Mais infoProdutora: Squanch GamesEditora: Squanch GamesLançamento: 31/05/2019Plataformas: , , , Género: , ,

Do mesmo criador da franquia Rick and Morty, chega-nos Trover Saves the Universe. Com os cães desaparecidos e com todo o cosmos em perigo, só nós, com a ajuda do Trover, conseguiremos salvar o universo nesta bizarra aventura de comédia.

Justin Roiland tem-nos feito rir com a sua tresloucada série animada Rick and Morty. E agora volta a fazê-lo com o seu primeiro grande lançamento no mundo dos jogos e que marca também estreia do seu estúdio Squanch Games. Esta nova produtora de jogos foi fundada com a ajuda da Microsoft e da Epic Games. O resultado desta sinergia é este primeiro jogo que vão conhecer, em parte um jogo de quebra-cabeças, parte de acção e parte de plataformas, sempre com a comédia característica deste autor. O resultado é mesmo hilariante, tendo uma das histórias mais caricatas que já passaram aqui no WASD.

O jogo leva-nos a conhecer um lunático conhecido por Glorkon, que raptou os nossos cães e os usa como se fossem os seus olhos para explorar a sua essência vital e destruir o universo. Nós teremos o objectivo de os recuperar com a ajuda de uma personagem roxa, sem olhos e com pouco entusiasmo para salvar o universo. Honestamente, nem sequer está muito empolgado com a nossa presença. Se acabaram de questionar o que raio acabaram de ler, não estão sozinhos. A história não faz qualquer sentido. Lá pelo meio, acabamos por nos juntarmos a Trover, para salvar os bichos e, pelo caminho, o universo. Só…

Se Trover Saves the Universe vos parece estranho só lendo o enredo, fiquem a saber que esta é só uma pequena introdução à loucura omnipresente neste jogo. É fácil comparar Trover à tal série animada de televisão, por ter aquele humor peculiar, por vezes absurdo ou simplesmente bizarro. Mas, repito, nunca é um humor “fácil” ou simplesmente insano, acabando por ser hilariante quando entramos no seu espírito. No entanto, fica já o aviso, que se não acharem piada às outras criações de Justin Roiland, o mais provável é nutrirem o mesmo sentimento por este jogo.

O esquema de controlos é bastante peculiar, claro. Porque fazemos parte de uma espécie conhecida por “Chairorpian”, oriunda de um planeta onde os seus habitantes estão perpetuamente ligados a cadeiras, as nossas opções são muito limitadas. Conseguimos carregar em botões, teleportar-nos para sítios específicos do mapa e elevar a nossa cadeira para ver melhor o que nos rodeia. Perceberam a analogia? Sim, somos uma caricatura de nós próprios, seles confinados a uma cadeira a fingir que… jogamos um jogo… ok.

Para controlar os nossos movimentos temos um comando muito semelhante a um DualShock 4 mas, como devem calcular, com as tais limitações seria um jogo francamente aborrecido. E é aí que entra o nosso tresloucado parceiro Trover, um alienígena roxo de aspecto humanóide e que usa pequenas criaturas, conhecidas como Power Babies, no lugar dos seus olhos, servindo estas para ganhar novos poderes (eu avisei que era estranho). Trevor irá guiar-nos enquanto… o guiamos… através dos nosso pontos de teleporte. Uma confusão que até fará alguma lógica, fiquem descansados.

Trover tem em sua posse um telepod para ajudar a mudar de nível, além do que só podemos descrever como uma espécie de “sabre de luz” de outras “guerras espaciais”. O controlo de Trover é feito como um típico jogo de acção na terceira pessoa, incluindo algumas plataformas, combate e exploração.  A jogabilidade deste título acaba por ser uma mistura entre a nossa primeira pessoa e terceira pessoa de Trover, onde vemos tudo a partir do ponto onde estamos sentados e controlamos o alienígena pelo mapa, bem ao estilo de Moss e Astro Bot, dois jogos que também nos deram essa nova visão do VR.

A produtora desenvolveu este título como sendo um exclusivo PlayStation VR. Contudo, durante a produção, a equipa reparou que a sua jogabilidade funcionava igualmente bem mesmo sem a ajuda da Realidade Virtual. Assim sendo, Trover Saves the Universe ganou também a possibilidade de ser jogado sem o PS VR, estando nos planos também chegar ao PC,  igualmente com ou sem VR. Fico na dúvida se será tão interessante sem a realidade virtual, mas penso que só o humor basta para vos deixar agarrados ao jogo.

Tendo em conta a descontracção do enredo, que certamente não pretende que seja levado a sério, esta sua jogabilidade simplificada funciona bastante bem. As secções com plataformas e os vários puzzles em si não são particularmente difíceis. Nos poucos poucos momentos em que me pareceu mais moroso, levei apenas uns poucos minutos a descobrir a solução. Na verdade, é tudo bastante intuitivo, bastando que estudemos bem o que nos rodeia e usemos um pouco dessa massa encefálica que devem ter.

Na parte final do jogo, há mais algum desafio à nossa espera. O combate fica mais difícil, não porque hajam manobras ou golpes mais complicados, mas porque enfrentamos vários inimigos de uma vez. Para os derrotar é preciso alguma táctica e destreza. Ainda assim, sinto que não é nada muito profundo ou particularmente complexo. Talvez o maior problema seja mesmo a situar Trover no local exacto para os ataques que precisamos de fazer. O que é mais uma questão de hábito que propriamente alguma perícia.

Em termos de grafismo, o jogo conseguiu surpreender-me pela positiva. Não por ser algum colosso foto-realista, mas por ter um grafismo simples, funcional e muito colorido, bem ao jeito da banda desenhada. Cada nível que visitamos é um mundo totalmente novo e não há nenhum igual entre si. Tal como a história, o design do jogo é absolutamente bizarro, com algumas criaturas e locais igualmente estranhos. O que só ajuda na envolvência tresloucada que serve de base a este título.

No que toca ao áudio, quanto a mim é onde o jogo realmente brilha, principalmente com todas as prestações dos actores que emprestam a voz aos diálogos, por vezes profundamente cómicos. Trover não passa 2 segundos sem falar e a mandar “bocas” sobre alguma coisa que fizemos menos bem ou então sobre o facto de não lhe apetecer salvar o universo. Por outro lado tem sempre algumas dicas para a tarefa que temos em mãos. São horas e horas de diálogo com piadas, algumas absurdas, mas que nos levam a um sorriso.

Veredicto

A Squanch Games queria dar-nos um jogo diferente e cheio de comédia. E com Trover Saves the Universe, para dizer a verdade, conseguiu esse feito. É um jogo com mecânicas conhecidas, sim, mas estão todas misturadas de forma hilariante. Também tem aquela que considero uma das histórias mais estranhas que jamais joguei. Contudo, graças ao empenho de trazer um jogo verdadeiramente hilariante, é uma excelente experiência de entretenimento VR, com uma qualidade visual muito interessante.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.