A era dos periféricos com cabo está mais próxima de ser superada. Este Razer Basilisk Ultimate é mais uma prova que os periféricos wireless, que dantes geravam alguma incerteza, estão cada vez melhores e estão cá para ficar. Talvez seja desta que a Razer vos convence a prescindir do cabo.

Não é nenhuma surpresa que a Razer ofereça uma solução wireless para esta família Basilisk. Está é uma linha de produtos que nasceu especialmente para os First Person Shooters mas que também é adequada para os outros géneros. Já antes a Razer tinha dado uma nova vida a este modelo, estreando o Razer Basilisk V2 que empresta a este modelo a tecnologia HyperSpeed, o design ergonómico e o sensor óptico Razer Focus+ capaz de 20.000 DPI. A grande diferença para o V2, claro, é a possibilidade de o usar sem cabo.

O Basilisk Ultimate pode considerar-se uma evolução lógica de todo o design do já conhecido (e adorado) Razer Basilisk. Algumas partes até são comuns, para além do nome e de uma forma que até se pode assemelhar a um outro rato da Logitech… No entanto, não se deixam enganar pela aparência. A substância é muito diferente e este rato não deve ser considerado como um mero clone de um produto de outra marca. Deve ser visto como um rival digno.

Esteticamente, o Razer Basilisk Ultimate é elegante, tanto na forma tanto na sua cor. Tem um corte mais decisivo que o modelo original, com linhas bem mais definidas como já tínhamos visto no V2. Para dar um estilo ainda mais refinado, encontramos um acabamento em preto fosco, interrompido por uma linha de plástico brilhante e por duas séries de LEDs laterais na zona dos botões. Também possui já habitual iluminação na roda de scroll e o logótipo da Razer no dorso.

Como o seu antecessor com cabo, possui onze teclas programáveis, com destaque para dois botões laterais com uma posição fácil e confortável de alcançar. No topo, temos os botões dedicados ao ajuste de DPI. Como já acontecia no modelo anterior, apresenta uma patilha na lateral que permite mudar de forma imediata o número de DPI selecionado por nós, normalmente é chamado como o “Sniper button“. Recordamos que que o periférico não sai da embalagem com a patilha equipada por defeito, sendo a sua instalação inteiramente opcional.

Outro recurso interessante e que faz aqui o seu regresso é a possibilidade de alterar a fricção da roda de scroll, graças a um pequeno selector na parte inferior do rato. Os botões principais usam os tais já conhecidos interruptores ópticos que, de acordo com o fabricante, não só possuem mais tempo de vida, como têm uma velocidade de actuação três vezes maior. Pessoalmente, senti uma resposta excelente, muito satisfatória no que diz respeito ao tempo de resposta em jogos.

Falemos dessa sua performance. Já falámos das respostas dos botões ópticos, especialmente na tal análise do Basilisk V2. Vamos falar apenas do sistema de ligação wireless, o Razer HyperSpeed que, de acordo com a Razer, deve fornecer velocidade quase tão rápida como via cabo. Embora não possamos garantir com certeza o que é indicado pela empresa através de um teste objetivo, na realidade ainda podemos dizer que ficamos agradavelmente satisfeitos com o uso do aparelho, que sempre manteve níveis elevados e respostas constantes.

A única excepção desta performance exemplar que notei é no uso com bateria semi-descarregada. Neste ponto, o periférico não parece responder da mesma forma, notando-se alguns atrasos na resposta do movimento e mesmo dos cliques. Obviamente, não é neste modo com a bateria tão em baixo que quererão operar o rato. Tenho de admitir que foi um teste extremo que dificilmente a maioria dos jogadores irá experimentar. Isto, porque a carga da bateria está bem sinalizada, tanto no rato, como na própria doca (já explico). Neste caso, podemos sempre ligar o cabo USB directo para evitar esta degradação de sinal.

Um pormenor que gostei bastante nesta nova vida da família Basilisk, é o sensor óptico Focus+. Tem, entre outras capacidades, a habilidade de se auto-calibrar em diferentes superfícies, melhorando assim a detecção do movimento. Com este recurso, portanto, o rato está sempre alinhado à superfície, garantindo respostas ágeis e precisas. Podemos sempre optar pela calibração manual, configurando o tapete de rato usado e calibrando nós mesmo a área em uso através do incontornável e robusto software Razer Synapse.

Graças ao Synapse, também podemos gerir a cores e efeitos do Razer Chroma, além de programar opcionalmente algumas macros para cada tecla. Também neste software podemos gerir 5 perfis de precisão, de 100 DPI a 20.000 DPI, alternando facilmente com a ajuda dos botões na parte superior. A taxa de polling pode também ser definida para a frequência de 125, 500 ou 1000 Hz. Para além disso, devemos destacar que o Basilisk Ultimate utiliza uma tecnologia de frequência adaptativa para o seu Wi-Fi, que analisa todas as frequências disponíveis a cada milissegundo, de forma a garantir sempre a melhor ligação ao dongle, sem perda de sinal.

De resto, quase nada é verdadeiramente original se tivermos o anterior Basilisk V2 em consideração. Temos a mesma borracha lateral com uma textura pronunciada. Também temos as plataformas em PTFE branco, material que permite um melhor deslocação do rato em todos os tipos de tapetes. Contudo, é mesmo na parte inferior que começam as diferenças. Aqui temos o compartimento para conter o dongle USB, responsável pela ligação e é onde também temos os encaixes e ligações para doca de carregamento da bateria.

Falando mesmo dessa doca de carregamento, serve logicamente para carregar a bateria interna do rato. Contudo, também tem outras funções. Também pode conter o próprio dongle de forma a permitir a ligação do rato ao PC, no fundo, como a maioria das docas de wireless para teclado ou rato funcionam. A outra função é ter a tal iluminação RGB já mencionei que serve de indicador do estado da bateria, verde se o rato estiver carregado, amarelo se a bateria chegar abaixo de metade e vermelho se estiver quase vazio. Alternativamente, também podemos configurar esta cor ou efeito via software.

Antes de encerrar temos uma breve menção à bateria. A Razer afirma que o seu periférico, com luzes apagadas, pode durar no máximo 100 horas. Não testamos o rato nessas precisas condições, mas com um uso diário de cerca de 8/10 horas por dia, com as luzes ajustadas em níveis baixos, o rato foi capaz de trabalhar em plena capacidade por mais de três dias. Ao usar o rato com as luzes totalmente no máximo, durante o mesmo tempo por dia, desligou-se após dois dias de uso. Para recarregar, basta colocá-lo na doca ou ligar o já mencionado cabo USB directamente ao rato, mantendo todas as suas funções caso seja preciso usá-lo enquanto carrega.

Ao longo dos anos em que o wireless tem sido inserido em várias linhas de teclado e rato, os gamers têm fugido desta tecnologia, não só por causa destas questões de autonomia das baterias, mas também por causa das cadências altas e perdas de sinal. O que fica bem claro nesta análise, especialmente porque analisámos anteriormente o Basilisk V2, é que via wireless o rato não compromete os jogadores. Mesmo a questão da bateria baixa é facilmente colmatada com a ligação directa USB, carregando o rato em uso e tudo. Estou convicto que este rato é uma excelente opção para os mais exigentes, aqueles que não aceitam compromissos.

Veredicto

O Razer Basilisk Ultimate é realmente um produto de excelente qualidade, feito com excelentes materiais, sólido, robusto, mas também leve e fácil de manusear. O sensor é rápido e preciso, e o mesmo se aplica para interruptores que respondem com eficácia e prontidão. É certamente um dos melhores ratos wireless do mercado em termos de desempenho… mas é talvez também o mais caro. Com um preço recomendado de cerca de 150€, não é definitivamente tão acessível a todos. Ainda assim, a tecnologia usada é excelente e não há notas negativas em particular. Pode ser que seja desta que deixam o cabo de lado… até precisar de carregar a bateria, claro…