Mais infoProdutora: Carbon StudioEditora: Carbon StudioLançamento: 12/03/2019Plataformas: , , Género: ,

A Realidade Virtual já nos permitiu encarnar personagens e levou-nos a “viver” mundos que, de outra forma, não seria possível. O que faltava era a ambição de The Wizards. Neste título, somos autênticos feiticeiros e caçamos monstros com a ajuda de magia.

Este é um titulo de aventura na primeira pessoa, lançado no ano passado para Oculus Rift e HTC Vive. Entretanto, foi só agora com o seu lançamento para o sistema PlayStation VR, que tivemos a oportunidade de o experimentar. E posso já adiantar que é uma das aventuras mais promissoras que já experimentei, pelo menos com esta fórmula VR e num mundo repleto de magia. Conta com uma boa duração de campanha e, o melhor de tudo, tem a possibilidade de nos deixar criar os feitiços, recorrendo a gestos específicos. O que pode parecer algo simples, mas acabou por ser um dos destaques, com irão ver.

Logo desde o seu início, este título começou a deslumbrar-me. No primeiro menu que nos permite escolher o idioma do jogom, vemos as nossas mãos virtuais com umas luvas de um mago, capazes de lançar um raio para fazer a nossa selecção. Esta é provavelmente a melhor forma de cativar um jogador desde o primeiro segundo. E não passa muito tempo até estarmos numa área de treino, sem qualquer noção de história do jogo ou o que nos levou para ali, mas já estava rendido. Esta área permite-nos ter o primeiro vislumbre do grafismo impressionante do jogo, com várias ruínas a flutuar e uns cristais vermelhos que servem basicamente como alvos. Para uma experiência VR tem já óptimo aspecto.

Mas, sendo este um jogo de acção, se não temos uma arma, nem sequer um simples punhal, como vamos interagir? Obviamente, com bolas de fogo, o primeiro feitiço que aprendemos a conjurar. Só que ser feiticeiro exige destreza. Em vez de carregar num simples botão para activar a bola de fogo, é necessário colocar o punho fechado virado para baixo. Depois, rapidamente virar a mão para cima. A bola de fogo surge e fica pronta a atirar. Não há limite para a número de feitiços que podemos criar e, ao longo só jogo, irão desbloquear mais feitiços. Mas, já lá vamos.

Uma vez concluído o tutorial, temos à escolha dois modos de jogo: A campanha, o seu modo principal para um jogador, além de um modo chamado de Arena. Ao escolher a campanha, embarcamos na missão de salvar Meliora, uma terra repleta de fantasia com Ogres, Goblins, Dragões e, como seria de esperar, muita magia. Este enredo divide-se por uma série de níveis, contando a história de forma seguida e algo previsível. Se mais nada fizer, tem o objectivo de nos entreter e dar volume ao jogo. Agora, não esperem aqui um grande épico narrativo à vossa espera.

Apesar de haver um esforço em prol da variedade dos cenários, o ritmo da jogabilidade não é muito original. Isto porque a maioria dos níveis contam sempre com o mesmo conjunto de objectivos: Explorar a área até encontrar inimigos, matar todos e avançar para a área seguinte. Por vezes, há alguns objectivos secundários para abordar. Contudo, são tão simples que acabam por ser quase irrelevantes. As batalhas com os bosses, por seu lado, até oferecem alguma variedade, mas também não chegam. A repetição é notória até chegarem ao fim da campanha, que dura umas 6 horas.

Felizmente, o seu modo Arena muda todo o ritmo do jogo sem tocar na formula do jogo. Para mim, apesar de ser um modo secundário, foi do que mais me entreteu na sua oferta. Relativamente a campanha, aqui o foco é mesmo a acção, pondo de lado o tal elemento de exploração. O objectivo é defender-nos das várias ondas de inimigos que surgem. Porque nos focamos mais nos feitiços em si, por vezes de forma algo frenética, pareceu-me focar-se (e bem) no que de melhor este jogo oferece.

A melhor parte da oferta deste jogo é, sem dúvida, a tal criação de feitiços. Porque temos, de facto, gesticular de forma específica para conjurar cada um deles, já devem imaginar o que a minha mente “geek” andou a fazer nas minhas horas de teste. No total, teremos seis elementos básicos de feitiços diferentes. Entre eles estão raios, bem ao estilo de Darth Sidious em Star Wars, um arco e flecha ou um escudo mágicos, só para nomear alguns e não estragar-vos a surpresa. Apesar da diversão garantida, não era mal pensado haver um pouco mais de variedade e talvez mais uns quantos feitiços para explorar. Mesmo com a possibilidade de melhorar cada um.

Por mais que tivesse gostado da fórmula de jogo, nem tudo correu bem. Ao longo da campanha houve alguns momentos em que os gestos não eram bem interpretados. Talvez pela tensão do momento acabei por gesticular depressa demais, é possível. Seja como for, uma vez que temos de decidir o melhor feitiço para derrotar certos inimigos, damos por nós a mudar constantemente entre cada um. O que nem sempre resulta na melhor “dança da chuva” para quem nos observa fora do jogo (tentem jogar sozinhos, a sério). A solução para mim foi fazer sempre os gestos de forma calma e sem quebrar o ritmo da acção.

Na parte técnica, tendo de dar um bom destaque também aos efeitos sonoros. Há um bom trabalho nas vozes, a própria banda-sonora é competente, ao ponto de nos deixar empolgados. Isto, enquanto os nossos olhos são constantemente bombardeados com efeitos coloridos de todas as direcções. Como já mencionei acima, adorei toda a arquitectura e design do jogo, mas também tenho de realçar a forma como os ambientes nos convidam a explorar os mapas. Há sempre curiosidade em saber onde vão dar os vários caminhos por onde passamos. Só tenho pena que os inimigos tenham algumas texturas menos trabalhadas e acabam rapidamente por cair na repetição, mais vítimas da falta de variedade.

Veredicto

The Wizards: Enhanced Edition, proporcionou grandes momentos de diversão e entrou directamente para o meu top pessoal de jogos VR. Ainda assim, sinto que precisava de mais variedade de feitiços e, sem dúvida que mais modos de jogo o beneficiariam bastante. A interacção por gestos é, sem dúvida, um dos destaques do jogo. Consegue compensar as pequenas lacunas que impedem de brilhar mais, como a pouca variedade de inimigos e a campanha meio insípida. Em suma, esta aventura revelou-se a uma agradável mudança aos típicos shooters que encontramos na realidade virtual. E agora, se me permitem, vou vestir o robe e electrocutar uns ogres… ou alguém me vai filmar a gesticular de forma estranha…

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.