Mais infoProdutora: Indoor AstronautEditora: Daedalic EntertainmentLançamento: 23/09/2020Plataformas: , , , , , Género: , ,

Após estar um ano em acesso antecipado no Steam, é finalmente lançado oficialmente Unrailed! Este é um jogo de construção ferroviária intensa e frenética, onde será necessário um grande esforço e cooperação por parte da equipa, de forma a cumprir o seu objetivo primário: Impedir o descarrilamento da locomotiva.

Unrailed! é o primeiro título lançado pela produtora independente Indoor Astronaut, que trabalhou arduamente no título em acesso antecipado. Agora que desenvolveram o jogo que realmente pretendiam, cabe-nos testar a sua lógica. Parece francamente divertido e com a devida dose de inovação. Mas, passado um ano, queremos ver se o fruto do seu trabalho, um party-game super divertido, caótico e bastante acessível a qualquer jogador, é merecedor da nossa atenção para umas boas horas de diversão.

Ao chegarmos ao menu inicial, somos introduzidos a um interface um pouco diferente do que estamos habituados. Para já, para começarmos o jogo ou para alterar definições, teremos de deslocar a nossa personagem para cima dos ditos botões só para selecioná-los. É uma interação que pode parecer estranha mas tem um objectivo muito claro. Esta é a melhor forma de ensinar aos jogadores como funcionará o resto do jogo. Ou seja, ainda estamos no menu e já estamos a jogar.

No que toca ao que é jogável, a premissa é simples. Ao dar-se inicio ao jogo, existe uma locomotiva que estará em constante movimento e cabe aos jogadores certificarem-se que esta não descarrile. A locomotiva é, sem dúvida, o elemento primário do jogo, carrega diversos vagões que possuem o essencial de construção, permitindo assim criação de novas peças para a construção dos carris. Para produzi-las é necessário usar o machado para cortar árvores e apanhar madeira e usar a picareta nas rochas para minar o metal. Após apanhar estes recursos, terão de ser colocados no vagão específico da locomotiva, de forma a produzir mais peças para serem colocadas no mapa e criar o carril necessário. O objectivo de cada nível é chegar à próxima estação.

Chegando à estação, será aberta uma loja onde podemos gastar os nossos parafusos dourados adquiridos, tanto os que ganhamos por chegar à estação como os que apanhados durante o nível. Esta loja contém diversas melhorias para a locomotiva, como a possibilidade de aumentar o número de vagões, produzir peças com mais eficiência, diminuir a velocidade da locomotiva ou acrescentar um vagão que produz dinamite, que é a melhor forma de limpar terreno e apanhar recursos, já agora. Este tipo de escolhas cria um elemento de estratégia. É essencial saber aplicar recursos de forma inteligente e gastar os parafusos dourados ganhos ao longo dos níveis.

Já referi que é cortar árvores e minar ferro, no entanto, existem outras preocupações que teremos de ter. Entre elas, garantir que a locomotiva não sobreaqueça. E também fazer pontes de madeira para facilitar a deslocação dos jogadores no nível e garantir que as nossas ferramentas não ficam para trás. Seria grande chatice perder uma picareta ou machado por distração. Poderemos também usar as pontes de madeira para procurar os parafusos dourados, previamente mencionados, que estão escondidos ou em lugares difíceis de alcançar. Contudo, os jogadores terão de analisar se têm tempo para apanhar estes parafusos ou se existem outras tarefas mais urgentes a serem realizadas. Caso esteja tudo sincronizado, rapidamente é possível apanhá-los e ainda cumprir o objetivo secundário que nos é pedido no inicio de cada porção do nível gerada.

Estamos constantemente a referir que é preciso manter a locomotiva em andamento mas o que significa isso? O modo principal, para mim o mais divertido dos três existentes, é o que tem sido descrito nesta análise, o modo Endless. Neste tipo de jogo, o mapa é gerado de forma aleatória existindo um ponto de partida e uma estação que está localizada a 35 metros de distância de cada uma delas. Como devem imaginar, o objetivo primário dos jogadores é construir a melhor rota para alcançar a estação, como já disse, evitando o descarrilamento da carruagem. Nada mais linear.

Os dois outros modos de jogos existentes são um pouco diferentes em rapidez e objectivo. Em Quick, os jogadores terão de alcançar apenas a primeira estação no menor tempo possível num dos mapas gerado. A outra opção é Versus, um modo de jogo que coloca duas equipas de dois elementos uma contra a outra, vencendo quem chegar primeiro à estação ou se a locomotiva da equipa adversária descarrilar primeiro. São modos igualmente divertidos, mas acabam por terminar mais depressa.

Apesar do foco estar na interação multijogador online, a produtora fez um excelente trabalho com a Inteligência Artificial. Caso o jogador decida jogar sozinho, o 2º jogador é substituído por um robot, ao qual podemos dar todos os comandos essenciais, como cortar madeira, apanhar ferro, reabastecer a carruagem, fazer pontes, entre outras tarefas. Existiu apenas uma ou outra instância em que a IA ficou presa em alguma secção mas facilmente se corrigiu dando outra instrução diferente. Assim, nunca tive um problema onde o jogo ficasse bloqueado ou sentisse que iriamos perder devido a algum inconveniente criado pela IA.

Uma mecânica interessante que foi implementada é a repetição do jogo, esta permite rever tudo o que foi feito do inicio ao fim como em qualquer outro jogo. Contudo, neste jogo o que é interessante é que esta repetiçaõ pode ser manipulada. Por exemplo, podemos acelerar o tempo de repetição, sendo possível criar um efeito de timelapse. Achei muito interessante podermos ver a repetição de um jogo que levou uma hora a completar ser visionado em apenas um minuto.

Algo que pode ser frustrante ao jogar online é a falta de comunicação entre alguns jogadores. Existem duas rodas de “emojis” e símbolos que podemos usar para nos expressarmos e comunicar, tanto no jogo, como na loja. Mas, se a comunicação falhar, não existe nenhuma espécie de controlo que impeça que um dos jogadores gaste, sem pensar, os nossos preciosos parafusos dourados em melhorias de vagões que nós não queremos ou precisamos. Aconteceu-me algumas vezes, podendo uma destas escolhas ser crítica para a sobrevivência da equipa.

Noutros lados, nota-se que o acesso antecipado do jogo pode não ter sido suficiente para limar todas as arestas. Um exemplo foram as falhas na música ambiente. Achei a banda sonora bastante boa, composta por diversas músicas com diversos estilos musicais e que proporcionam um ambiente relaxante, contrastante com as diversas atividades stressantes que se vão realizando. Infelizmente, em pelo menos duas circunstâncias, esta banda-sonora deixou de tocar, deixando apenas os efeitos especiais em plano de fundo. Depois de uma passagem na loja, este problema fica corrigido. Pareceu-me uma falha técnica que seria facilmente corrigível. Talvez numa actualização próxima.

Como podem ter reparado, o grafismo não é muito elaborado. Contudo, as paletes de cores utilizadas no jogo são bastante vivas e vibrantes, fazendo com que este estilo minimalista sobressaia em cada um dos diversos biomas existentes. Logo, independente de jogarmos no Deserto, no Vulcão ou no Espaço, de um modo geral, todas as cores e efeitos visuais são bastante apelativos. Cada um destes biomas também trazem consigo alguns elementos novos, o que torna cada área única e tornam necessária uma estratégia diferente de forma a conseguir chegar ao próximo checkpoint.

Veredicto

No que toca a jogos independentes, Unrailed! foi uma das grandes surpresas positivas deste ano. Prendeu-me bem nas horas e horas de diversão que gastei. Uma vez que os níveis são gerados automaticamente, existe sempre o elemento de novidade e de estratégia, que são únicos sempre que se inicia um novo jogo. É bastante viciante querer que a nossa locomotiva alcance distâncias cada vez maiores e melhorar a nossa pontuação. Se alguma vez pensaram em montar carris vestidos como um T-Rex ou um Frankenstein, esta será a vossa oportunidade!

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.