Mais infoProdutora: Cyanide StudioEditora: NACONLançamento: 04/06/2020Plataformas: , , Género: ,

Adiada para final de Agosto a lendária Tour de France 2020, por agora, só pode ser seguida através desta nova edição na série homónima do Cyanide Studio. E esta nova edição tem bons argumentos para os entusiastas do ciclismo.

Ano após ano, Pro Cycling Manager no PC e Tour de France nas consolas são os dois jogos de referência do ciclismo profissional. Ambos proporcionam o que de melhor se faz neste tipo tão peculiar de simulação. Sem grande concorrência, porém, a produção pode se sentir compelida a simplesmente repetir o conteúdo do ano anterior, dando-lhe uma limpeza cosmética e uma ou outra novidade de maior ou menor relevância. Confesso que me pareceu sempre que esta série sofria dessa repetição. Este ano, porém o estúdio Cyanide resolveu implementar umas quantas novidades que, francamente, já faltavam. E é caso para dizer que, a cada edição, esta série melhora a olhos vistos.

O que se pede de um jogo destes? Que seja minimamente fiel à realidade, que nos dê um controlo realista e que seja uma boa representação da atmosfera do desporto, sobretudo para os fãs. Não se pode dizer que o ciclismo seja tão popular hoje em dia como foi outrora. Ainda assim, possui a sua legião fiel de fãs. Todos os anos, o Tour de France (e também a nossa “Volta a Portugal”) reúne imensa gente à beira da estrada para ver os ciclistas lutar contra a fadiga e atingir a glória da camisola amarela. Infelizmente, devido à COVID-19, neste ano a prova real foi adiada para 29 de Agosto e é bem possível que seja mesmo cancelada, dadas as restrições de grandes eventos com aglomerados de pessoas.

Virtualmente, porém, não existem riscos de contágio, pelo que os míticos estágios da Tour estão repletos de espectadores, numa autêntica festa que percorre uma boa porção das estradas Francesas. Uma vez mais, temos a Tour de France 2020 nas consolas PlayStation 4 e Xbox One e também no PC, plataforma que também recebe a versão mais “estratega” de Pro Cycling Manager 2020. Se nos anos anteriores pudemos experimentar estes dois jogos em paralelo, este ano ficamo-nos pela versão das consolas, mais precisamente na PlayStation 4. E, honestamente, é a versão mais acessível.

Mesmo que tenha seguido esta série desde há alguns anos, confesso que ainda hoje me causa alguma confusão deambular pelos menus complexos de Pro Cycling Manager. Pelo que a versão Tour de France, mais simplificada e “directa ao assunto” sempre me atraiu mais. Como em todos os jogos de simulação de um nicho tão peculiar de desporto, qualquer pessoa que chegue a este título sem conhecimento das terminologias, estratégias e regras desta competição ficará um pouco perdida. O que só causa ainda maior confusão a quem nunca pegou num jogo desta série.

Assim, aconselho vivamente os recém-chegados a passar pelo tutorial do jogo para aprender e assimilar todos os pormenores preciosos da estratégia. Esta aprendizagem poderá até mesmo dar-vos outro respeito por estas provas profissionais. Até porque é muito fácil cometer erros pela inexperiência. Por exemplo, tentando fugir ao pelotão demasiado cedo ou dando uma passada demasiado rápida ao longo da prova que deixe os ciclistas exaustos na fase final. Este não é apenas um passeio em grupo num fim de semana com bicicletas caríssimas e calções justos.

Este ano, temos todos os 21 estágios desta corrida, recriados em 23 dias (com dois dias de intervalo pelo meio). Um destaque neste ano é a inclusão do percurso de Liège-Bastogne-Liège, um clássico circuito, inédito nesta série e que se junta a outras corridas adicionais. Outras novidades de assinalar são um pelotão mais agressivo e uma revisão nas lógicas dos segmentos de contra-relógio, em que é preciso uma boa gestão de energia. Mas, quem sabe a principal novidade e algo que há muito fazia sentido neste jogo, é uma nova perspectiva de câmara na primeira pessoa quando controlamos um ciclista.

Contudo, não pensem que este é mais um jogo para controlar um corredor e lutar pelo primeiro lugar. Há, obviamente, um incentivo a ser o mais rápido, sobretudo no contra-relógio. Contudo, este é, essencialmente, um jogo de estratégia. Até porque não escolhemos um corredor para jogar, mas sim uma equipa inteira. O ciclismo profissional é um trabalho de equipa e é por isso que há imensas opções de estratégia e personalização da equipa a ter em conta. Controlar um ciclista num sprint é apenas uma parte mais prática da prova. A real estratégia está na forma como a equipa luta por esses lugares cimeiros.

Como disse acima, há uma importante componente da gestão de energia dos corredores. Gastem-na de forma regrada no início das corridas e nas secções mais rápidas e poderão guardar “estofo” para chegar ao fim. Este é também um jogo de paciência, de gestão de oportunidades e de controlo na passada de vários ciclistas. O objectivo é o pódio, é certo, mas também terminar a corrida em boas posições no geral para pontuar. Para isso, temos sempre o treinador a falar-nos ao ouvido e a dar-nos dicas preciosas que devemos seguir.

Tudo isto somado, temos um jogo com uma boa jogabilidade, elevado nível de aprendizagem e realismo quanto-baste para os entusiastas. Contudo, no campo técnico, apesar dos momentos mais bonitos, na PlayStation 4 encontrei algumas questões técnicas que estragam um pouco a experiência. Tive algumas quebras de performance em algumas secções com mais objectos no ecrã, como quando estamos “embebidos” no pelotão numa zona com mais espectadores. E, ao fim de tantas edições, ainda encontramos faces e animações repetidas, o que causa uma quebra enorme no realismo pretendido.

Veredicto

Qualquer fã de ciclismo que se preze, dará o devido valor ao real Tour de France, como uma das principais provas a nível mundial para este desporto. Uma vez mais, a sua representação pelo Cyanide Studio é um trabalho de paixão desta equipa. Tour de France 2020 não é só uma repetição de conteúdo dos anos anteriores. Contém uma revisão em algumas mecânicas do pelotão e a importante perspectiva na primeira pessoa para dar a devida imersão. Se é o suficiente para cativar novos jogadores, é obviamente discutível. Mas, os entusiastas têm aqui mais uma justificação para voltar a “dar ao pedal”, sobretudo se a prova real corre o risco de nem acontecer neste ano tão atípico.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.