Entrevista a Ty Taylor, criador de The Bridge

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Para inaugurar a nova secção de jogos Indie, contactámos Ty Taylor, o criador de The Bridge (podem ler a análise aqui) para conhecer melhor o jogo e ele próprio. 

WASD: Olá Ty, antes de mais obrigado por esta oportunidade. Antes de falarmos de The Bridge gostaríamos de te conhecer melhor e como surgiu este gosto pelos jogos, podes falar-nos um pouco sobre ti?
Ty: Desde que me lembro, tenho jogado e desenhado jogos despertando o meu interesse pela programação. Frequentei a Case Western Reserve University (em Ohio) onde tenho o mestrado em Ciência de computação. Actualmente sou engenheiro de software na Microsoft, desenhando jogos independentes no meu tempo livre.

W: Costumas jogar frequentemente?
T: No que toca a vídeo jogos, eu dou por mim 90% a criá-los e 10% a jogá-los. Não há horas suficientes num dia, infelizmente, mas eu tento jogar todo o que parece particularmente interessante.

W: Que consolas possuis?
T: Maior parte das consolas conhecidas.

W: Qual é a tua consola favorita?
T: De longe a Xbox 360.

W: Tens algum jogo favorito?
T: Oh esta pergunta é díficil. O meu género favorito é puzzle/plataformas (como já devem ter percebido). Provavelmente o meu jogo favorito neste momento é o Portal 2, com o Braid muito próximo.

W: Quando começaste a desenvolver jogos?
T: Tenho criado jogos desde que me lembro, criando as minhas variações de jogos de tabuleiro ou a criar o meu estilo de Magic The Gathering. Sempre foi uma paixão minha. Comecei a criar jogo para PC desde o 9º ano de escolaridade, quase 9 anos atrás.

W: Quantos já desenvolvestes?
T: Muitos, mas a maior parte nem saiu ao público. Enquando ia aprendendo a fazer jogo, criei imensos mini-jogos que ninguém jogava a não ser amigos ou família (porque provavelmente ninguém queria). Neste momento tenho 4 jogos no XBLIG (Snake Death, Hypercube Arcade, Petunk, and Case o’ Games), mas estes jogos não tiveram uma dedicação significativa para aparacerem como finalistas da IndieCade. Depois de passar 80 horas por semana durante quase um ano em The Bridge. Eu considero que seja o meu primeiro sucesso.

W: Queres falar um pouco sobre The Bridge?
T: The Bridge é um jogo 2D de puzzles que leva o jogador a reavaliar os seus preconceitos da física e da perspectiva. Manipulando a gravidade para colocar o tecto como o chão e aventurar-se em arquitecturas impossíveis e explorar mundos incrívelmente difíceis. Cada um com um detalhe único e garantindo que o jogador fica com a sensação de sucesso, enquanto imerge na história cativante.
The Bridge exemplifica os jogos como forma de arte, lindamente desenhados à mão no estilo de uma litografia a preto e branco.
Este jogo vai pôr em causa os limites da realidade.

W: Como surgiu a ideia de The Bridge?
T: Muitas pessoas descrevem The Bridge muito semalhante a And Yet It Moves e em retroespectiva até concordo, mas para ser sincero, nunca tinha ouvido falar de AYIM até ao momento que já estava a criar The Bridge.
Queria fazer um jogo com puzzles, parecido a Braid, mas com uma mecânica diferente. Esta habilidade de controlar a gravidade permite uma enorme liberdade em desenhar quebra-cabeças interessantes e pouco depois de começar o protótipo do jogo, ter níveis perceptualmente impossíveis parecia ser a coisa natural a fazer.

W: Porquê M.C. Esher?
T: Escher é de longe o meu artista favorito, Nós baseamos o jogo à volta do estilo de Escher porque o seu estilo único de arte ligou lindamente com o mundo The Bridge. Com a manipulação da gravidade muito semelhante à Relatividade de Escher e com os níveis impossíveis a serem semelhantes ao que podemos ver em Belvedere e The Waterfall. Senti que fosse o mais apropriado colocar o Escher no core da jogabilidade. Se olharem com atenção, no jogo verão referências subtis aos trabalhos de Escher.

W: Trabalhaste sozinho neste jogo?
T: Eu fiz toda a programação e game design o Mario Cataneda fez todo o artwork.

W: Podemos saber a linguagem usada neste jogo?
T: Sem conta com C# e XNA, fiz o jogo de raiz.

W: Usaste algum motor de jogo? Qual?
T: Só o básico XNA Framework.

W: The Bridge já é um finalista do IndieCade, alguma vez pensaste chegar aqui?
T: Eu fiquei surpreendido quando foi seleccionado como finalista. Também foi finalista do DreamBuildPlay, portanto é encantador ver a comunidade Indie a adorar o meu trabalho. Eu certamente coloquei empenho. Foi a minha vida por algum tempo.

W: Qual será o preço de The Bridge?
T: Ainda está por determinar. Estamos em negociações com distribuidores, mas se tivesse que adivinhar, diria 5 dólares, possivelmente 10, mas não sou economista. Portanto acabarei por colocar o preço que os comerciantes recomendarem.

W: Tens ideias para mais algum jogo?
T: Claro, tenho ideias para dezenas de jogos. Eu e o Mario começamos recentemente a trabalhar num novo jogo, mas pretendo manter o conceito em segredo por enquanto, mas se conseguirmos completar, estou confiante que será um finalista no IndieCade para o próximo ano e duvido que tenha sido algo que já viram.

W: As plataformas mobile estão cada vez mais populares, estás a pensar trazer The Bridge para estas plataformas?
T: Uma vez que foi feito com XNA, penso que dará para Windows Phone, em relação aos outros aparelho, eu preciso de fazer um por (ou arranjar alguém que faça) para outra linguagem, portanto talvez.

 

Obrigado pela tua disponibilidade e desejamos o maior sucesso para The Bridge e futuros projectos.
Podem ler a nossa análise a The Bridge, aqui.