Reportagem – Lisboa Games Week 2019

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Este foi um ano de grandes eventos dedicados ao mundo do entretenimento. Contudo, há só um evento anual que tem sempre enorme destaque neste nosso meio, a LGW. E todos os que esperaram pela Lisboa Games Week 2019, tiveram um fim de semana em grande no espaço da FIL, em pleno Parque das Nações em Lisboa.

As passagens de testemunho são sempre complicadas de executar. E pegar num grande evento anual de um mercado tão peculiar, nunca é uma tarefa fácil. Após várias edições a cargo da E2Tech (agora com outros projectos), a própria administração da FIL (Feira Internacional de Lisboa) pegou nas rédeas, não só para disponibilizar o espaço, como para organizar todo o evento. Uma tarefa hercúlea, como devem calcular. Em causa está, não só um evento de tão grande envergadura, como a reputação do mesmo, depois de tantas edições sempre a crescer. Erros de organização ou falhas de ideias são sempre de esperar em eventos tão grandes. Mas, para os visitantes, o que interessa é dar o preço do bilhete por bem pago e que todos se divirtam nestes dias.

Contudo, Portugal é e sempre terá um mercado algo pequeno para tantos eventos de grande envergadura. Este ano tivemos a Worten Game City, a Comic Con 2019 (com os jogos em muito menor destaque, é certo), o Moche XL Games World e agora a LGW 2019. O que nos deixa sempre a questionar algumas observações que ouvimos de que o nosso país não é muito apetecível para investir. Há aqui um claro contraste entre a realidade e essa avaliação por baixo da indústria. Contudo, é da nossa convicção que tantos eventos não beneficiam propriamente que os organiza, pelo contrário. Não estamos a falar só da dispersão de atenção (e investimento em bilhetes) dos visitantes, falamos também da relevância dos eventos no panorama nacional.

A LGW será sempre a LGW. Estaremos um ano inteiro a aguardar pela sua data e iremos sempre ao evento, nem que seja para tomarmos o pulso da comunidade. Contudo, neste ano o certame teve alguma influência desta concorrência, sobretudo do XL Games World, imediatamente uma semana antes deste e no outro “quarteirão” do Parque das Nações em Lisboa. Notou-se que o público continua a preferir a LGW, obviamente. Notou-se a afluência de escolas e curiosos durante os dias de semana e ainda mais no fim de semana. O que também se notou e é preciso reforçar, é que a guerra pela atenção do público já faz baixas… nos expositores e no conteúdo oferecido.

A maior evidência desta questão é a redução de stands de grande envergadura das grandes marcas. Sim, a Sony PlayStation continua a ser a grande líder do espaço ocupado, com uma área generosa e com todos os seus jogos do momento em destaque para todos os curiosos. Não podiam faltar os (ainda) famosos Spider-man e Days Gone, o recente Death Stranding e o colosso Modern Warfare. No mesmo espaço estavam também as novidades MediEvil, Concrete Genie e o inédito Predator: Hunting Grounds, este montado em rede para sessões LAN intensas. Sim, muita oferta mas… pouca presença, apesar de tudo. A dimensão do espaço ditou muitas zonas vazias deste stand colossal, que, quanto a nós também não teve o investimento de imagem de outros anos.

Mas, quem sabe a maior desilusão foi (novamente) a Microsoft Xbox. Mesmo ao lado da Sony, era complicado não ser ofuscado pela “mancha azul” da marca rival. Mas, nada nos preparou para umas quantas mesas improvisadas com umas poucas consolas Xbox One, uns banners nas laterais, consolas clássicas (cortesia da Nostálgica) e… PCs. A ausência de staff da Microsoft durante a nossa visita, deixou-nos intrigados e ficámos a saber que, na verdade, a organização da LGW teve de improvisar à última da hora com estes computadores. A justificação foi pouco clara, mas, ao que parece, a Microsoft deverá ter reduzido a sua participação pouco antes do arranque do certame e de forma inesperada para a organização do evento. Os motivos, deverão ser fortes, não questionamos, mas a imagem reduzida e pouco representativa, essa, ficará gravada.

Longe destas “guerras”, estava a Nintendo, chegando mesmo a colocar o seu stand noutro pavilhão. As principais novidades, como Luigi’s Mansion 3, com direito à sua própria “casa assombrada”, Super Mario Party, Super Mario Maker, The Legend of Zelda, The Witcher III, entre outros estavam no espaço para todos experimentarem. Uma vez mais, o divertido palco do costume animou as hostes e foi um dos stands mais concorridos do evento, sobretudo entre os mais pequenos. A portátil Nintendo Switch está de boa saúde, com muita oferta em carteira e a Nintendo Portugal não perde um evento deste género, sempre com o mesmo entusiasmo.

Outro destaque merecido vai para a Upload Distribution. Esta edição não ficou marcada por nenhuma novidade ao nível de jogos da sua representação, infelizmente, embora houvesse uma pequena tenda lá pelo meio do evento com os seus populares jogos. Uma vez mais a empresa trouxe-nos um espaço bem apetrechado com os seus melhores periféricos da Nacon, com especial destaque para os novos Revolution Pro Controller 3 e Daija Arcade Stick. Mas, era do outro lado do stand que estava o verdadeiro destaque e novidade para esta empresa Portuguesa. A sua nova representação da Thrustmaster trouxe volantes, joysticks e outros periféricos de enorme qualidade desta marca conceituada.

Noutros lados, as marcas e representações de periféricos para gaming também fizeram questão de marcar presença. Um vez mais, marcas como a HP Omen, Phillips, AOC, Logitech e tantas outras tiveram os seus stands apetrechados, atraindo jogadores e curiosos, até mesmo para alguns torneios e eventos planeados. Este ano, não tivemos o habitual palco para os eSports, mas um inteiro auditório onde se disputaram alguns eventos ao vivo. De facto, esta modalidade está cada vez mais em destaque nestes eventos, contando com inúmeros stands de equipas profissionais e entidades promotoras, talvez à procura de novos talentos.

Também são presença habitual os stands dedicados aos clássicos, com especial destaque para a Nostálgica e a sua exposição da história dos videojogos e para o convívio dos gamers com o 1UP Gaming Lounge também a marcar presença. Como não podia deixar de ser, também os Indies tiveram o seu devido espaço, com muita oferta criativa de muitos estúdios nacionais e estrangeiros, alguns já por nós destacados no último Indie X. Também presença habitual são as lojas de gaming e entretenimento, com a PC Diga e a FNAC a “roubar” atenções. Este evento é sempre interessante de visitar também para algumas promoções exclusivas de produtos nestas lojas.

Não seria uma LGW sem dois “habituais”: as lojas de merchandising e os participantes de cosplay. Tivemos novamente diversas lojas de artigos coleccionáveis e modas do momento, mas houve aqui uma atenção especial da organização com mais espaço para evitar os habituais “engarrafamentos” dos anos anteriores. Achamos que esta distribuição também teve o objectivo de “tapar” alguns buracos, com algumas roulottes de restauração dentro dos pavilhões a ser uma evidência disso mesmo. Quanto aos cosplayers, estão sempre dispostos a vestirem-se das suas personagens preferidas para aquela selfie oportuna. Este foi mais um evento para dar largas à imaginação, muito embora nos parecesse que não houve tanta adesão como nos anos anteriores.

O nosso balanço da Lisboa Games Week 2019 continua a ser positivo, apesar de tudo. O esforço da FIL em manter o “ritmo” de anos anteriores é de louvar, num certame que já tem uma dimensão considerável e o devido destaque na indústria. Contudo, como dissemos lá em cima, não nos parece muito positivo para todos haver tantos eventos anuais em Portugal. A dada altura, as carteiras dos visitantes não chegam para comprar tantos bilhetes (sem esquecer portagens, estacionamento, refeições, etc). Por outro lado, a fadiga de conteúdo instala-se inevitavelmente. Não há muito a fazer com relação à concorrência, é certo. Ou se faz mais e melhor ou acaba-se irrelevante.

Mesmo tendo em conta essa concorrência, achamos que esta indústria só cresce (e só faz sentido) com eventos deste calibre. São mais que meros showcases de novidades de produtos, são igualmente festas de convívio para os gamers. São espaço para experimentar, brincar e distrair. E, nesse sentido, a FIL cumpriu o objectivo com a LGW 2019. E para o ano, já sabemos, há mais.