Mais infoProdutora: Two Point StudiosEditora: SEGALançamento: 25/02/2020Plataformas: , , Género: ,

Já dizia o velho ditado, “com a saúde não se brinca”. Mas, neste caso, temos uma boa desculpa. Há já algum tempo que Two Point Hospital nos diverte no PC, mas só agora chegou às consolas. Uma boa altura para uma ida ao médico, portanto.

Esta é a mais recente “encarnação” de um tipo de jogo que nos viciou em 1997, um tal de Theme Hospital. Quem diria que construir hospitais e geri-los ganharia uma legião de fãs? Pois bem, depois desse clássico incontornável da Bullfrog, alguns projectos tentaram seguir a mesma lógica, mas só um chegou verdadeiramente ao estrelato, este. Lançado no PC em Agosto de 2018 pela mão dos Two Point Studios e da SEGA, tivemos finalmente um projecto com todos os ingredientes que tornaram a gestão de hospitais tão viciante. Uma boa recepção e dezenas de actualizações depois, chegou a vez da PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch receberem este simpático jogo.

Convenhamos que, se tivéssemos aqui uma simulação realista do que a gestão de um hospital, não estaríamos tão entusiasmados de o jogar. Não só porque os hospitais são, regra geral, locais de sofrimento ou de angústia, como as doenças graves seriam complicadas de lidar em ambiente de jogo. Este é um título descontraído neste campo, lidando com tudo com imenso humor (às vezes bem negro), dando até um toque juvenil a quase tudo. Aqui não há doenças sérias. Alguém que sofre de “lightheadedness” (tonturas), na verdade tem uma lâmpada (light) na cabeça (head). E uma “pandemia” força as pessoas a andarem com uma frigideira (pan) na cabeça. Enfim, já terão uma ideia do espírito.

Mas, embora os padecimentos e tratamentos sejam fictícios, este é um jogo de estratégia e gestão em que a nossa atenção é dividida em vários aspectos da administração de uma organização complexa. Temos de receber os pacientes, encaminhá-los para a triagem, depois dar-lhes salas para tratamento, enfermagem, farmácia ou internamento e até especialidades para estas doenças estranhas. Para isso, temos de construir e apetrechar cada sala e anexo do hospital. Depois, logicamente, temos de os ocupar com profissionais especializados, entre pessoal auxiliar, tarefeiros e, claro, médicos e enfermeiros. O que à partida parece um jogo simples, torna-se rapidamente num jogo francamente complexo.

É que gerir pessoas é complicado. Ainda para mais quando temos situações pontuais de epidemias que testam a capacidade de resposta do hospital. Depois temos de gerir a satisfação do pessoal ou começamos a ter problemas, como ausências prolongadas na sala de recreio ou diagnósticos falíveis. Existe toda uma panóplia de quadros e menus para vermos como estamos a progredir, sobretudo se o nosso hospital tem lucro, perante gastos de staff e recursos. E a dada altura pode ser necessário expandir a área para outro edifício, ou simplesmente mudar ou alterar as salas existentes para melhor responder aos desafios.

Assim, lá mais para a frente o jogo deixa o seu lado “acessível” e leva-nos para grandes centros hospitalares com dezenas de pessoas para gerir e tratar. Também passamos a ter de lidar com críticas de locutores de rádio ou de inspectores, avarias nas máquinas e até questões de Recursos Humanos (como o infame pedido de aumento ou alargamento do staff). E é nestes momentos, quando vasculhamos os vários gráficos e quadros de estatísticas que descobrimos que atrás do seu aspecto simples, está um jogo complicado e, por vezes, exigente, sobretudo quanto a cumprir objectivos e tarefas secundárias.

Nascido num ambiente de PC com teclado e rato, porém, um jogo deste calibre, repleto de elementos no ecrã e com imensos quadros para consultar, poderá sofrer um pouco quando passado para as consolas. A versão por nós analisada na PS4 até se comportou relativamente bem nos primeiros instantes, com poucos elementos para interagir ou menus para consultar. Contudo, quando começamos a evoluir e a ter cada vez mais para fazer e consultar, senti que o interface não foi, de facto, feito para controlar com comandos. A adaptação é até engenhosa usando quase todos os botões do DualShock 4 mas, corre o risco de se tornar confusa sem um simples cursor para nos orientar.

No plano visual, este não é um jogo para puxar pela vossa consola, pelo que a versão PS4 pareceu-me bastante semelhante à do PC em termos visuais. Isto, obviamente, tirando só os pormenores únicos relativos aos menus e interface. A arte do jogo é inteiramente no estilo banda-desenhada, com animações exageradas e sem qualquer pretensão de ser minimamente realista. Diria que cumpre o objectivo, tornando-se tantas vezes cómica. Gostei particularmente do rádio de jogo, que entre músicas nos dá algumas “notícias” divertidas e que se enquadram perfeitamente no espírito.

Veredicto

Se gostam de jogos de estratégia, no género de gestão de parques ou similar, irão adorar Two Point Hospital. Segue a mesma linha descontraída do grande clássico de 1997 onde se inspira, Theme Hospital, sem tentar reinventar-se. Tive algumas questões com o interface, sentindo que o jogo não foi bem talhado para usar o comando, sendo mais intuitivo o uso do teclado e rato na versão PC. Ainda assim, é um excelente jogo, para quase todas as idades, com algum desafio e alguns elementos pedagógicos pelo meio, sem nunca esquecer o bom sentido de humor.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.