Por tempo limitado, decorreu na passada semana a segunda sessão Beta pública de Street Fighter 6. O WASD foi convidado para entrar no ringue e dar uns socos e pontapés para avaliar o jogo.

Apesar de ser tratar de uma versão ainda em desenvolvimento, deu para perceber como SF6 será revolucionário para a série em questão. Como fã destes jogos, diria desde sempre, achei a experiência excelente para novos jogadores mas, ao mesmo tempo, senti que os fãs mais sérios que seguem Street Fighter desde os seus primeiros dias não ficarão desapontados. Eu sei do que falo, porque perdi a conta às moedas que gastei nas arcadas e às horas de pancadaria que tenho no “cinto”. E com esta Beta, voltei atrás no tempo.

Vamos ser francos, os modos a solo nos jogos de luta são normalmente postos de lado, muito devido ao facto deste tipos de jogos ter quase sempre conteúdo reciclado do que já foi feito ao longo dos anos. A maioria destes jogos tem adicionalmente o modo arcade, como nos bons velhos tempos, onde se enfrenta um certo número de adversários até ao habitual chefe final. Para além disto, há sempre o clássico modo de sobrevivência, versus e pouco mais.

Alguns jogos mais recentes inseriram um modo de história, revelando ser, talvez, um modo arcade mais elaborado e com algumas cenas intermédias entre uma luta e outra. Tenho de admitir que já vi esta ideia muito bem implementada nos mais recentes Mortal Kombat e Injustice da produtora NetherRealm. Contudo, no final do dia, o que os jogadores querem é jogar online e enfrentar adversários de todo o mundo, é onde está a verdadeira alma dos jogos de luta.

Os jogadores realmente bons, que conseguem estar no topo das tabelas online, são uma minoria, enquanto a maioria terá prestações medianas, muitos ainda a dar os primeiros passos. Jogar online para ser sempre derrotado não diverte ninguém (sei bem do que falo) e, se a fórmula for desequilibrada em balanceamento de jogadores e personagens, mais cedo ou mais tarde, desistimos de jogar, apesar do entusiasmo inicial. Até porque nem todos os jogadores têm tempo para treinar.

Felizmente, este jogos dos últimos anos têm visto uma simplificação cada vez maior dos comandos e do tempo para a criação de combos. Mesmo assim, no online a diferença de habilidade e experiência dos jogadores é sempre evidente. Nada pode ser feito quanto a isso, cabe aos jogadores empenharem-se individualmente. No máximo, a produção pode favorecer uma jogabilidade ou interacção mais acessível e, depois trabalhar num bom matchmaking.

No meu ponto de vista, portanto, o conteúdo a solo pode ser mais elaborado, de modo a envolver mais os jogadores e apelar ao seu empenho, sem forçar, mas convidando a arriscar nos modos multi-jogador. E penso que a Capcom pensou nisso mesmo para este jogo. Acho que Street Fighter 6 está no caminho certo, graças ao seu modo World Tour, que parece querer revolucionar a forma como jogamos. Neste modo podem criar o vosso avatar e treiná-lo em todo o mundo desafiando vários adversários e aprendendo novos movimentos.

 

No fundo, é um jogo de gestão, dentro de um jogo de combate, no qual é possível explorar e fazer muitas outras acções diferentes. E não é um modo fácil de conceber, já que é necessário criar um género paralelo ao das lutas, com mecânicas diferentes, quase como um RPG. De facto, o Story Mode já não funciona por si só e apenas o modo Arcade pode não chegar para entusiasmar quem quer apenas começar a jogar. Desta vez, a Capcom fez algo positivo para a inclusão, a pensar em todos.

Pelo que vimos na versão Beta, em cada área poderemos falar com várias personagens, incluindo os grandes protagonistas da saga, como Ryu, Chun Li, Blanka e muitos outros, que também nos tomarão como discípulos, ensinando-nos os seus movimentos icónicos. Estes movimentos não serão utilizados apenas em combate, também são usados para superar alguns quebra-cabeças dos vários mapas presentes. Deste modo, exploramos novas áreas inicialmente inacessíveis, além de ganharmos novos objectos e também mais dinheiro para melhor personalizar o avatar.

A personalização é obviamente um dos principais aspectos deste modo. Permite comprar muitos tipos diferentes de roupa e acessórios e também personalizar os nossos movimentos. Isto cria misturas incríveis, como usar o clássico Hadoken e Yoga Fire de Dhalsim combinados. É possível criar misturas variadas, para combater outros NPCs espalhados pelo mundo do jogo, que provavelmente terão também as suas próprias combinações únicas. Será interessante ver se também podemos utilizar o nosso próprio lutador personalizado no modo online, o que criará uma variedade inédita.

Do que pude testar, parece que haverá também uma possibilidade sem precedentes de lutar contra mais do que um adversário de cada vez, numa espécie de “tag team” que pode também recorrer ao seu mestre para uma partida realmente interessante. Como “cereja no topo bolo”, haverá também muitos mini-jogos que parecem divertidos e preparatórios para aprender as mecânicas mais básicas do jogo. Isto é óptimo para dominar movimentos especiais e bloqueios perfeitos.

O modo World Tour é aquele que mal podemos esperar para tentar em primeira mão numa longa viagem cheia de lutas e encontros interessantes em torno do mundo virtual do Street Fighter 6. Ainda não sabemos se terá também uma narrativa ligada aos acontecimentos do jogo, mas o que tem sido mostrado até agora já é notável. Como já disse, agrada aos recém-chegados ávidos de aprender a jogar e dá motivo aos veteranos de explorar as suas capacidades.

O outro modo que experimentei na versão beta é o Battle Hub. Para além de manter a atmosfera alegre de um salão de jogos, provou estar cheio de actividades alternativas divertidas e interessantes. É como uma zona dedicada a batalhas com regras únicas, por exemplo uma espécie de “jogo do mata” explosivo ou um desafio a quem deixar cair o adversário várias vezes. Temos ainda a brilhante ideia de inserir modos de arcada de alguns jogos antigos como o Final Fight, o Street Fighter II original e muitos outros.

Ficou bem claro que este próximo jogo está a ser pensado até ao mais pequeno detalhe em todos os aspectos. Visualmente, tem momentos de elevada qualidade técnica, tanto ao nível de modelos, texturas e efeitos visuais, como nas próprias animações, tão importantes neste género. Enquanto que o anterior quinto capítulo não acertou bem no seu visual, falhando também devido a problemas relacionados com o seu desenvolvimento, especialmente durante o período de lançamento. Nota-se aqui um muito maior cuidado a nível técnico.

Nesta segunda Beta fechado quase nunca tive problemas técnicos que merecessem a minha atenção. O que é um feito, sendo uma Beta com muito trabalho de optimização pela frente. Mesmo online, com os diferentes adversários de todo o mundo, a performance esteve à altura, com muito poucos momentos em que o “lag” se tornasse um factor. O que prova o empenho da Capcom em criar um netcode competente, claramente para apoiar torneios online.

Claro que tudo depende sempre de vocês, os jogadores. Como dominam o jogo é 50% da vossa real apreciação da sua acção. Como disse anteriormente, é normal que nem todos tenham tempo para se dedicarem a jogar da forma quase perfeita. Contudo, notei que a curva de aprendizagem é bastante acessível até. Tudo será familiar para os veteranos, como não podia deixar de ser. Apenas é preciso rever alguns tempos e alguns movimentos novos. Mas, prefiro falar sobre isso quando o jogo completo for refinado e lançado.

Aliás, o nível de cuidado que a Capcom está a ter com este título, está de acordo com a elevada qualidade e polimento dos seus jogos mais recentes. Nos últimos anos, vimos títulos como Resident Evil 2 Remake, Devil May Cry V ou os diferentes Monster Hunter com uma qualidade invejável e um nível assinalável de atenção ao detalhe. Do que foi visto e analisado até agora, Street Fighter 6 poderá em breve tornar-se o novo jogo de luta de referência. E ainda só tivemos duas Betas.

Street Fighter 6 parece ter o que é preciso para ser um dos melhores da série, se não mesmo o melhor no seu género. Estes testes em Beta fechada excederam todas as minhas expectativas, surpreendendo-me continuamente e fazendo-me ansiar pelo que vem a seguir. Fãs de jogos de luta e da franquia Street Fighter, preparem-se para quando for lançado no dia 2 de Junho para PC, Xbox Series S|X e PlayStation 5. Nós vamos lá estar no ringue à vossa espera.