormenor ao acaso. Obviamente, não é um pormenor importante para os demais jogadores mas todos damos importância à acessibilidade em jogo. E, o mais provável, é que tantas horas a jogar, acabem como eu de óculos. Já sabem que o Kraken TE tem esta característica.

Avançando para a performance em si, quero já deixar claro que o microfone não tem a qualidade desejada. Deixou-me francamente desapontado que assim seja, mas esta tem sido uma tendência não só da Razer, mas também de outras marcas. O microfone aparece muitas vezes como “o parente pobre” dos auscultadores para gaming. Não sei bem explicar o problema, mas a qualidade da captação não é cristalina e ouve-se muito ruído nos diálogos online. Ajustei volume, resposta e boost, mas nunca consegui captar um som aceitável. Como já é habito, o micro está posicionado no lado esquerdo, é retráctil e maleável para poderem posicionar de acordo com o vosso gosto.

Felizmente, no que toca ao som em jogo, preparem-se para qualquer coisa de especial. Apesar de ser possível utilizar este modelo com a típica ligação “jack” 3.5mm, está incluído um controlador de áudio para USB, que é responsável pela tecnologia THX Spatial Audio. E fiquei impressionado pela sua qualidade. Em Battlefield V, por exemplo, coloquei-me no meio do campo de batalha e conseguia perceber a origem todos os sons: tiros, bombas, passos, todos perfeitamente distinguíveis. Numa excelente demonstração de Surround tridimensional impressionante e que poderá fazer a diferença em muitas situações.

A carta que acompanha todos os produtos da Razer, “assinada” pelo próprio CEO da marca, tem uma frase que me deixou curioso: “Som é tão importante como a visão no calor da batalha“. E agora percebo o porquê desta afirmação. Em jogos mais competitivos como os já mencionados Apex Legends ou Battlefield V, permitiu-me perceber que a imersão só fica mesmo completa com o áudio competente. Isto será ainda mais relevante em ambiente de realidade virtual, onde consigo ver estes auscultadores a brilhar.

Isto, obviamente, em jogos mais recentes. Nota-se uma diferença clara na qualidade sonora em alguns jogos menos recentes. Segundo me é dado a entender, a Razer parece estar a apostar em jogos mais recentes, como Apex Legends e outros títulos do momento. Outros jogos mais antigos não oferecem a melhor experiência. O surround está lá, mas não há grande percepção da origem dos efeitos sonoros e tudo parece francamente mais “simplista”. Suspeito que esta questão seja relacionada com a integração da tecnologia de áudio 3D, algo que só os jogos mais recentes possuem suporte.

Mesmo que estes sejam auscultadores dedicados ao gaming, a ouvir música e a assistir a filmes também apreciei a qualidade geral. Graças ao apuramento das colunas internas, este tipo de auscultadores que dão prioridade aos tons mais graves, especialmente presentes nas músicas mais batidas ou nas cenas de maior acção dos filmes. O que me impressionou bastante, foi o equilíbrio entre os tons mais agudos e graves, que permite usar este Kraken em qualquer situação. Se desejarem um Bass mais presente, não se preocupem, existe um controlador para ajustar estes níveis.

Este é um controlador desenvolvido pela THX que contém os ajustes de volume, ligar ou desligar o microfone e dois selectores rotativos para controlar os graves e o equilíbrio do som entre o jogo e o chat, algo que outras marcas já tinham mas só agora a Razer implementa nos seus auscultadores. Na parte inferior deste controlo, tem uma película com cola que permite colocar em qualquer lado. Achei óptimo para colar na parte inferior na secretária, por exemplo. O melhor de tudo, é que esta película permite colar e descolar diversas vezes, sem deixar resíduos. Quer dizer… pelo menos até agora.

Como todos os dispositivos mais recentes da Razer, estes auscultadores estão prontos para trabalhar com o mais recente Synapse 3.0. Nesta nova versão do software proprietário da Razer, é possível calibrar a funcionalidade da tecnologia THX, permitindo mesmo ligar ou desligar determinadas aplicações e criar diferentes perfis automáticos para jogos, filmes ou outros programas. Infelizmente, como muitos já devem ter-se apercebido, se possuem hardware mais antigo da Razer, terão de conviver com dois Synapses (2.0 e 3.0), até que a Razer faça alguma convergência no futuro. É só o ponto menos positivo no universo Razer. Nada que afecte propriamente estes auscultadores.

Veredicto

Estes novos Razer Kraken Tournament Edition surpreenderam-me bastante. Gostava apenas que a Razer revisse o seu design, mantendo o que eu considero um tamanho algo exagerado. A ergonomia depende muito das horas em que os utilizem, é confortável quanto baste, mas ao fim de um tempo, como em todos os Kraken, é preciso uma pausa do seu peso. Também o microfone não mereceu grande atenção da Razer, sendo algo fraco, dado o avanço técnico pretendido. Em compensação, a tecnologia THX, de facto, melhora a experiência surround em jogos modernos e, em alguns casos, acredito que irá melhorar a vossa prestação. Noutros jogos mais antigos, não compromete, mas não é nada que já não tenham visto ouvido por aí. Ainda assim, serão dos melhores auscultadores de gaming que poderão comprar na marca das cobras.