Mais infoProdutora: Cyanide StudioEditora: Bigben InteractiveLançamento: 27/06/2019Plataformas: , , Género: , ,

Mais um ano, mais um título nesta franquia. Pro Cycling Manager 2019 no PC, Tour de France 2019 nas consolas, o jogo de estratégia e gestão de ciclismo do Cyanide Studio lá vai apelando aos seus fãs, ano após ano, sempre a pedalar…

… mas, isto tem um preço. Os jogos anuais, sobretudo de desporto, correm sempre um sério risco de serem meras actualizações de bases de dados sazonais. Ainda por cima, tratando-se de um desporto tão peculiar como é o ciclismo, em tempos idos bem mais popular que é agora. Contudo, a produção sempre conseguiu trazer um jogo sólido, pelo menos para os fãs que procuram a sua “dose anual” de simulação. O que resulta num novo título a cada ano com relativo sucesso e umas quantas tentativas do estúdio de adicionar mais uns poucos pormenores à jogabilidade. Ainda assim, é perfeitamente discutível se se justifica um jogo por ano. Afinal, o desporto em si não tem assim tanto para acrescentar a cada ano. E no PC até é possível actualizar as bases de dados via modding.

A justificação para este novo PCM/TDF 2019 é que há novas etapas na lendária prova Francesa, assim como outras provas mundiais, como a espanhola La Vuelta, uma vez mais recriadas com rigor. Outras novidades prendem-se com o modo de carreira, com Pro Cyclist a ter uma nova árvore de habilidades e os contratos agora terem novas opções de objectivos. Também houve melhorias no sistema de inteligência artificial, com a produção a prometer uma IA bem mais “realista” em prova. Além disso, também o menu de jogo e o interface mereceram uma remodelação, algo que já há muito se pedia. Esta é a lista completa de novidades inseridas na edição de 2019. Será o suficiente?

A resposta é sempre complicada de dar, sobretudo se não forem particularmente fãs de ciclismo ou de jogos de gestão (manager). Por um lado, esta série não tem grande margem para melhorar o que oferece, garantindo que replica uma competição anual num formato de estratégia. A mistura entre simulação e entretenimento está estabelecida há várias edições, num formato, diria, “fechado”, com uma curva de aprendizagem algo elevada. Assim sendo, inovar num novo título anual só iria complicar esta fórmula. Talvez fosse essa a lógica da produção para nos trazer o que considero virtualmente o mesmo jogo de 2018, com uma cara “lavada” e mais uns troços na prova.

E quando digo que temos “virtualmente o mesmo jogo” fui mesmo preciso nesta afirmação. Por incrível que pareça, não é só a jogabilidade que não têm sido muito alterada a cada novo título. Visualmente, o jogo apresenta-se praticamente igual à edição do ano passado (com os ciclistas com a mesma cara repetida e tudo, vejam acima), pelo que nem vou abordar muito esse aspecto técnico. Também a gestão da equipa, especialmente em prova, não sofreu quaisquer alterações de grande importância, continuando a ser um jogo de pura estratégia e não uma corrida linear. Por outras palavras, quem achou esta jogabilidade um tanto aborrecida no passado, não vai encontrar aqui grandes alterações para mudar ideias.

Também os bugs de longa data são persistentes na edição de 2019. Encontrei imensas inconsistências nas animações e lógicas, que já vêm de trás. Não são profundas, muitas delas são cosméticas ou simples “soluços” na programação, note-se. Mas, há ainda bugs recorrentes, como o que pode corromper o savegame no PC quando atingimos a segunda temporada. Aconteceu-me no ano passado quando analisei a versão PC e obrigou-me a procurar uma solução improvisada para continuar a jogar. Neste ano, pensei que o problema tinha sido resolvido… mas, não. Nos fóruns do jogo no Steam o bug lá continua a dar dores de cabeça a fãs e a produtores. O que só me deixa a indagar se este não é, de facto, o mesmo jogo com uma actualização de conteúdo.

Repetições e bugs à parte, sejam repetentes ou novatos, PCM/TDF 2019 tem muito para oferecer, se o ciclismo é algo que apreciam. Além o óbvio Tour de France, o jogo também oferece o campeonato do mundo desta disciplina desportiva, que nos leva a gerir uma equipa a participar em várias provas mundiais, totalizando mais de 200 corridas e mais de 600 etapas para percorrer. Se o bug do savegame deixar, vão andar por estes modos durante algum tempo. E, depois, podem sempre aventurar-se pelo online onde 16 jogadores podem disputar o pódio, um modo que considero dos mais desafiantes, mesmo com IA mais apurada neste ano. Não é alguma falta de conteúdo, mesmo que seja algo repetido a cada ano, que vos fará queixar.

Também tenho de louvar as tais alterações na lógica de progressão no modo Pro Cyclist. Confesso que sempre achei este modo de carreira um tanto facilitado demais. Com a nova lógica, há um acréscimo notório na dificuldade que, quanto a mim, beneficia o jogo. Não é que seja masoquista, num jogo já de si complexo e tão único. No entanto, se a jogabilidade não oferece o devido desafio, também não torna o jogo interessante. Os novos objectivos por contrato são desafiantes, a IA refinada dá-nos mais trabalho e a escolha de habilidades é crítica. Afinal, sendo um jogo de gestão, é preciso mesmo… gerir… como deve ser.

Veredicto

Esta nova entrada na série, bem que podia ser mais inovadora. Em Pro Cycling Manager 2019 ou Tour de France 2019, temos realmente pouca inovação para justificar um novo jogo. Nota-se que o Cyanide Studio entrou no “pelotão” e está só a gerir energia a cada nova etapa, o que é, ironicamente, uma boa analogia ao desporto em si. Embora possua também muito conteúdo e umas poucas inovações bem vindas no modo de carreira, não posso deixar de achar que é “mais do mesmo”, desejando sinceramente que a produção reveja o seu “modus operandi” para que a edição de 2020 não falhe no sprint.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.