A Timeline de Metal Gear Solid

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Agora que já estamos a jogar Metal Gear Solid V The Phantom Pain e enquanto preparamos a muito esperada análise, decidimos oferecer-vos algo que já nos foi muitas vezes solicitado: Uma timeline dos videojogos, algumas curiosidades e um pequeno resumo do enredo, sem criar spoilers, da série Metal Gear Solid

Notem que só vamos falar da ordem lógica da série Metal Gear Solid, deixando de lado os pequenos jogos para plataformas portáteis, alguns que nem pertencem ao cânone e os jogos paralelos ou que fujam à história principal, como Metal Gear Rising. No fundo, estão apenas aqui os que contam a história de Big Boss e Solid Snake, com todas as suas interacções. No final, o objectivo é que apreciem a linha de raciocínio de uma das melhores histórias contadas em videojogos de todos os tempos. Mesmo que pareça confuso e com saltos temporais estranhos, é um conto que merece ser contado ou, neste caso… jogado!

Considerado por muitos como o melhor Metal Gear da série, contém o início da história relevante do herói mais controverso e carismático da história das Operações Especiais e espionagem. Falamos, claro, de Big Boss, então com o nome de código Naked Snake. Em plena Guerra Fria, no ano 1964, Snake infiltra-se atrás das linhas do inimigo, bem dentro da União Soviética. O objectivo é resgatar um cientista, travar a produção de uma arma poderosíssima e… assassinar a sua antiga mentora e líder, com nome de código The Boss.

O que faz de Snake Eater tão querido entre os fãs é a sua dimensão, a troca dos cenários futuristas e urbanos por selva e floresta, a ênfase quase demente ao combate furtivo e os bosses complexos e que obrigam a máxima concentração. Também a introdução de camuflagem, tratamento de feridas, combate corpo-a-corpo (CQC) e outras novidades fizeram-no um dos favoritos.

Curiosidade: Um dos bosses da Cobra Unit liderada por The Boss, chamado The End, podia ser facilmente eliminado se deixássemos passar alguns dias, mesmo com a consola desligada. O sniper The End morria de “causas naturais” e não precisávamos de o combater.

O primeiro Metal Gear canónico para a PSP (os dois títulos anteriores ACiD e ACiD 2 não o eram, assim como o posterior Portable Ops Plus), é ainda hoje considerado como um dos melhores jogos jamais lançados para essa consola portátil. Seis anos depois dos eventos de Snake Eater, em 1970, Portable Ops acompanha as acções de guerrilha de Big Boss, no seu esforço de travar a renegada FOX em plena guerra pela Independência Colombiana. Agora Snake já não está sozinho e reúne-se de um autêntico exército que luta, ironicamente, pela paz. É neste jogo que assistimos à génese da mítica força especial Fox Hound e dos famigerados The Patriots.

O jogo passa da mera acção a solo de Snake, para a criação, expansão e planeamento de uma inteira unidade militar. Herda dos ACiD a operação por missão singular, mas dá mais ênfase à acção em grupo até quatro membros por esquadrão, tendo cada membro uma especialidade. A longevidade do jogo é impressionante, uma vez que convida ao aumento da equipa e à angariação de mais recursos para o esforço de guerra. É também possível utilizar muitas das funcionalidades da PSP como jogar com duas consolas em modo PvP, via wireless.

Curiosidade: Portable Ops começou por ser idealizado como um mero “spin-off” de Snake Eater para a PSP. O jogo deveria ser lançado praticamente na mesma altura que MGS3 Subsistence (2006) como um episódio complementar, mas acabou por ganhar importância e enredo próprios usando todas as dinâmicas do jogo da PS2. Infelizmente, a PSP não possuía dois comandos analógicos, pelo que os controlos da câmara sempre foram o seu ponto fraco.

Peace Walker marca o regresso da série às consolas portáteis. O jogo, no entanto, teve pernas para andar nas consolas maiores com algumas reedições. Em 1974 na Costa Rica, Big Boss funda a organização Militaires Sans Frontières (Militares Sem Fronteiras). Os Rebeldes Sandinistas recorrem à MSF de modo a ajudá-los a travar a ameaça dos misteriosos mercenários Peace Sentinels. As suspeitas de Snake que a CIA planeia activar uma arma nuclear, levam-no a descobertas e traições, com muitas ligações aos jogos anteriores e posteriores.

Apesar de herdar muitas novidades introduzidas em MG4, as limitações da PSP, inclusive os problemas de câmara trazidos de Portable Ops, deixaram-no um pouco à margem. A sua ressurreição na HD Collection, porém, resolveu muitos desses problemas. Apesar de não adiantar muita coisas, é um jogo que faz a ponte entre os enredos de Naked Snake e Solid Snake. O conceito da Mother Base é bastante importante neste jogo, criando infraestruturas para a MSF e criando uma nova jogabilidade estratégica. Além das Main Ops (missões principais) e Side Ops (missões secundárias), introduz um modo cooperativo para quatro jogadores chamado Co-Ops.

Curiosidade: Peace Walker foi o primeiro jogo a alterar a célebre frase de sub-título da série de “Tactical Espionage Action” para “Tactical Espionage Operations”, fruto da componente mais estratégica que o jogo veio a aprimorar. Esta é também a designação usada nos dois jogos seguintes (e mais recentes) da série.

Ground Zeroes é um curto jogo que serve de prequela para o jogo The Phantom Pain. Foi o primero Metal Gear Solid a ser lançado sem exclusivos de plataforma, com especial destaque para a estreia na Xbox (360 e One), ganhando, assim, novos fãs. A história passa-se em 1975, com a MSF a receber a informação que dois dos seus antigos colaboradores, Paz e Chico, estão presos na (agora famosa) prisão de Guantánamo, Cuba, pelas mãos da CIA e de uma organização misteriosa, chamada XOF. Snake é incumbido de se infiltrar, extrair os dois contactos e perceber o que se passa nesta misteriosa base militar.

Ground Zeroes não é bem um jogo. Começou por ser apenas uma demonstração técnica do recentemente desenvolvido Fox Engine, passou para uma “Technical Preview” e, subitamente a Konami decidiu fazer disto um jogo completo… sem o ser. Mesmo assim, Ground Zeroes é a ponte lógica entre Peace Walker e The Phantom Pain, tendo ganho o seu lugar cativo entre os fãs. Na sua muito curta longevidade, serviu para aguçar o apetite dos fãs, enquanto ajudou a Kojima Productions a aprimorar o seu jogo principal

Curiosidade: Numa das Side-Ops, Snake adquire uma arma especial, cuja lanterna apaga logótipos. Esta lanterna apaga todos os logótipos dos jogos Metal Gear Solid pintados nas paredes, como se o legado da série fosse todo apagado. Todos, menos um. O logótipo de Metal Gear Rising, jogo que não teve a mão de Kojima, não é apagado e Miller brinca via rádio dizendo “Este não é nada de especial”.

The Phantom Pain é o derradeiro jogo da série, segundo disse o próprio criador e mentor Hideo Kojima. Não só o próprio parece cada vez mais longe da Konami, como também o enredo está praticamente todo explorado. Em 1984, nove anos depois do fim trágico da missão de resgate de Paz e Chico, a MSF já não existe. Big Boss acorda de um coma para ver que o mundo que idealizava, está em cacos. O agora Punished “Venom” Snake parte para o Afeganistão, liderando o seu grupo mercenário Diamong Dogs. A missão é capturar o responsável pelo fim da MSF, enquanto investiga a ameaça do nome de código Cypher.

Tal como Ground Zeroes, The Phantom Pain altera o paradigma dos jogos Metal Gear Solid, de uma acção linear para um mundo aberto à exploração e com planeamento e execução de missões quase infinita. A dimensão, beleza técnica e jogabilidade são o expoente máximo de toda a série Metal Gear Solid. Sobre isso, porém, vamos falar mais em pormenor na nossa análise que já está a ser feita por esta altura.

Curiosidade: Este é o primeiro Metal Gear Solid cuja captura de movimentos e acção técnica é feita originalmente com actores Americanos. Em todos os outros jogos até então, foram usados actores Japoneses para captura de movimentos e acção, sendo depois adaptados às versões ocidentais. Também é o primeiro em que a voz de Naked Snake não é a do lendário David Hayter (que também fez a voz de Solid Snake), mas sim do famoso actor Kiefer Sutherland.

É o primeiro jogo, que muitos nem sabem que existe. Lançado nos idos anos 80, na altura em que os gráficos e a jogabilidade de agora eram apenas uma miragem, este foi um dos jogos do momento na velhinha MSX, aquela que é considerada por muitos como a avó japonesa da Xbox. Em 1995 Solid Snake (sim, é ele, apesar dos píxeis) é um recruta da unidade Fox Hound que, orientado por Big Boss, tem por missão resgatar da misteriosa Outer Haven outro agente da Fox Hound com o nome de código Gray Fox. No entanto, nem tudo é o que parece e Snake acaba no meio de uma trama densa com reviravoltas e surpresas.

A jogabilidade é aquela que se podia esperar de um título de 1987. Os gráficos muito limitados, os mapas básicos e a elevada linearidade, não estragam o que apenas podemos chamar de “esboço” da futura acção furtiva que aprendemos a apreciar. As personagens carismáticas de um enredo complexo, eram já interessantes. Nem todas as produtoras podem dizer que tem uma série de sucesso desde 1987. O que nos deixa a pensar porque é que, de repente, surgiu toda esta animosidade com Kojima e com a série em si.

Curiosidade: Onde este jogo acabou por gozar de mais fama, foi no port posterior para a Famicon/NES, esta com muitos mais utilizadores que a MSX. Porém, o próprio Hideo Kojima repudiou esta versão, uma vez que o código original do jogo foi dado a uma divisão da Konami em Tokyo sem o seu consentimento. Alguns dos nomes, títulos, mapas e até personagens foram alterados em apenas três meses por ordem da Konami para tentar (em vão) criar um jogo novo.

É um dos exemplos em que as sequelas são superiores ao jogo original, uma constante da série que ficou evidente do primeiro para o segundo jogo da saga. Em 1999, Solid Snake, agora retirado da equipa Fox Hound, é convidado a voltar ao activo pelo Comandante Campbell. O objectivo é ir a Zanzibarland (não inventámos este nome), para resgatar o Dr. Marv (a sério que não estamos a inventar). A meio da missão, Snake descobre que Big Boss está de volta e com uma velha dívida para cobrar.

Claro que em três anos a tecnologia não evoluiu muito para permitir grandes avanços gráficos ou de jogabilidade entre os dois primeiros Metal Gear. Mesmo assim, aprimorou bastante os gráficos da velhinha consola. Mesmo que este jogo nunca tenha sido lançado fora do Japão, algumas versões traduzidas chegaram aos fãs e as cópias raras deste jogo ainda hoje são tidas como das mais valiosas.

Curiosidade: Também este jogo foi alvo de polémica interna, uma vez que a Konami lançou uma outra sequela chamada “Snake’s Revenge” para a NES e em que, uma vez mais, a equipa de Kojima foi colocada ao largo. Essa sequela, porém, não faz parte do cânone e não é considerada pela comunidade como fazendo parte da série.

É capaz de ser o primeiro Metal Gear que tomaram contacto, uma vez que já foi lançado em mais plataformas que todos os antecessores juntos, entre ports e reedições. Só falta mesmo a actual geração de consolas PS4 e XBO receber este jogo, uma vez que até os telemóveis já têm. Seis anos depois dos eventos de MG2, em 1995, Solid Snake está em plena acção para combater a remanescente ameaça da Fox Hound, agora tornada organização terrorista. Campbell alia-se a Snake para travar uma nova ameaça nuclear na enigmática base secreta de Shadow Moses.

É um jogo obrigatório, cujas cenas são amplamente revisitadas nos dois títulos seguintes. Definiu o ADN da série no novo mundo dos jogos tridimensionais. Tanto o enredo, como a acção, a música os ambientes e, claro, as personagens com o elenco de voz a roçar um filme de Hollywood, confirmaram que Hideo Kojima era um dos grandes do mundo dos videojogos.

Curiosidade: O jogo tirou partido de muitas das capacidades da primeira Playstation, levando-a ao seu limite e além. A célebre batalha com o boss Psycho Mantis é disso um bom exemplo. O psíquico conseguia mexer o nosso comando (usando o rumble do mesmo), lia os nossos savegames nos cartuchos de memória e até “mudava de canal” para um ecrã negro com a palavra “HIDEO”.

A estreia da série na Playstation 2, dá-se com Sons of Liberty e uma enorme surpresa para os fãs. Apesar de nos primeiros minutos do prólogo jogarmos com Solid Snake, como habitual, a meio do arranque da primeira missão, o agente revelado e com que teremos de jogar quase toda a história é… Raiden. Este novo agente da reformulada equipa Fox Hound infiltra-se numa plataforma marítima chamada Big Shell de modo a tentar resgatar um grupo de dignitários que inclui o Presidente dos EUA. Raiden investiga as actividades do grupo chamado Sons of Liberty, por entre uma nova ameaça nuclear e um Solid Snake pretensamente terrorista.

Se Metal Gear Solid era quase, quase perfeito para os fãs, MGS 2 tinha mesmo tudo para o ser. Só que jogar como o asiático louro Raiden não é a mesma coisa que com o fumador inveterado de fita na cabeça. Essa troca de protagonistas, porém, tem um propósito interessante que até serve a narrativa. Infelizmente, também o enredo parece dar autênticas piruetas e chega a tornar-se confuso. Nunca mais nos vamos esquecer de escorregar em fezes de gaivota… nunca mais…

Curiosidade: Os ataques terroristas do 11 de Setembro tiveram um importante papel no desenvolvimento do jogo. O seu final passado em Nova Iorque, deveria apresentar uma Estátua da Liberdade destruída e uma bandeira americana hasteada sobre o corpo de um inimigo. Ambas as cenas foram eliminadas antes do seu lançamento dado os eventos recentes dessa data.

Mais que um videojogo, é o derradeiro ponto final da história de Naked Snake e o seu “filho” Solid Snake. É uma prenda para os fãs e uma despedida sincera de quase todos os protagonistas. Cinco anos depois dos eventos de MGS2, Solid Snake está uma sombra do que foi outrora. Afectado pelo envelhecimento rápido, visto ser fruto de uma experiência genética, o agora Old Snake, vê-se num mundo onde a guerra mudou. Os soldados são melhorados por nano-máquinas e os exércitos nacionais são trocados por tropas mercenárias. Mesmo antes da sua reforma, porém, uma nova ameaça surge no horizonte, desta feita, pelos ressurgimento da organização Patriots e uma nova ameaça chamada Guns of the Patriots.

Desde o revisitar de locais e pedaços de enredo de jogos anteriores até ao esclarecimento de alguns pontos menos claros, são horas de cenas intermédias (sim, horas) e que de vez em quando até nos deixam jogar lá pelo meio. Foi o primeiro grande jogo da Playstation 3 a receber notas máximas. Tudo o que tinha sido implementado nos jogos anteriores, foi melhorado e até foram incluídas novidades de jogabilidade, como a camuflagem automática e novos gadgets. O final deste jogo, aviso, é dos maiores jamais feitos para um videojogo, numa cena final que demora mais de 1 hora de 20 minutos.

Curiosidade: Guns of the Patriots é tão grande que foi o primeiro jogo da PlayStation 3 a usar um disco Blu-Ray dual layer de 50GB. Quando pensarem porque é que MGS4 nunca foi lançado em DVD para outras plataformas, esta dimensão equivale a cinco DVD’s de uma só camada,como na altura a Xbox 360 usava, ou, 72 CD-Roms.