Recordar: Deus Ex Machina

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O Deus Ex Machina original saiu em 1984, dois anos antes de eu ver a luz do dia e muitos anos antes até eu decidir vasculhar os jogos do ZX Spectrum do meu pai. Lembro-me perfeitamente de mexer nas cassetes e passar por jogos como Lode Runner, Bomb jack ou até mesmo Breakout, mas nenhum deixou com a mesma curiosidade como a capa de Deus Ex Machina, havia algo naquela cabeça feminina, rapada e com montes de fios ligados directamente ao cérebro – Eu tinha de experimentar! 

Foi um jogo que me agarrou durante bastante tempo, aliás não é apenas um jogo é uma experiência multimédia muito à frente para o seu tempo. Em Deus Ex Machina, controlamos o início de um desenvolvimento de um acidente biológico: um mutante nascido de uns confins mecanizados de uma sociedade informatizada.
A “acção” do jogo, se é que podemos chamar assim, gira em torno de uma série de mini-jogos abstractos que lidam directamente com as várias etapas da vida da criatura. Inicialmente é necessário alterar o ADN e incubar o feto em segurança; enquanto “criança” é necessário proteger da polícia e, mais tarde, ajudar nos rigores da idade.

Este ambicioso projecto foi criado com o intuito de ser um filme interactivo do que apenas um jogo. Foi lançado paras as lojas acompanhado com uma cassette com a música ambiente criada especialmente para o jogo pelo actor de Doctor Who, Jon Pertwee e pelo músico Ian Dury. Apesar de ter sido muito bem criticado na altura, o jogo foi um desastre comercial, principalmente devido às dificuldades da produtora Automata com os retalhistas que preferiam não arriscar com um género de jogo tão invulgar.

Está neste momento a decorrer um Kickstarter para a sequela de Deus Ex Machina, com a equipa original abordo do projecto e como produtora, a portuguesa Vectrlab! Saibam mais na nossa notícia.