Neste novo modelo de lançamentos adoptado pela PMDG, o “senhor que se segue” é o pequeno Boeing 737-600 na sua linha PMDG 737. O lançamento decorreu neste fim de semana e já o testámos.

Tal como no caso do seu rival directo, o também pouco popular A318, o B736 não é propriamente o mais popular da família 737. O intuito destes aparelhos é servir um nicho muito peculiar de rotas de curtas distâncias em aeródromos de menor dimensão. O problema com este conceito, como também a Airbus aprendeu, é que este tipo de operação é já muito bem preenchido pelos aviões regionais da Embraer, de Havilland ou ATR, sendo complicado a nível de preços por operação de competir directamente. Foi um conceito um tanto falível para a Boeing e Airbus. Talvez por isso a PMDG quis colocar já este aparelho cá fora, antes dos “maiores”.

De 1998 a 2006 apenas 69 exemplares foram produzidos do pequeno 600. A sua utilização mais famosa, sem dúvida que é pela Janet Airlines que voa todos os dias pessoal civil e militar desde Las Vegas para a enigmática Area 51. Herda todos os sistemas e funcionalidades dos seus “irmãos” maiores, mantendo o design e dimensão exterior do anterior Boeing 737-500 que, por sua vez, mantiveram as dimensões do clássico 737-200. Foram, claramente, dimensões pertencentes a outra era, em que o voo era um meio exclusivo e pouco denso, nada a ver com a azáfama e densidade dos voos modernos.

Como conceito, assim como add-on para o Microsoft Flight Simulator, o herdeiro da denominação “baby Boeing” é, portanto, uma aeronave um tanto limitada. Apesar de ter a mesma motorização, a cabine leva menos passageiros (até 130 no seu limite máximo de configuração), leva também obviamente menos carga e ligeiramente menos combustível. O seu peso total à descolagem também é menor, o que até facilita na sua operação original de aeródromos menores, mas restringe um pouco a sua autonomia. Para terem uma ideia, a Boeing nunca chegou a implementar “winglets” nem optou por este modelo para a variante MAX.

Isto não significa que a PMDG tenha ignorado o pequeno Boeing. A modelação desta variante está, como seria de esperar, a par com a do já lançado Boeing 737-700 que analisei em baixo. Claro está, tem as suas limitações já listadas mas oferece as mesmíssimas funcionalidades, opções de personalização e diversos sistemas já conhecidos. O que também significa que partilha a sua falta de um Electronic Flight Bag funcional, algo que a PMDG continua a prometer que está para breve, provavelmente aquando do lançamento do 737-800, mas partilhado em todos os modelos.

O que a PMDG tem feito não é apenas lançar uma variante atrás de outra. Tem continuamente actualizado a sua simulação. Com este 600, por exemplo, fizeram várias correcções para trazer ainda maior realismo. Uma dessas correcções é a do travão de parque, cujo procedimento (que obriga a pisar o travão antes de engatar ou desengatar) é agora realista. Outros detalhes prendem-se com o auto-brake, várias correcções visuais e de lógicas dos painéis, entre outras. Notem que as novidades são também para o B737-700 e futuras variantes.

Veredicto

Não esperem com o PMDG 737-600 uma revolução no Microsoft Flight Simulator. É apenas uma variante reduzida do já conhecido B737 neste simulador, com toda a qualidade PMDG que tem vindo a continuamente melhorar nos seus aviões. Infelizmente, ainda não é desta que temos o EFB e ainda estamos a aguardar funcionalidades que o próprio MSFS ainda não possui, como o radar meteorológico. Este B736 é, portanto, um “cumprimento de calendário”, muito prático para aeródromos menores mas ainda não é bem o avanço técnico que queria ver. Vamos aguardar pelas variantes maiores e pelas actualizações que trarão.

[Análise original de 3 de Julho de 2022]

É caso para dizer: “custou mas foi”. A PMDG finalmente lançou o seu “avião-bandeira” no Microsoft Flight Simulator. Mesmo demorada, a nossa análise ao PMDG 737 para este simulador está aqui.

A nossa parceria com a PMDG continua, naquela que é para mim uma das melhores produtoras de add-ons do momento, especialmente quando se fala de aeronaves Boeing. Certamente recordam as nossas análises anteriores ao Boeing 747 ou, claro, ao Boeing 737, na última instância ainda no Prepar3D V5. Agora que o simulador da Microsoft se firmou como o grande líder de mercado, pelo menos no que toca aos simuladores civis, era óbvio que tinha de experimentar o lendário PMDG 737 nesta nova plataforma. Dificilmente ficaria desapontado, dado o historial impecável desta produtora. Há, ainda assim, muitos elementos na “equação”.

Os tempos são, de facto, outros. Em tempos idos, era uma ousadia dizer que um add-on da PMDG “ficou aquém” ou tinha “algo em falta”. Contudo, nos dias que correm as produtoras de add-ons “esticam o envelope” para trazer sempre algo maior, melhor ou, pelo menos, mais vistoso. De facto, mesmo com a sigla “PMDG” no rótulo, a exigência actual por determinados elementos, na maioria de interface ou de “qualidade de vida”, criou um padrão de expectativas em que todos os pormenores contam.

No passado, a PDMG lançou sempre os seus módulos em pacotes. Por exemplo, no caso do Boeing 737 tivemos sempre dois pacotes, um de base, com o 737-800 e 900 e um de expansão, com o 737-600 e 700. O mesmo aconteceu com o 747 e 777. No caso deste 737, o seu avião mais popular de sempre, ainda surgiram expansões adicionais menores, os 737-BBJ e os 737 BCF de carga. Para o MSFS, porém, a PMDG decidiu mudar um pouco o seu modelo de negócio, preferindo lançar os modelos por plataforma-base, incluindo as suas variantes menores.

É por isso que temos inicialmente apenas o Boeing 737-700 como aeronave de arranque desta linha. Notem, porém, que neste primeiro volume temos já incluídas as variantes BBJ1 e Carga, além das opções de winglets “blended” ou “split scimitar”. Não ficou bem claro porque é que a PMDG optou pelo menos popular -700 e não pelo bem mais procurado -800. Contudo, a PMDG espera lançar as demais variantes 600, 800 e 900 nos próximos meses, com uma cadência regular de cerca de dois meses cada.

Mesmo não sendo tão popular como o -800, o Boeing 737-700 é, ainda assim, um competente avião de médio-curso, a segunda aeronave mais popular de sempre da empresa de Seattle. Curiosamente, foi também o primeiro modelo de sempre da série NG (Next Generation) a ser lançado em 1993, seguindo-se o -800 em 1994, o -600 em 1995 e o -900 em 1997. É como se a PMDG estivesse a replicar a ordem real de lançamento dos modelos no MS Flight Simulator. Bom… quase.

A réplica do Boeing 737-700 no Microsoft Flight Simulator está a par da qualidade reconhecida da PMDG nos demais simuladores. Não me vou debruçar muito sobre a qualidade geral e profundidade de sistemas, para isso remeto para a minha outra análise do mesmo modelo de aeronave no Prepar3D. Aquilo que podem esperar é o que já é um chavão neste meio dos simuladores de voo: “qualidade PMDG”. De facto, ainda hoje, no que toca à simulação de sistemas, aerodinâmica ou procedimentos, dificilmente encontrarão algo mais profundo.

Desde sempre que a PMDG criou uma interessante e profunda interacção com avião, recriando quase tudo a rigor, tanto a nível de procedimentos normais como anormais. Para a interacção com outros detalhes de sistema, porém, a PMDG sempre optou por usar menus próprios simulados de forma pouco realista nos CDUs (computadores de bordo) da aeronave. E é exactamente isso que temos aqui no PMDG 737. Para todos os efeitos, é o mesmo menu de sempre, funciona igualmente bem e de forma intuitiva.

Contudo, como disse lá em cima, os tempos e os padrões de agora são outros. Se leram a minha última análise ao Fenix A320, saberão de imediato que me estou a referir ao seu robusto e completo Electronic Flight Bag, o tablet lateral que, não sendo propriamente novidade, é das melhores opções que tenho visto por aí. Os tablets de controlo e interacção não são exclusivos do Fenix A320, notem. Pelo contrário, muitas outras empresas optaram pelas suas versões tablet, até mesmo o helicóptero H415 que revi recentemente tem um.

É já um padrão lógico o tablet, um pouco mais realista que usar o CDU para as funções mudanas de personalizar o avião, alterar preferências ou interagir com o plano de voo e outras opções de performance. A PMDG foi sempre algo “resistente” a adicionar um EFB às suas aeronaves, diga-se. E quando o implementou, tentou que fosse algo mais realista, não tanto um “glorificado” tablet. Só que o seu Boeing 737 no MSFS não possui qualquer EFB nesta fase. Está planeado para ser lançado algures numa futura actualização, é certo, mas senti muito a sua falta.

Não é pela falta de um EFB que o PMDG 737, de alguma forma, se torna numa má simulação da aeronave em si. Digo sem rodeios que não há, neste momento, melhor simulação de um Boeing 737 (ou de um Boeing qualquer) que esta. Ainda assim, aliado ao facto de não termos as restantes variantes da aeronave ainda disponíveis, ao faltar-nos tabelas de cálculo, cartas de voo, acompanhamento de rota e outros pormenores que, regra geral, são suportados pelos tablets, cria um vazio tremendo em voo. Ou temos software de terceiros ou temos de imprimir a nefasta “papelada”.

Mas, há outras lacunas nesta simulação e que saltam à vista dos que estão habituados a “outras andanças”. A cabine de passageiros não tem o mesmo nível de cuidado e qualidade que o restante modelo. O mesmo acontece com os compartimentos de manutenção e carga. Poderão achar isto um preciosismo (até é) mas, mais uma vez, só estou a comparar com o que por aí se vende pelo mesmo preço e com o que a própria PMDG nos habituou. Convém mencionar que este não é um projecto encerrado e estão planeadas actualizações de texturas e outros pormenores. Mas, mais uma vez, soa a algo apressado ou incompleto, tão atípico da PMDG.

Como sempre faço nestas análises, um voo ligeiro permite-me “tomar o pulso” do novo PMDG 737 para o MSFS. Mais uma vez, o voo regular em Portugal Continental é mais que ideal, recriando um dos vários voos de várias operadoras no nosso território. Neste caso, decido-me por um Faro – Lisboa ao final do dia, ideal para testar tudo ao pormenor. Infelizmente, alguns aspectos clássicos que a simulação da PMDG já nos habituou ainda não estão prontos, já que o Asobo Studio ainda não implementou o radar meteorológico ou os painéis 2D destacáveis por exemplo. Enfim.

Não sei se é algo que será implementado apenas quando tivermos o EFB nesta aeronave mas também a listada “integração com o Simbrief” que está na página do produto, é uma afirmação… vá lá… um tanto optimista. Sim, há, de facto, uma integração, sem dúvida. Mas esta passa pela cópia manual dos ficheiros de plano de voo e respectiva meteorologia para dentro da pasta do 737. Não há uma real ligação directa ao Simbrief como temos noutros produtos. O que torna a criação do plano de voo um trabalho a três partes que, mais uma vez, não é o padrão actual em addons de topo.

Depois de tudo programado e configurado, usamos o CDU para chamar e ligar sistemas de terra, carregar passageiros e carga, etc. Depois disto, a preparação do cockpit é perfeitamente linear. O taxi, alinhamento e descolagem, cruzeiro e aterragem decorrem da mesma forma como sempre decorreram em qualquer aeronave PMDG: zero defeitos, tudo é desenhado para a fluidez e funcionalidade. Se carregarem o plano de voo e meteorologia pelos tais ficheiros salvos via Simbrief, terão uma robusta e funcional simulação de Datalink que é muito bem vinda.

Gosto bastante de termos algumas opções de cockpit, entre instrumentos stand-by integrados ou analógicos, tipos diferentes de MCP (Honeywell ou Collins), sistema de combustível adicional (para os BBJ) e até o infame HUD (Heads-Up Display) que torna o cockpit do 737 bem mais futurista. No exterior também podemos optar por travões de carbono ou aço e até luzes de aterragem pulsante ou em LED. São estes pequenos detalhes que fazem a diferença e nunca desapontam.

Dado que o Microsoft Flight Simulator é tão exigente, a pergunta que muitos farão é se este módulo é acessível para todos os PCs. Para uma aeronave adicional, algo “pesada” em tempos de carregamento, graças a uma boa optimização, não notei quebras de performance que merecessem atenção. Tudo depende, claro, do vosso PC e como preferem o visual do simulador. De um modo geral, porém, a performance é francamente positiva para um add-on tão complexo. E, não, o PMDG 737 não está disponível para a versão de consola Xbox, se é algo que estariam à procura.

Em complemento ao módulo, como sempre, temos o famoso PMDG Operations Center, que continua a ser o local privilegiado para actualizações de software e instalação de pinturas das aeronaves. Ainda hoje indago sobre a funcionalidade da opção “Global Flight Operations” no menu deste programa, já agora. Há tantos anos desactivada para a maioria, visa criar uma visualização global das operações de voo das aeronaves PMDG. Mas, ainda hoje é um mistério quando irá entrar em funcionamento para todos. Se é que a PMDG ainda está a ponderar torná-la uma realidade.

Veredicto

A PMDG dispensa reais avaliações do seu rigor técnico. As limitações nesta nova versão do PMDG 737, para mim, estão nos pormenores. Em primeiro lugar, só temos ainda esta aeronave menos popular, num modelo de negócio em expansões que poderá não agradar a todos. Depois, tive uma sensação de estar “incompleto”. Estou certo que a PMDG vai em breve colmatar todas as lacunas que mencioso mas, como está agora, parece-me “magro” em demasiados pontos, especialmente olhando para o que outros têm feito para o Microsoft Flight Simulator. O que é tanto irónico, como pouco representativo da qualidade reconhecida desta produtora.

A versão de testes usada para esta análise, foi gentilmente cedida pela PMDG. De momento, apenas o PMDG 737-700 está disponível na loja oficial da empresa que podem visitar aqui. Os demais modelos não possuem ainda nenhuma data nem pré-encomenda possível.