Sobrevivemos aos zombies na beta de Back 4 Blood

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Com quase 100.000 jogadores simultâneos no Steam, mesmo sem saber os dados das consolas, arriscamos dizer que neste fim de semana “só deu” Back 4 Blood. Sem dúvida, havia muita curiosidade para ver o que os Turtle Rock Studios tinham criado.

Mas, calma. Foi apenas uma fase de testes Beta, muito bem composta, com muitos interessados, nem por isso representativa do jogo final. Como sempre acontece, estes testes servem para saturar servidores e testar mecânicas online. Tratando-se de um jogo com uma forte componente cooperativa, é obrigatório que, pelo menos nesse campo, não falhe. Mesmo não sendo o jogo final, porém, já foi possível entender “de onde vem” este Back 4 Blood e para “onde quer ir”. Embora prefira tirar conclusões com o jogo final em mãos, algumas coisas ficaram bem claras nesta Beta.

A primeira, é a mais óbvia. Por mais que quiséssemos, este não é um novo Left 4 Dead. Havia uma esperança evidente nos fãs que a equipa da Turtle Rock, responsável pelo primeiro jogo dessa outra franquia, trouxesse de volta essa fórmula vencedora, tão amplamente copiada por aí. Contudo, talvez numa esperança de criar algo verdadeiramente seu, apesar das muitas semelhanças, este é um produto diferente, com algumas adições únicas. Nem tudo é ouro no passado da Turtle Rock, porém, não vos condeno se não se lembrarem de um tal de Evolve. Por isso, prudência.

O que esperar da campanha? Estamos de volta ao formato de quatro jogadores (ou um mais três bots controlados pela IA) a desancar hordas de zombies (chamados de Ridden) que são tanto chatos, como incansáveis, enquanto esbanjamos munição de forma compulsiva em várias direcções. Também temos alguns zombies especiais, alguns com habilidades únicas e grotescas, como o Hocker que gosta de cuspir sobre nós ou o Snitch que nos denuncia e chama os amigos esfomeados. Há também os grandes bosses que aparecem amiúde e que nos desafiam verdadeiramente.

Para todos efeitos, mesmo que não tenha inventado a fórmula, o género de acção cooperativa PvE com zombies foi aperfeiçoado com Left 4 Dead e a Turtle Rock tem aqui uma espécie de “herdeiro”. Nos primeiros instantes da acção, sentimos mesmo o regresso daquelas longas noites a jogar com amigos a desancar hordas. O que torna esta experiência diferente é, claro, uma nova fidelidade visual e algumas novidades na acção em si. Cada personagem, os chamados “Cleaners”, possuem bónus e habilidades únicas e ainda temos um sistema paralelo de personalização com cartas modificadoras.

Estas cartas são uma parte importante do jogo. Podem oferece modificações significativas, como energia adicional, danos acrescidos ou melhorias em algumas dinâmicas, como no recarregamento das armas. Estas cartas podem afectar apenas o jogador ou também a equipa, pelo que criar um bom baralho que, por exemplo, dê energia adicional ou mais munição à equipa inteira, torna-se valioso. O planeamento em equipa torna este processo ainda mais relevante. Este sistema é tão interessante que a mesma sessão pode ser completamente diferente com decks diferentes.

Claro que esta dependência dos baralhos bem organizados tem o seu revés. Como este é um jogo cooperativo, equipas organizadas terão melhores resultados que jogadores aleatórios agrupados. Este não é bem um jogo para ser passado a solo… Quer dizer, é possível, até mesmo jogando com companheiros artificiais, apenas não é recomendado. Embora nunca tivesse passado grandes dificuldades jogando a solo ou com desconhecidos, fica bem claro quando uma equipa está bem organizada com bons decks e a trabalhar em equipa.

Depois temos o divertido modo competitivo (PvP) 4 vs 4. Uma equipa com Cleaners continua a enfrentar os Ridden controlados pela Inteligência Artificial mas outra equipa toma conta dos zombies especiais. Tinha algum receio que este modo fosse completamente redundante mas acabei por gostar bastante de o jogar, se calhar até mais que o modo PvE. Especialmente quando pude controlar um imponente Tallboy a destroçar a equipa de jogadores adversários. Só tenho receio que precise de algum balanceamento, algo que certamente surgirá depois desta beta.

Olhando para esta versão de testes, sem fazer ainda conclusões definitivas, foi uma boa experiência. Este jogo lista tudo o que esperamos de um título neste género. A fórmula está lá, com as habilidades únicas de cartas modificadoras a gerarem um ADN próprio para este jogo, mesmo que seja inevitável recordar Left 4 Dead, até no seu título.

Agora, a pergunta que se levanta é se precisamos de mais um jogo deste estilo. Poderão dizer que, se a fórmula tem sucesso, então nunca será demais. Contudo, 12 anos depois e imensos clones e “plágios”, quatro pessoas aos tiros contra hordas de zombies é um tema que já satura um pouco.

Sim, é inevitável que voltemos a Evolve e recordemos que a produtora bem que tentou mudar de paradigmas e não funcionou. E é bem possível que os planos para Back 4 Blood levem o jogo para outros patamares. Por agora, lamento dizer, é divertido quanto-baste, especialmente com amigos, mas torna-se inevitavelmente repetitivo.

Se mais nada fizer, Back 4 Blood recorda um género fantástico que nos deu imensas horas de diversão e que já foi tão amplamente recriado. No seu auge, consegue ser um bom “sucessor espiritual” de Left 4 Dead, criando algumas lógicas que o tornam distinto, sem perder a necessária familiaridade. Claro que só poderemos perceber o que oferece com o jogo final que só chega a 12 de Outubro para a PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S, Xbox One e PC.