Dos vários espaços disponíveis no Moche XL Games World, foi a zona do Indie X que me consumiu mais tempo do evento. Por lá, estavam dezenas de jogos em exposição, a maioria portugueses e alguns estrangeiros, vindos de Espanha, Hungria, Polónia ou Brasil. A variedade era imensa e foi óptimo ver que existiam muitas pessoas a testar e a experimentar estes jogos que, não tendo uma produção milionária como a maioria dos jogos em exposição no evento, contam com algumas ideias interessantes por parte dos seus criadores. Muitos deles ainda jovens e a terminar projectos de cursos em videojogos.

Não tendo sido possível experimentar todos por questões de tempo, tive o prazer de ainda conseguir jogar alguns e conversar um pouco com os seus criadores. O primeiro que testei foi A Horde Too Many, um side-scroller num mundo apocalíptico que mistura elementos de shooter e RPG. Desenvolvido pela Digitality e com data de lançamento para Fevereiro de 2020, é um jogo divertido e com alguns elementos interessantes. Apesar de não ser muito inovador ou diferente do que já se encontra no mercado, conta com todos os elementos típicos deste género: sobreviver, coleccionar, construir e explorar. Visualmente está bom e os personagens e monstros estão bem feitos. O co-op também funciona bem e a diversidade de personagens acrescenta valor.

Exophobia é uma ode aos FPS retro, como o primeiro DOOM. Obriga-nos a procurar por armas e maneiras de abrir algumas portas para progredir no jogo e estamos constantemente rodeados de inimigos. É um shooter simpático e que me entreteve durante alguns minutos, tendo experimentado apenas uma parte de um nível e um combate com o boss final desse nível, sem dúvida o momento alto desta experimentação. Os movimentos da personagem são bastante fluidos e as animações são competentes.

Além de candidato ao Indie X, Prism Seekers também é um dos dez finalistas dos Prémios PlayStation. Desenvolvido pela Biga Forti Studio, trata-se de um um jogo cooperativo de plataformas com imensos puzzles. A nível de arte, tem algumas semelhanças com o clássico Hollow Knight, estando, no geral, bastante bem desenhado. As mecânicas entre as duas personagens funcionam bem e, apesar do conteúdo em demonstração ser pouco, deu para ficar com uma ideia positiva do jogo.

Outro dos finalistas dos Prémios PlayStation é Chronos, que foi aquele que me impressionou mais durante o evento. Sobre este jogo, convido-vos a lerem o meu artigo dedicado, uma vez que mereceu toda a minha atenção e apreço. Depois percebem.

Finalmente, experimentei Blox, um jogo no género tower-defense que mistura os conceitos de Blockchain e criptomoedas num engraçado título para dispositivos móveis. Visualmente, tem um visual bem concebido… para um jogo para plataformas mobile, obviamente. O conceito mistura um género clássico com uma temática bem viva na actualidade e, de certa forma, preocupante.

Apesar de não ter conseguido jogar mais títulos, até porque alguns deles já não eram inédito, tendo mesmo experimentado noutros eventos, o resultado final é bastante satisfatório para esta edição dos Indie X no Moche XL Games World.

É importante que zonas como estas tenham uma presença constant nos eventos de videojogos. E é também importante que tenham tendência a crescer. É um prazer enorme ver muitos projectos portugueses e com tanta qualidade a serem criados no nosso país. Mais importante ainda é que hajam meios de produção que consigam alavancar este jogos para um produto final ainda melhor e chegar a outros mercados. E aí, todos os que promovem estas iniciativas estão de parabéns.