FTP vs BTP vs Mensalidade

1996

E se um dia World of Warcraft se tornasse num Free-to-Play? Muita da comunidade internauta acredita que esse dia é inevitável. Contudo, um par de amigos meus, jogadores há muitos anos do MMO da Blizzard desacreditam essa possibilidade porque dizem que afectaria indubitavelmente a qualidade do serviço que lhes é prestado. Verdade seja dita, ao longo da última década a Blizzard tem prestado um serviço exemplar para com os seus subscritores. Em nenhum outro MMO vi Game Masters online disponíveis para te atenderem in-game e ainda te oferecerem um “docinho” ou uma anedota. São estes pequenos pormenores que tornam os jogos especiais, a Blizzard tem sido fenomenal nesse aspecto, e é por isso que ainda milhões jogam hoje o já velhinho World of Warcraft.

Não obstante, o mundo dos jogos online vira-se cada vez mais para outros modelos de negócios. É disso exemplo Guild Wars 2 que no ano passado reutilizou o modelo Buy-to-Play do primeiro jogo da série mas com uma pequena diferença: a inclusão de uma loja in-game. Embora sem as subscrições mensais de World of Warcraft, a ArenaNet tem conseguido fazer um trabalho exemplar no que diz respeito a trazer conteúdo novo numa base quinzenal ou por vezes até semanal ao seu MMO. Contudo, quando olhamos para o apoio prestado aos seus jogadores vemos casos em que os problemas persistem durante meses sem que uma solução seja arranjada pela equipa de suporte, algo que nunca vi acontecer em World of Warcraft. Será a mensalidade um factor essencial para conseguir manter equipas de GM’s a prestar suporte aos jogadores 24 horas sobre 24 horas? Poderá mas também me parece que a ArenaNet poderia distribuir melhor parte dos lucros recebidos através da loja in-game nesse sentido. Basta uma visita por Lions Arch, olhando para os itens dos jogadores, para nos apercebermos que os jogadores investem de facto na loja in-game.

Por isso, este modelo BTP é, sem dúvida, exequível assim como o é o modelo baseado nas subscrições mensais de World of Warcraft. Ainda assim, uma companhia que baseie os seus jogos online em subscrições mensais terá que obrigatoriamente apresentar conteúdo de alta qualidade ou correrá o risco dos jogadores rapidamente se fartarem dos seus produtos e simplesmente não renovarem a dita subscrição. Foi o que aconteceu com jogos como Star Wars: Old Republic, Age of Conan ou Lord of the Rings Online. Todos eles acabaram por abandonar o modelo de negócio de World of Warcraft e abraçar o modelo free-to-play baseado em micro-transacções com algum sucesso.

É, inclusive, esse o modelo que Dota 2 tão brilhantemente tem usado. A Valve tem conseguido lucrar com o seu MOBA free-to-play graças às micro-transacções disponíveis na loja in-game. Todas elas não têm influência directa nas tuas capacidades dentro do jogo não te colocando, por isso, em vantagem face a quem não compre determinado item. São itens que apenas influenciam o aspecto visual das personagens ou o direito de completar uma aposta num determinado torneio. A loja in-game não te é bombardeada constantemente como o é Age of Wushu ou Neverwinter e se, eventualmente, não quiseres completar qualquer micro-transacção podes usufruir do jogo da mesma forma de quem paga.

Então se vivemos num mundo em que os FTP começam a ter cada vez mais sucesso porque é que produtoras como a Bethesda, a Square Enix e a Carbine apostam nos seus MMO’s, respectivamente Elder Scrolls Online, Final Fantasy XIV e Wildstar, em modelos baseados na subscrição mensal? Será que podemos confiar nestas produtoras?

A Bethesda até ESO nunca tinha arriscado em jogos online e a verdade é que o lançamento de Skyrim foi imensamente problemático com dragões que voavam ao contrário e saves que cresciam de tamanho até tornar o jogo impraticável. Será este um indício do que podemos esperar do lançamento de ESO? Ansiamos para que não o seja porque visitar o mundo de Tamriel e Skyrim versão MMO parece uma ideia genial à partida. Será, no entanto, o suficiente para que se pague pelo jogo e ainda se tenha o valor acrescentado de um pagamento mensal?

Por outro lado, Final Fantasy XIV: A Realm Reborn é a revanche do primeiro Final Fantasy XIV, lançado anteriormente e com resultados económicos calamitosos para a Square Enix. Novamente, regressa com mensalidade mas, aparentemente, com conteúdo suficiente para satisfazer os fãs até agora.

Destes três MMO’s Wildstar parece a maior incógnita, ao qual se junta o desconhecimento de anteriores jogos por parte da Carbine Studios, embora na sua equipa estejam incluídos membros que fizeram parte das equipas de produção de World of Warcraft e Diablo II, dois nomes incontornáveis da Blizzard. Com o jogo a atrair enorme atenção por parte da comunidade online, grande parte dela dissipou-se quando a Carbine falou em mensalidades.

O próximo ano será, com certeza, fulcral para o definir da indústria dos jogos online. Para essa definição vão contribuir os resultados económicos destes três novos jogos mas também o número de pessoas que continuar a jogar World of Warcraft. Certo é que jogos como Dota 2 ou Guild Wars 2 são cada vez mais uma certeza no género.

Será que só através de mensalidades se alcança a verdadeira qualidade num MMO ou os jogos com mensalidades já não conseguem fazer parte de um mundo cada vez mais globalizante e acessível? Deixa a tua opinião na secção de comentários e continua a seguir o WASD para mais notícias, artigos e análises.