Finalmente… A Sony dá o seu passo de gigante para a próxima geração de consolas com a sua PlayStation 5. Esta é uma consola de “mais e melhor”. É mais veloz, mais capaz, mais exuberante… e também é a maior PlayStation jamais lançada. No entanto, é mais que apenas um novo modelo, é um salto qualitativo de enorme escala.

Nisto de falar de novo hardware, gostamos sempre de mencionar números, seja da potência ou das características técnicas. E, de facto, esta nova geração de consolas surge numa altura em que as capacidades técnicas do hardware tiveram evoluções tecnológicas de encher o olho. Por isso, convém que a nova peça de arte, perdão, nova consola que compramos, um investimento assinalável, não comprometa o desempenho. Se nos ficarmos por meras comparações de tabelas, porém, talvez percamos o objectivo. O conceito de uma consola de jogo é que nos dê uma boa solução completa de entretenimento, com a performance necessária e com um preço acessível (quanto-baste, claro). E, sem dúvida, nestes aspectos a marca PlayStation nunca desapontou, nem vai desapontar no próximo dia 19 de Novembro. Deixem-me explicar porquê.

Ao tirar a consola da caixa, o primeiro contacto é de profundo deslumbre. Os gostos não se discutem, pelo que esta “descolagem” do design “tradicional” da marca não irá agradar a todos. Para mim, é um design arrojado, francamente diferente e cheio de carisma. Adorei, sobretudo, os pormenores. As duas tampas brancas laterais, desenhadas com formas livres, assentam perfeitamente no chassis interior preto brilhante. A luz de presença, com o mesmo código de cores da PS4, com luz âmbar em Stand-By, azul a ligar ou desligar e branco quando ligada, é o remate perfeito, rodeando a abertura superior. As grelhas interiores fazem lembrar umas guelras abertas. E o símbolo da PlayStation cravado a preto de lado? Um mimo…

Claro que o que não escapa a atenção de ninguém, é mesmo o seu tamanho. Com estas dimensões generosas (390mm x 104mm x 260mm), tenho a certeza que bate alguns recordes nesta indústria. Sim, há computadores maiores (bem maiores) mas, no que toca a consolas, temos uma possível recordista, pelo menos se a colocarmos em pé (é possível montar a base de lado e deitá-la). A versão digital é igualmente alta, sendo apenas um pouco mais estreita por causa da ausência do leitor de BluRay 4K. Com 4.5Kg (3.9Kg na versão Digital), até nem é assim tão pesada, felizmente. Consta que a Sony terá ponderado fazer a consola ainda maior. Não sabemos o que o futuro reserva mas, se isto continua assim, poderão ter de pensar numa nova mesa.

Repito, este design poderá não agradar a todos. A nova aposta em branco, por exemplo, vai um pouco contra a “tendência” dos equipamentos electrónicos de lazer, quase sempre em preto ou, no caso das televisões, com cromados ou outras opções igualmente discretas. Isto faz com que a PlayStation 5 se destaque de qualquer outro aparelho na sala, obviamente. Contudo, considerando o passado recente da marca, o design das consolas da Sony foi sempre algo que nunca reuniu consenso. Estamos longe do tempo das PS3 “barrigudas”, felizmente. E, deixem que vos diga… ao fim de umas horas lá em casa, passarão a apreciar mais o seu design. É um bom exemplo de algo desenhado com elegância associada à funcionalidade.

Como forma de ligar a consola, gostarão de saber que esta possui três entradas USB-A, duas Super-Speed a 10Gbps atrás e uma Hi-Speed na frente, além de uma USB-C Super- Speed também na frente. São tomadas óptimas para ligar unidades de armazenamento externas e outros dispositivos que exijam velocidade. A saída de vídeo é HDMI que suporta até 4K 120Hz ou 8K (via HDMI ver.2.1). Atrás também terão a vulgar tomada RJ45 para rede, embora a consola já suporte Wireless, como não podia deixar de ser. Os comandos ligam-se via Bluetooth 5.1 e o áudio… bom, ligam com a tomada Jack 3.5mm do DualSense… Sim, a nova PS5 não tem a famosa saída de áudio digital via fibra-óptica.

Sim, é uma perda para quem tem auscultadores ou sistemas de som de fibra-óptica. Para muitos, este formato será sempre o mais desejável para obter o melhor som possível, mesmo sabendo que muitos auscultadores suportam outros protocolos de qualidade via USB. Contudo, a Sony justificará esta omissão com uma novidade na nova consola. A inclusão da tecnologia de Áudio 3D “Tempest” da Audiotech. Isto possibilita que virtualmente qualquer auscultador emule som 3D de elevada qualidade. Infelizmente, este sistema ainda só é compatível com auscultadores, mas estou certo que será expandido a outros sistemas de som num futuro próximo.

Em companhia desta consola, também se estreia um novo comando. E que comando, digo-vos desde já! Já vou falar da sua performance, mas aproveito para falar do seu aspecto. Acompanhado o código de cores da consola, também o novo comando DualSense apresenta os dois tons. O design é francamente semelhante ao do fantástico e premiado DualShock mas notam-se pequenas alterações subtis no design. O touchpad tem um formato diferente e uma suave luz lateral de funcionamento e outra de presença. A principal diferença está nos botões monocromáticos, os dois novos botões de “create” e “options”, o botão PlayStation é agora um símbolo em relevo e… sim, agora temos um microfone embutido, com um botão de mute e tudo.

Um design tão arrojado, precisa de “miolo” a condizer. Vamos ao que interessa! A nova PlayStation 5 aproveita bem os avanços técnicos do hardware moderno, trazendo-nos uma nova arquitectura de processadores para debitar os seus respeitáveis 10.3 TFLOPS. Para isso, tem lá dentro um processador AMD Ryzen Zen 2 com oito núcleos, com uma frequência variável de 3.5 GHz. O GPU é personalizado, baseado na arquitectura RDNA 2 e funciona a 2.23 GHz. Quanto à memória, tem 16GB de RAM GDDR6. Mas, conforme já devem ter lido por aí tantas vezes, onde a consola faz bastante diferença é na velocidade da drive SSD M.2, capaz de uns impressionante 5.5GB por segundo. Em traços gerais, esta consola é potente, sim, mas é sobretudo incrivelmente veloz.

Isto nota-se particularmente no arranque e carregamento dos jogos. A melhor comparação é com os jogos PlayStation 4 compatíveis na nova consola. Bastou-me carregar alguns títulos na anterior PS4 Pro e logo a seguir na nova PS5 para ver uma diferença notável na velocidade. É certo que muitos jogos PS4 ainda terão de ser optimizados para a nova consola mas é já impressionante a rapidez geral. Jogos com ecrã de carregamento, são quase duas vezes mais rápidos. Um exemplo foi o emblemático Marvel’s: Spider-Man. Aquelas cenas em que entramos em edifícios e há um breve carregamento, agora é quase instantâneo. E há mais exemplos deste género.

Tive a oportunidade de testar uma série de jogos, entre optimizações da PlayStation 4 e novos títulos dedicados à nova consola. Sobre eles, terei oportunidade de ir falando nos próximos dias. Mas, não posso deixar de mencionar alguns que me impressionaram. Adorei a Nova Iorque nevada de Spider-Man: Miles Morales, com reflexos a roçar o realismo, graças à tecnologia Ray Tracing. Também gostei das fantásticas plataformas de Sackboy: A Big Aventure e das optimizações que trazem sempre cenas impressionantes em Devil May Cry 5: Special Edition. E mais jogos novos aí virão.

E, sim, mesmo jogos PS4 recentes como Ghost of Tsushima ou The Last of Us: Part II, gozam de uma “nova vida” com o hardware mais potente. Claro que não há milagres. Não esperem boosts técnicos assim tão assinaláveis em todos os jogos PS4. Contudo, todos usufruem da tal rapidez que já mencionei, disso não há qualquer dúvida. Mais que apenas ser retrocompatível com títulos PS4, a PS5 dá-nos uma nova forma de jogá-los. E isso é excelente, especialmente porque alguns jogos chegaram no fim da geração anterior e mereciam uma nova oportunidade.

Mas, sabem qual foi o jogo que mais me impressionou? Até é um título gratuito, incluído em todas as PlayStation 5. Chama-se Astro’s Playroom e também impressionou o Ivo, se bem se recordam. Sim, é uma espécie de “showcase”, bem ao jeito do “The Playroom” da anterior geração, também esta uma aplicação para mostrar potencialidades da PS4. Se esse outro jogo foi um pouco acessório e “esquecível”, este Astro’s Playroom é absolutamente essencial para quem quiser conhecer o real potencial da consola PS5. Não, não é um “colosso” visual propriamente dito. A jogabilidade é divertida, baseada em plataformas e puzzles, mas não é uma revolução. O que realmente o faz brilhar (e à consola) é o fantástico comando DualSense.

Até vir outro título igualmente abrangente, Astro’s Playroom é a melhor demonstração técnica das capacidades deste novo comando. Não basta dizer que é um comando novo, é uma autêntica revolução no que toca aos comandos de consola. Tudo bem, não é o primeiro a usar feedback háptico, nem é o primeiro com sensores de movimento ou gatilhos adaptativos. Mas, é a conjugação de todas estas tecnologias numa optimização exemplar que torna a experiência realmente fantástica. Notem que não é apenas uma “vibração mais forte” ou “um gatilho mais firme”. É toda uma nova forma de jogar.

Os gatilhos adaptativos podem ficar mais firme consoantes, por exemplo, a arma que usamos. Num tiro de arco, sentimos o dedilhar da corda, numa metralhadora, sentimos o premir do gatilho. A vibração é mesmo bastante dinâmica, variando de intensidade, cadência e frequência reagindo ao que se passa no ecrã. Depois temos a coluna de som embutida e o touchpad a dar-nos mais elementos de interacção, duas características herdadas do DualShock 4. E até mesmo o microfone embutido tem a sua aplicação, por exemplo a fazer ruído num jogo mais furtivo ou a soprar para fazer mexer um moinho de vento. Absolutamente genial como um dispositivo de interacção pode fazer a diferença.

Agora, é preciso é que os jogos usufruam desta tecnologia do DualSense. Por agora, além de Astro’s Playroom, nem todos os jogos tiram partido de todas estas funcionalidades como um todo. Alguns usam bem o feedback háptico na vibração precisa, outros usam bem os gatilhos adaptativos e é claro que alguns títulos usam o touchpad, o sensor de movimento, a nova barra de luz ou o áudio 3D de forma competente. Contudo, só mesmo este já mencionado pequeno jogo gratuito de robots irá verdadeiramente demonstrar o potencial deste dispositivo. Estou mesmo curioso para ver o que os produtores farão para obter todo o potencial desta peça de tecnologia.

Entusiasmei-me a falar do hardware e dos jogos, afinal será o que todos irão procurar nestas novas consolas. Contudo, a PlayStation 5 tem outras estreias e outros destaques a considerar. Enquanto tentam ocupar o espaço interno de 825GB (com capacidade de expansão para outro disco SSD tipo M.2 idêntico), entrarão em contacto com o interface. Confesso que aqui reina a familiaridade, com muitos elementos partilhados da geração PS4, especialmente nos menus de sistema e na lógica de menu principal em “scroll”, o lendário XrossMediaBar. Contudo, há bastantes diferenças a reter.

A primeira é que o menu principal dos jogos é inteiramente dinâmico, permitindo ouvir a banda sonora dos jogos distintamente e apreciar algumas imagens e outros destaques enquanto se consulta o separador desse jogo. Gostei particularmente do menu de troféus, podendo acompanhar o progresso para os obter e até receber dicas com alguns vídeos explicativos. Estes vídeos, aliados aos demais vídeos da comunidade, são uma preciosa ajuda para lidar com aqueles níveis ou secções mais difíceis. Há aqui um potencial enorme de criar uma entre-ajuda. E, descansem, há até um filtro para spoilers, caso não queiram que vos estraguem a história do jogo.

Noutros destaques, também o menu do botão PlayStation foi simplificado para aparecer na parte inferior do ecrã, bem mais discreto e com mais itens personalizáveis. Há agora um novo prático separador entre jogos e outras formas de entretenimento (Netflix, Disney+, etc), tudo muito bem agrupado e bastante fluido. Também a Sony aposta aqui numa consola como uma plataforma de entretenimento, muito além dos jogos. O tal sentimento de “dejá vu” é, de facto, apenas uma óbvia familiaridade inicial, felizmente. Este menu é uma boa evolução na lógica e da velocidade de navegação, comparando com a PS4.

Outra grande melhoria está na PlayStation Store, agora totalmente remodelada em paralelo com a versão online e com a aplicação mobile. Gostei bastante da reorganização geral, arrumando tudo com menus e sub-menus mais intuitivos e rápidos de navegar. Tudo bem, os downloads ainda são algo lentos mas a PS5 compensa agora por descarregar um item de cada vez, ao invés dos três que a PS4 descarregava… ou tentava. A consola até oferece um modo especial para a desligar, que permite que se ligue apenas para descarregar actualizações ou novos jogos, uma espécie de novo modo energético misto.

Com tanto deslumbre, foi difícil encontrar defeitos na nova PS5. Mas, existem. Não serão realmente “defeitos”, propriamente ditos mas, são, sem dúvida elementos menos positivos. Já falei da omissão da saída digital óptica mas vou considerar isso apenas uma omissão e não tanto uma falha. Também não me parece justo falar de algumas questões técnicas esporádicas que notei em alguns jogos, especialmente nos optimizados da última geração, uma vez que serão todos objecto de melhorias constantes nas próximas semanas. Todas estas são questões que, estou certo, estamos todos dispostos a ultrapassar numa nova geração recém-chegada..

Contudo, tenho de mencionar que a PlayStation 5 só permite instalar jogos da PS4 em discos ou unidades externas. Sim, leram bem, não poderão instalar jogos PS5 fora da unidade interna de armazenamento da consola (comprovado pelo site oficial). Esta deverá ser uma restrição temporária, certamente alvo de alguma alteração no futuro. Ainda assim, considerei realmente uma limitação para quem quiser ter mais novos jogos instalados. Resta-nos reservar os jogos PS4 para as unidades externas que, se forem compatíveis com USB 3.1, serão suficientemente rápidas para os títulos clássicos.

Outro pormenor que tenho de considerar negativo é que, no dia de lançamento poderão não ter consola para comprovar o que digo aqui. Conforme a própria SIE anunciou, as unidades disponíveis no mercado no lançamento não serão suficientes para colocá-las nas prateleiras das lojas. A procura pela nova consola é tal, que até algumas pré-encomendas poderão não ser cumpridas nos primeiros dias. Claro que esta situação não é intencional, acredito que a Sony tentou fazer stock de unidades em perspectiva do lançamento por esta altura. Contudo, temos de pensar que, no meio da pandemia, meio mundo parou, especialmente a China onde são produzidas muitas partes da consola. Por outro lado, tanta gente em casa aumenta a procura. O timing, de facto, não é o melhor.

Veredicto

A nova PlayStation 5 tem tudo o que é preciso para nos catapultar para o futuro dos videojogos. Estou mesmo ansioso para ver até onde vai este poderoso hardware, especialmente pela sua velocidade e o seu impressionante comando DualSense. Onde nos vai levar daqui em diante, só o futuro o dirá, mas o presente é risonho. Já temos óptimos jogos, especialmente os impressionantes exclusivos, para demonstrar o potencial inegável da consola. E mais títulos estão a chegar, para dar crédito ao novo hardware. E se, depois de tudo isto, ainda estão a duvidar do design ou das dimensões da consola, acreditem, o que está lá dentro é que interessa.