Para quem não conhece, o Massive Work Studio é um estúdio Brasileiro de produção que tem aqui a sua segunda produção, neste caso com uma dimensão bem mais considerável. Dolmen é um projecto ambicioso de um “souls-like” com aspecto futurista.

Não é a primeira vez que vemos um pequeno estúdio tentar a sua sorte no saturado mundo dos Action RPG. De facto, a fórmula da From Software inspira muitos criadores a enveredar pelo infame caminho dos jogos que gostam de matar o jogador. Dolmen, por seu lado, tem uma menor envergadura. Que seria da Deck 13 sem Lords of the Fallen ou The Surge, este último já com uma sequela? Que seria da Gunfire Games sem Remnant: From the Ashes? Tantos outros exemplos podia dar. O género é apelativo para produzir e também popular nas vendas. Mas, tal como outros géneros que são populares num momento, é sempre preciso ter argumentos claros para o que se propõe. Se não tiver, é apenas só mais um “souls-like”.

Neste jogo somos enviados para um planeta extraterrestre chamado de Revion Prime. O objectivo é adquirir uns estranhos cristais reluzentes, chamados de “Dolmen”. O que nos leva a esta missão suicida é que estes cristais possuem propriedades sobrenaturais, dando a capacidade de deambular entre dimensões e, assim, alcançar novas possibilidades para navegar pelo espaço. Claro que os extraterrestres não possuem grande espírito de partilha e tudo neste planeta nos quer matar. Afinal, este foi o palco do maior massacre de sempre na galáxia.

Um mero humano não deverá ter grande sorte a explorar este mortífero planeta. Para “ajudar” nesta epopeia suicida, o protagonista sofre de amnésia. Não sabe como chegou a Revion Primen, como acordou da criogenia, nem o que se passou com a sua tripulação. Essa é também a nossa missão, perceber o que se passou, investigando os indícios deixados em vários locais no mapa. Ao mesmo tempo, vamos fazendo sentido do que nos rodeia, uma civilização estranha tão distante de nós, com uma biologia mais próxima de aracnídeos.

Nota-se que a produção quis criar um lore enriquecido com uma história extensa por detrás, que envolve também um antagonista que irá desafiar o jogador lá mais para a frente. Nota-se também que houve grande empenho em desenrolar esta história lentamente a cada novo segmento de jogo. Não é, contudo, o seu foco verdadeiro, estando esse inteiramente centrado na acção. A história serve apenas de enquadramento para nos dar uma certa justificação para a restante oferta. Cumpre nesse sentido, mas confesso que não me cativou muito. E tenho um motivo…

Essas porções do enredo são contadas através de cenas intermédias, criadas em computação gráfica (CGI). Têm um design claramente inspirado em jogos como Mass Effect ou Dead Space e até gostei do seu aspecto geral. Só que as coisas não correram bem na implementação neste acesso antecipado no PC. A baixíssima taxa de fotogramas (FPS) nessas cenas cria autênticos “slideshows”, que contrastam demais com a performance relativamente competente do resto do jogo. Dei por mim a fazer muitas vezes “skip”, talvez por isso a história não me cativasse como devia.

No que toca à jogabilidade, esperem o que sempre esperam num “souls-like”. A não ser que a From Software um dia revolucione este género, todos os jogos que surjam a “beber” de si inspiração, têm todos os elementos tradicionais com algumas nuances. Dolmen aposta mais numa gestão de energia, tendo de lidar com a barra de vida, uma barra de energia e outra de “stamina”. Todas as barras possuem elementos regeneradores. A barra de vida pode ser regenerada recorrendo à barra de energia, por exemplo. Só que também as armas de longo alcance tiram energia da barra.

Há também um chamado “Energy Mode” que permite imbuir armas com poderes de elementos para lidar com os inimigos (estes também com franquezas de elementos). Essas armas, já agora, dividem-se entre pistolas de ataque à distância e um escudo e arma de mão para combate próximo (melee), ambas possuem ataques leves e rápidos ou fortes e lentos. Ao bom jeito dos jogos em que se inspira, temos também um desvio, que neste caso é um teleporte. Só que, em conjunto com o escudo, não são de grande confiança. Como sempre, a melhor defesa é um bom ataque.

Não sei se já estou saturado de tantos jogos “souls-like”, o que é certo é que Dolmen não me mostrou nada que realmente se destacasse na sua acção. Não me entendam mal, não vi nada “mal feito” no jogo. Apenas não achei a sua oferta fosse realmente “refrescante” ou inovadora. Talvez seja só isso que os jogadores encontram em qualquer novo título deste tipo. Contudo, como disse no início, é preciso argumentos para sobressair e, de facto, não os encontrei na jogabilidade de Dolmen. Restava-nos a história para nos empolgar, mas já expliquei porque também aí não me senti muito motivado para continuar a jogar.

Só um último pormenor relacionado com o visual. Já falei de algumas questões técnicas, sim, mas o restante do jogo é bastante cumpridor. Embora não haja nenhum detalhe de grande destaque, mantém-se perfeitamente estável, mesmo em presets mais altos. Em algumas cenas mais exigentes, sobretudo em combates de maior escala e com mais elementos e efeitos no ecrã, há umas quantas quebras de performance, necessitando de mais um pouco de optimização. Contudo, não é nada que não se corrija até ao seu lançamento no próximo ano.

Conclusão

Inevitavelmente, a inspiração nos jogos “souls” dita um conjunto de ingredientes para esta “receita”. Dolmen tem todos esses ingredientes devidamente integrados num título ambicioso. Mas, não os elabora ao seu verdadeiro potencial ou cria algo que entusiasme. A história é claramente acessória, sem grandes desenlaces, tornando-se algo previsível até. O convite para exploração é evidente, mas não há muito neste jogo para realmente descobrir. Não será difícil encontrar pontos de interesse para os amantes deste género. Mas, não há aqui muito mais para dizer que não é realmente “só mais um”.

De notar que Dolmen foi revisto numa versão PC de acesso antecipado. O seu lançamento está previsto para 2022 para PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X|S e PC. É por esse motivo que o nosso veredicto é temporário.