Mais infoProdutora: Bossa StudioEditora: Bossa StudioLançamento: 27/08/2020Plataformas: Género:

O Bossa Games Studio, um estúdio britânico mais conhecido como “weird and wonderful”, devido aos seus jogos excêntricos mas acima de tudo divertidos, está de novo no activo. Esta é uma sequela de um jogo que nos divertiu imenso. Temos consulta marcada com Surgeon Simulator 2, agora com novas receitas para aviar.

Às vezes, não é preciso muito para agradar os jogadores. A ideia certa, na hora certa, muitas vezes consegue ser a faísca necessária para explodir o sucesso de um título. Alguns dias atrás, assistimos a este fenómeno com o desconhecido Fall Guys, um jogo simples que faz da física e do riso fácil, dois dos seus pontos fortes. Há alguns anos apareceu um título uma fórmula diferente, mas ao mesmo tempo semelhante. Estou a referir-me obviamente a Surgeon Simulator, um jogo “esquisito”, mas com uma ideia original capaz de entreter, não tanto pela sua jogabilidade sofisticada ou pela precisão do jogo, mas devido às situações absurdas falta total de seriedade. Enfim, um jogo onde os cirurgiões eram descuidados, rudes, malucos e, apesar disso, ainda conseguiam trazer excelentes resultados, salvando a vida de pacientes. 7 anos depois, temos connosco a sequela, com alguns ingredientes novos na fórmula e com a promessa de nos divertir ainda mais.

O primeiro Surgeon Simulator deve muito do seu sucesso aos chamados influenciadores, Youtubers e pessoas que foram partilhando a sua experiência e fizeram a fama do jogo crescer. Cresceu mesmo e foi sempre respondendo às expectativas, isto sem enredos complexos, jogabilidade apurada na perícia ou sequer alguma personagem forte. Então eu pergunto, como se prepara um segundo capítulo de algo que funcionou tão bem e que, à sua maneira, conquistou um espaço no “Olimpo” dos videojogos? Que adição poderia justificar esta sequela? É simples. Se há coisa que o primeiro jogo tinha em falta, era o elemento multi-jogador. E ele aí está com uma nova fórmula de acção cooperativa.

O sistema de jogo em Surgeon Simulator 2 não é assim muito diferente na sua base. Continuamos a ver toda a acção na primeira pessoa, com aquela mão completamente inapta e todo o foco continua a ser nas cirurgias mais rocambolescas (agora são ainda mais loucas, já lá vamos). Contudo, para aumentar a interacção e justificar os jogadores extra, foram adicionados pequenos quebra-cabeças e umas lógicas de ferramentas médicas para dar mais urgência à coisa. Depois de algumas horas de jogo, no entanto, a sensação que ficou é a de ter uma expansão da ideia origina, ao invés de uma verdadeira revolução.

Caso seja a vossa primeira vez nesta franquia, serão recebidos por meio de um tutorial que explicará o básico para cortar membros dos pacientes, substituir órgãos e tentar tornar-se o melhor cirurgião do vosso bairro. A mecânica, como disse há pouco, é extremamente simples e tudo o que o que é preciso fazer é simplesmente completar uma operação pré-definida, evitando que o paciente morra por nossa culpa.

Não existem dois níveis iguais neste “simulador”. Ao contrário do seu antecessor, é necessário resolver uma série de quebra-cabeças para conseguir uma nova perna para Bob, por exemplo. Estes puzzles envolvem aceder a salas fechadas, encontrar chaves para destrancar portas, activar correias transportadoras ou esgueirar por aberturas. Alguns níveis são simples, com tudo o que é preciso para concluir uma cirurgia. Mas, há outros níveis incrivelmente complexos, com muitas partes móveis e quebra-cabeças interligados para decifrar, antes mesmo de começarmos a sujar a bata.

De notar que para albergar tudo isto, agora os blocos de operação são bem mais amplos e podem ser navegados na sua extensão. O melhor disto é que todos os níveis desta campanha foram feitos com a mesma ferramenta incluída de criação de cenários, uma ferramenta fácil de usar e em que os jogadores podem até partilhar as suas criações online. Isto, não só aumenta a oferta de níveis criados pela comunidade, como dará aos mais criativos uma uma enorme quantidade de liberdade e poder.

Muitos destes níveis foram criados com o cooperação em mente, forçando os jogadores a trabalharem em conjunto para resolver quebra-cabeças e reunir as ferramentas, drogas e partes do corpo necessárias para a cirurgia. Como devem calcular, torna-se hilariante jogar com amigos ou desconhecidos. Mas, é ao mesmo tempo caótico ter quatro pessoas a correr à volta de Bob, fazendo barulho e agitando instrumentos médicos perigosos. Do que mais me ri foi das situações caricatas em que as personagens se mexem. A maneira como o braço de cada jogador se posiciona é incrivelmente estranha, especialmente quando estão a tentar controlar um bisturi.

A parte “jogo” de todo o processo, porém, não é bem isto. São obviamente os métodos não ortodoxos de fazer uma cirurgia, sendo capaz de literalmente rasgar órgãos e costelas com as próprias mãos e, em seguida, substituir suavemente um par de pulmões. Ou, então, pegar numa serra para cortar a cabeça e substituí-la por outra. Como devem ter percebido, o tom de todo o jogo está realmente longe do realismo, apesar to título “Simulator”. Aqui, o humor substitui a tensão que seria causada se isto se tratasse de uma cirurgia real. O caos que surgirá durante as operações faz parte de uma certa imprevisibilidade capaz de tornar cada sessão tão peculiar, que a cirurgia em si quase fica para segundo plano.

É que todo o jogo gira em torno do descuido e os comandos para controlar o único braço que temos à nossa disposição são, no mínimo surreais. É possível esticar ou encolher o braço esquerdo (sim, todos aqui são canhotos), podemos girar o pulso e até agarrar qualquer objecto que estiver ao nosso alcance, desde as mais simples seringas até fusíveis para abrir portas. Mas, nada disto é fácil intuitivo ou realista.

A diversão está em tentar controlar estes utensílios, na realidade. Imaginem usar um serrote para retirar um membro com esta baixíssima precisão de controlos. Como devem calcular, cria situações absurdas e engraçadas. No entanto, quando é necessário carregar em botões ou apanhar outros objectos, a diversão pode rapidamente transformar-se em frustração. E este é o ponto onde o ténue equilíbrio entre o jogo e a piada se perde. Se uma porta estiver a impedir a nossa passagem e tivermos o nosso caro paciente Bob a esvair-se em sangue, tudo o que seja empecilho, neste caso péssimos controlos, começa a estragar a experiência. Sim, parte da piada é isto, especialmente se estiverem a jogar com amigos. Mas, tem de ser jogável. E por vezes é só caricato.

Além destes novos elementos multi-jogador, há ainda outras novidades. Em linha com a actual lógica do mercado, temos recompensas baseadas em operações concluídas, às quais podemos receber elementos estéticos para personalizar a nossa personagem. Estas pode ser roupas ou chapéus, por exemplo. Nada de grandes modificadores de imagem. E não posso enfatizar mais o editor de níveis que mencionei anteriormente. Tudo junto, dá mais longevidade a este título, oferecendo-lhe mais elementos de jogo. Se servem para justificar a expansão de dimensão e o elemento online, só o tempo o dirá.

Se leram o nosso acesso antecipado, recordarão que um dos maiores problemas que encontrámos foi preencher sessões com mais jogadores. Embora, de facto, conseguisse jogar com mais pessoas em mais ocasiões, nem sempre foram sessões completas. O que pode ser um sintoma de uma certa falta de adesão a este jogo. Por outro lado, outro elemento que falámos foi do aspecto visual do jogo. Como seria de esperar, aqui não há grandes surpresas. O jogo continua a levar tudo no plano da caricatura, sem grande esmero em texturas, modelos ou animações. Está é linha com a sua eterna caricatura a uma das profissões mais delicadas do mundo.

Veredicto

Surgeon Simulator 2 expande e amplifica a fórmula do capítulo original, transformando a experiência tão compacta, num novo jogo cooperativo para quatro jogadores. Embora o título possa ser jogado sozinho, na companhia de três outros amigos ou desconhecidos é onde brilha. Até porque as várias operações são planeadas estritamente para serem resolvidas por vários elementos. Os pequenos quebra-cabeças ambientais e o novo editor de mapas também expandem bastante a diversão. É uma evolução clara do jogo anterior, numa fórmula ligeiramente maior. Só temos dúvidas se era isto que os fãs queriam realmente.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.