De vez em quando, encontramos um add-on simples para a nossa simulação de voo que a torna mais interessante. O Passenger and Crew Experience da TFDi é uma pequena “pérola” por descobrir.

Há anos que descarrego várias aplicações para simular a interacção com a cabine e tripulação. Alguns destes programas são complexos, exigindo uma interacção com um co-piloto virtual, não apenas com a tripulação de cabine, outros são demasiado simples e pouco interactivos, permitindo apenas ouvir anúncios de cabine e pouco mais. O que a TDFi quis fazer com o PACX foi dar-nos a imersão de um voo de passageiros, não apenas dando vida ao interior do avião com sons característicos, mas também uma real interacção entre cabine e cockpit, com alguns imprevistos e uma gestão da satisfação dos passageiros. E tudo isto sem as complicações do costume.

Ao lerem o que escrevi acima, certamente estarão a pensar em add-ons como o FS2Crew ou o FS Passengers. Estou certo que a TFDi ter-se-á inspirado nestes dois programas em alguma fase do desenvolvimento do PACX. Contudo, devo dizer-vos que este singelo programa não tem nenhuma da complexidade desses dois clássicos. Não quero dizer com isso que seja um add-on ligeiro, notem. Adiciona bastante à simulação, tornando-se praticamente essencial para quem gosta de imersão no cockpit virtual. Não confundam a simplicidade de operação com irrelevância.

Não, não tem interacção com o co-piloto ou com a operação em si da aeronave, como temos no FS2Crew. Embora possua algumas semelhanças com o FS Passengers, também não pretende ser tão exaustivo na gestão de cabine como esse outro programa, dando-nos apenas o essencial da interação e sonoridade, estas necessárias para dar vida aos passageiros virtuais. É também bem mais discreto que esses dois programas quanto está a correr, com um menu radial que podem esconder facilmente e uma barra simples na parte inferior do ecrã.

O PACX dá-nos a possibilidade de fazer “carreira”, ao criar um perfil que vai acumulando cada voo, cada evento e a respectiva apreciação dos passageiros. Podemos escolher a quantidade de eventos possíveis, notem. O que é particularmente importante se não quiserem estar constantemente a lidar com problemas. Mas, nesta carreira há mais a ser avaliado, além das aterragens mais ou menos bem conseguidas, terão de lidar com os desvios de rota, a forma como interagimos como pilotos com a cabine e outros detalhes. Depois, vamos ganhando troféus e a evoluir nas estatísticas.

O que pode afectar a carreira? Ao longo do voo podemos ser confrontados com uma série de questões, desde passageiros doentes, atrasos, antecipações, problemas com a bagagem ou outras “chatices” que afectam o ambiente na cabine. Também é possível que o voo seja afectado por atrasos na rota, meteorologia ou até avarias, estas, claro, dependendo do nível de realismo da vossa operação na aeronave que escolham voar. Os passageiros também podem ser agraciados com entretenimento a bordo, wi-fi ou até que o comandante chame a atenção para um ponto de interesse em voo. Tudo conta na carreira, como devem calcular.

Ao contrário de alguns add-ons de tripulação, saibam que o PACX não está restrito a uma só aeronave. Podem usar quase todos os aviões comerciais, até mesmo alguns aviões regionais ou jactos privados, todos com layout de cabine devidamente recriado. Claro que terão de ter o avião em questão como add-on e também convém saberem voá-lo como deve ser para não assustar os passageiros com procedimentos ou manobras erradas. A outra boa notícia é que o PACX é compatível com todos os simuladores do momento, desde o FSX, Prepar3D (todas as versões), Xplane 10/11 ou, claro, o Microsoft Flight Simulator em que o testei.

Falando no MSFS, dado que é um simulador notoriamente mais pesado que os demais, é bom saber que o PACX é um programa realmente leve, correndo fora do simulador e ligando-se ao mesmo via FSUIPC (XUIPC no X-Plane). Como já disse, o menu radial pode ser escondido mas também o podem arrastar para outro monitor (caso o tenham). Enquanto o programa corre, apesar de carregar centenas de ficheiros de áudio no background, não há nenhum impacto notório no simulador, nem notei nenhum problema de detecção das fases de voo com qualquer aeronave testada.

Podemos personalizar muitos dos pormenores da operação, inclusive ajustar o volume do som, criar teclas de atalho para algumas funções e ajustar outros detalhes a nosso gosto. Apenas tenho de ressalvar que o sistema de detecção de voz, em que podemos interagir por voz, pelo menos nos meus testes não funcionou e deu-me sempre um erro que não soube resolver. Terá a ver com o idioma usado no meu sistema operativo (Português) mas mudando para Inglês continuei com problemas. Enfim, é uma falha. Mas, até nem é problemática, como irão constatar já de seguida.

Mesmo não podendo “falar” com os passageiros, o programa funciona muito bem apenas com o áudio gravado. Não notei nenhuma “mecanização” na interacção ou repetição frequente de frases. Segundo a TFDi, existem mais de 800 ficheiros de som diferentes para que cada anúncio e cada reporte sejam diferentes em cada voo. É claro que, eventualmente, iremos ouvir algumas frases repetidas mas, acreditem, mesmo na vida real as coisas seguem um guião e não é irrealista pensar que, a dado momento na carreira de um piloto, já esteja tudo a ser dito de memória.

No início de cada voo, temos de o programar em termos de número do voo, partida, destino, tempo de voo estimado, quantidade de passageiros e outros detalhes. Gostei bastante da integração com o Simbrief que permite pré-preencher estes dados de forma automática, garantindo que fazemos o voo com os parâmetros correctos. É também possível fazer com que o PACX arranque automaticamente com o simulador, o que permite ainda mais “suavidade” na operação. Não se esqueçam, porém, que nem todos os tipos de aeronave usufruirão do programa. Quantos passageiros leva o F-35?

De todos os voos de teste que fiz, os eventos foram realmente diversificados. Num voo tive um ligeiro atraso provocado por bagagem, noutro tive uma emergência médica que me obrigou a divergir para outro aeroporto. Ainda noutro, tive alguma turbulência provocada por meteorologia adversa, obrigando-me a desvios que atrasaram a chegada. Em todos estes momentos, a satisfação foi claramente afectada. Como devem calcular, em voos imperfeitos é impossível agradar os passageiros integralmente mas, se não tomarem medidas para mitigar os problemas, é possível que a percentagem desça ainda mais.

No final de cada voo, temos um debriefing simples, que inclui opiniões pertinentes dos passageiros. Se o voo correu bem, é possível que estas opiniões sejam todas positivas, especialmente se a bordo houver entretenimento e/ou wi-fi. Se os passageiros tiverem algo negativo a dizer é porque um dos incidentes afectou o normal funcionamento do voo. Estas estatísticas acumulam na vossa carreira, dando-vos uma avaliação global, que inclui também horas de voo, aterragens e outros detalhes. Não é bem um logbook mas é uma interessante fonte de informação de carreira.

Veredicto

Não sendo tão polivalente como outros produtos, o Passenger and Crew Experience da TFDi é um daqueles add-ons sem os quais já não sei voar. A sua facilidade de utilização, simplicidade de menus e teclas de atalho e ainda a integração com qualquer aeronave comercial ou simulador do momento, tornam-no absolutamente essencial para quem gosta de imersão e quer algo simples de usar. Talvez tenham dificuldades como eu tive no reconhecimento de voz mas podemos viver bem sem isso. Acima de tudo, agradem os passageiros ou eles pedem para chamar o gerente…

A versão de testes usada para esta análise, foi gentilmente cedida pela TFDi. Podem encontrar mais informação sobre o PACX no site oficial da empresa que podem visitar aqui.