Com vários anos de registos impecáveis em vários palcos de guerra, só há um avião que se pode gabar de ser amado tanto por pilotos, como por soldados no terreno. O Fairchild Republic A-10C Thunderbolt II é o avião de ataque ao solo mais famoso do mundo. E o DCS: A10C II Tank Killer é a segunda representação deste avião no DCS World.

Desde o início de vida do DCS World, dois aparelhos têm feito muito para dar a conhecer o simulador e servir de rampa de evolução para futuros módulos. O DCS: Black Shark e o DCS: A-10C Warthog. Este último é, ainda hoje, um dos módulos mais completos para o simulador de combate, merecendo toda a atenção dos entusiastas pela sua profundidade de simulação e sistemas a bordo. É também o avião de cockpit interactivo que mais quantidade e diversidade de armamento carrega. Foi sempre exemplar em missões de Strike, Close Air Support e até em missões de supressão de defesas (nas mãos certas). A pergunta que surge, então, é porque é que este valioso módulo precisa de uma segunda versão? A resposta é simples: modernização da plataforma.

Olhando para o seu histórico, o A-10 foi um avião que sofreu inúmeras melhorias e upgrades ao longo dos anos. A maior das evoluções foi, obviamente, entre o A-10A e o A-10C, com a integração de diversos novidades, onde se destacam um sistema de controlo de armamento digital, dois novos ecrãs multi-funções e um CDU evoluído para navegação e gestão do voo. Contudo, onde poucas modificações teve, foi no seu imponente canhão GAU-8A Avenger com 7 canos rotativos de 30mm. Na verdade, este avião foi construido em volta do seu canhão, colocando um impressionante poder de fogo preciso nas mãos do piloto, que só tinha de o voar e fazer de “artilheiro dos céus”.

Outra grande arma que sempre distinguiu o A-10 foi o AGM-65 Maverick, um míssil Ar-Chão que também já viu imensas evoluções e tecnologias implementadas, além de já ser usado noutros aparelhos. Ao longo da vida do A-10A/C, outras armas foram adicionadas, inclusive mísseis de defesa Ar-Ar, mas também bombas burras e inteligentes, foguetes e munições de fragmentação. Durante as guerras do Golfo, Afeganistão e Balcãs, o “Warthog” efectuou milhares de missões de combate, tanto de alvos pré-definidos como de suporte próximo. A sua agilidade a baixa velocidade, o seu armamento imponente e, mais importante, a elevada taxa de sobrevivência, graças a uma protecção de titânio em volta do cockpit e uma construção “à antiga”, fazem dele um autêntico “tanque dos céus”.

Infelizmente, o A-10C, mesmo na sua versão mais moderna, já tem os seus dias contados. Nos últimos anos, a Força Aérea Americana (a única operadora em todo o mundo), tem vindo a aumentar o desejo de substituir o avião por outra plataforma mais moderna. A idade avançada de algumas células, estendida há uns anos pela substituição de asas em quase toda a frota, a necessidade de modernização e de integração de novas lógicas e a persistência de algumas mentes na necessidade de aeronaves polivalentes, contra aeronaves dedicadas, sem esquecer os cortes orçamentais, são justificações que saltam à conversa sempre que se fala neste venerável avião.

Nos céus virtuais do DCS, porém, o A-10C esteve sempre de boa saúde. A voar desde 2010 como um simulador independente e mais tarde integrado no DCS World (2015), desde cedo levantou a curiosidade dos que procuravam uma simulação realista de um avião de combate moderno. A alegação é que o DCS: A-10C foi usado pela USAF para treinar pilotos reais. Dada a sua profundidade de sistemas, é bem possível que assim fosse. A Thrustmaster chegou mesmo a lançar um conjunto de Joystick + Quadrante de Potência dedicado ao aparelho, o Thrustmaster HOTAS Warthog, ainda hoje um dos melhores sistemas de controlo jamais concebidos para simuladores de voo. O resto é história, como sabem.

Quase 10 anos depois, o DCS: A-10C foi alvo de inúmeras melhorias, não só de operação, como também de sistemas e armamento, culminando neste ano com uma importante modernização das texturas do cockpit, de modo a ser integrado no exigente novo motor gráfico do DCS World 2.5.6. Mas, porque o próprio avião real mudou tanto ao longo da sua vida, algumas modificações estavam ainda em falta. Não ao nível de armamento, porque o avião nem sentia grande falta de novas armas, mais pelos novos sistemas a bordo. Sistemas, esses, que os pilotos virtuais há muito reclamavam. Foi preciso outros módulos modernos no DCS finalmente avançarem na tecnologia, para finalmente o Warthog ter a sua evolução.

Falo, obviamente, dos sistemas de miras no capacete, mais conhecidos por Helmet Mounted Cue Systems ou Helmet Mouted Displays. No A-10C real, o HMCS “Scorpion” desenvolvido pela Thales, é um dos sistemas mais versáteis, tendo já sido integrado em diversos aviões e helicópteros de combate. Basicamente, funciona como um monóculo integrado no capacete do piloto, com um vidro transparente que reflecte informação dedicada de vários sistemas em realidade aumentada. O resultado é uma mira de apontamento rápido, o piloto olha, faz mira, aponta as armas e dispara. De facto, o HMD transformou e simplificou a aquisição de alvos na aviação moderna. E queríamos todos ter isto no DCS: A-10C, claro.

Depois do DCS: F/A-18C Hornet e o DCS: F-16C Viper receberem a devida integração do JHMCS e de outros aviões russos já terem uma sua versão simplificada destas miras de capacete, chegou a vez do A-10C II Tank Killer estrear o “Scorpion”. E que grande adição é esta. O sistema permite, não só ver a integração de waypoints e pontos de marcação, como mirar e bloquear a mira, tudo em realidade aumentada, ao mesmo tempo que dá informações de posição, altitude, velocidade, distâncias e outras informações, tudo sem tirar os olhos do alvo. Obviamente, só surge quando olhamos fora dos limites do cockpit para que não interfira com a leitura dos instrumentos fixos do avião.

Uma vez observado o alvo, usando apenas o sistema HOTAS, podemos facilmente bloquear o alvo, marcá-lo ou até escravizar as armas ao mesmo, prontas a disparar, tudo sem tirar as mãos do joystick e throttle e sem perder o alvo de vista. Anteriormente, isto só era possível fazer com o Targeting Pod, com a limitação do raio de acção e das manobras do próprio avião. Com o Scorpion, deixamos de ter esta limitação, podendo até escravizar o TPOD ao HMCS e observar uma pequena janela com a réplica da imagem e tudo. Só tenho pena que esta imagem seja tão pequena e não se possa integrar na totalidade da mira do HMCS. Contudo, é sem qualquer dúvida, a melhor adição de sempre ao A-10C.

Mas, não é só o HMCS “Scorpion” que é adicionado nesta nova versão do A-10C. Como já disse, não é que o avião precisasse de mais armas, tendo já um vasto leque de armamento disponível para todos os tipos de missão Ar-Chão. Ainda assim, a integração de sistemas de armas a laser é cada vez mais importante, sobretudo para evitar danos colaterais. Assim, o Tank Killer carrega agora uma nova variante de foguetes, o Advanced Precision Kill Weapons System (APKWS), um novo AGM-65L Maverick e a GBU-54 JDAM, todas estas armas inteiramente guiadas a laser. São armas realmente precisas, com os foguetes a laser a tornarem-se realmente práticos para alvos ligeiros (e não só).

Outra novidade que notarão, está no modelo propriamente dito. Começando no cockpit, temos na consola lateral direita a integração do controlo HMCS “Scorpion”, que se posiciona ali, literalmente, onde “cabia”. Na consola central, notarão que foi removido o painel do Target Identification Set, Laser (TISL), um painel que já não estava simulado na versão anterior, substituído pelo mais proficiente TPOD (já devia ter sido removido, portanto). Do lado esquerdo também notarão uma tampa na secção dos rádios. Trata-se da futura localização do novo rádio digital ARC-210, que ainda não está implementado nesta fase.

Cá fora, também há novidades. A principal mudança mais notória, está na remoção do pequeno pod AN/AAS-35 Pave Penny no lado direto da fuselagem, junto ao trem dianteiro. Este sensor obsoleto estava associado ao já mencionado TISL, sendo a sua remoção igualmente lógica, até porque também foi removido dos A-10C modernos, deixando apenas quatro enormes buracos de suporte (tapados) e uma enorme tampa improvisada no seu lugar. Mas, há mais alterações mais subtis no exterior. Tal como o interior que sofreu uma remodelação de texturas, também o exterior mereceu uma melhoria técnica, com diversos novos pormenores de relevos e detalhes, até mesmo com as infames amolgadelas no nariz, resultantes dos impactos das sondas nos reabastecimentos aéreos.

Mas, a Eagle Dynamics não se ficou apenas pelas alterações estéticas ou pela integração de novas armas e sistemas. Também o modelo de voo foi revisto, felizmente. Ao longo dos anos que voei no A-10C sempre senti que o avião era muito intolerante a voar no limite da perda. Com uma asa em formato “T” e concebido para voar em baixas velocidades, porém, era quase uma contradição. Felizmente, a ED ouviu as queixas, até mesmo de pilotos reais e aprimorou a performance do avião. Tem agora muito mais resposta voando “sobre o tom” do avisador, permitindo também manobrar com mais Gs, algo mais dentro das tabelas de performance e limites operacionais. Há agora muito maior estabilidade a baixa velocidade.

Em muitas ocasiões, as comunidades alongam-se a criticar os produtores de jogos e simuladores, sobretudo quando estas tentam cobrar mais por um novo módulo ou add-on. Neste caso, as baterias já estavam apontadas à Eagle Dynamics, uma vez que este módulo seria pago e já se faziam contas ao custo de um novo avião para o DCS World, que em média custam mais ou menos 70€. Numa manobra que só podemos classificar de justíssima, a ED decidiu cobrar apenas 9,99$ Dólares (cerca de 8,50€) pelo módulo para quem já tinha o DCS: A-10C Warthog. O custo do módulo sem este desconto é de 79,99$ Dólares (cerca de 68€), pelo que o corte no preço é simpático.

Claro que muitos perguntam porque devem comprar um novo módulo e não ter um “update” gratuito ao A-10C. A ED justifica isto pelo seu trabalho de investigação e modelação das novidades já mencionadas no DCS: A-10 II Tank Killer. Novidades, essas, que, segundo a produção, não tivessem tirado volume de trabalho a outros projectos, ainda assim obrigaram a ED a alocar recursos que foram, também eles, obviamente pagos. E notem que esta versão não substitui o anterior DCS: A-10C Warthog. Terão os dois aviões disponíveis, o “vanilla” e o modernizado, no vosso hangar. E quem não comprar o novo A-10C II não perde o velhinho Warthog, recebendo amesmo algumas melhorias de performance e outras sem mais custos. Porque quereriam voar a versão anterior, se a nova faz mais e melhor, fica a dúvida. Mas, é possível.

Veredicto

Se o A-10C era já um avião precioso no “ecossistema bélico” do DCS World, com a chegada do DCS: A-10C II Tank Killer, a aeronave tornou-se absolutamente essencial. Como plataforma Ar-Chão é agora, ainda mais, uma “arma de destruição maciça com asas”. Nem tanto pelo novo armamento, que só adiciona mais precisão a um avião que já era tão preciso. O que o torna absolutamente essencial é o novo HMCS “Scorpion”, uma robusta e letal ferramenta de combate. O preço simpático para quem já tinha a versão anterior, vai com certeza torná-lo popular e as novidades que a Eagle Dynamics adicionou, pelo menos nos céus virtuais, vão trazer mais pilotos. O grande Javali vai continuar a fazer o que sabe fazer melhor: “BRRRRRRRRRRRRRRRRRRRT”.

Este software foi testado através de uma versão experimental em acesso antecipado, e foi gentilmente cedido pela Eagle Dynamics. Sendo uma versão experimental, muitas das características, bugs, erros ou faltas assinalados poderão sofrer alterações até ao lançamento.

Se desejarem conhecer a comunidade Portuguesa que treina e voa regularmente no DCS World, visitem a pagina DCS World – Portugal no Facebook e o canal de Discord da Esquadra 701. Parte das imagens que usamos neste artigo foram criadas neste grupo.