Mais infoProdutora: CapcomEditora: CapcomLançamento: 03/04/2020Plataformas: , , , , Género: ,

Um remake de Resident Evil 3 foi algo que todos especulámos, dado já ter havido uma reedição do segundo título desta série, lançado no início do ano passado. Um ano depois, estamos de volta para analisar este tão aguardado título da Capcom. E é sempre um feito de cada vez que derrotamos o infame Nemesis… agora ainda mais feio em HD.

Segundo a produção, este projecto estava, de facto, dependente da forma como o título anterior seria recebido. Para justificar um investimento no que é praticamente um novo título, a sua recepção e, acima de tudo, as suas vendas teriam de ser significativas. Após as suas inúmeras nomeações e prémios e com mais de cinco milhões de unidades vendidas, ficou claro que Resident Evil 2 Remake foi um dos melhores e mais bem recebidos títulos desta mítica série, desde Resident Evil 7. Agora com esta nova reedição nas nossas mãos, só esperamos que seja tão bom ou melhor que a aventura que nos levou a conhecer Raccoon City. Não percamos tempo, então…

Jill Valentine está então de volta. E, como puderam ver no trailer acima, está bastante mais bonita e menos pixelizada. Tal como Claire Redfield e Leon Kennedy no início de 2019, traz consigo toda a “glória” tecnológica, possível apenas com o motor gráfico que foi inaugurado com Resident Evil 7. Mas, já falaremos deste seu aspecto visual. Por agora, temos de falar do enredo, sobretudo para quem não conhece o clássico. Apesar de ser uma sequela directa à aventura de Claire e Leon, a primeira parte deste título é, na verdade uma espécie de prequela. Isto, porque se passa 24 horas antes dos acontecimentos de Resident Evil 2. É importante realçar os eventos têm uma forte ligação entre os dois títulos e como tal é recomendado que joguem primeiro o remake de RE2 antes deste.

No papel de Jill, uma agente da antiga equipa S.T.A.R.S., iremos tentar sair de Racoon City, com a maior parte da população transformada em zombies, uma mutação monstruosa causada pelo surto do T-Virus no primeiro jogo. Durante a primeira parte da trama, não só irão cruzar-se com os membros das forças de segurança, como também irão visitar alguns locais importantes no lore, como a loja de armas Kendo e a esquadra de Raccoon City. Aqui, recordo, é onde poderão testemunhar como o tenente Marvin Branagh foi ferido. E há tantos outros eventos importantes que farão a ligação com outros títulos, que os veteranos não vão deixar de esboçar um sorriso.

Quanto à segunda parte do jogo, aqui sim damos continuidade aos eventos de Resident Evil 2. Depois de Claire e Leon já terem finalmente escapado de Raccoon City, cabe agora a Jill e ao seu companheiro Carlos Oliveira tentarem também eles sair da cidade. Oliveira é a nova personagem jogável da equipa U.B.C.S. (Umbrella Biohazard Countermeasure Service). Esta é uma unidade especial, normalmente composta por mercenários ou condenados devido ao alto nível de mortalidade das suas missões. A sua equipa foi enviada para Raccoon City para salvar algumas pessoas específicas durante o surto, mas o seu pelotão composto por 120 homens foi rapidamente dizimado.

Depois de uma chamada de ajuda a única pessoa a responder ao apelo foi Jill Valentine, o que acabou por cruzar o caminho destas duas personagens. Agora, juntam forças num objectivo comum de fugir. Só que o governo não quer facilitar, estabelecendo um cerco à cidade e ameaçando destruí-la com um míssil. A ideia é, obviamente, erradicar de uma vez por todas a infestação do T-Virus. Mas, nesse processo… também elimina tudo o resto, como devem imaginar. E não é só essa a ameaça premente para estes dois heróis.

A sorte dos protagonistas será testada com o temível Nemesis. Um monstro implacável e imparável, Nemesis tentará a todo o custo matar a última agente da equipa S.T.A.R.S. (e tudo e todos que meta no seu caminho. Se Mr. X foi o vosso pesadelo no último jogo, preparem-se porque Nemesis representa toda uma nova forma de terror por si só. A sua tenacidade deixa-nos em constante sensação de perseguição, gerando uma tensão e uma ansiedade de estarmos constantemente a sermos perseguidos. E livrem-se de cometer erros ou desconsiderar algumas precauções. Ele não perdoa!

Ainda por cima, Nemesis está mais assustador, possui uma melhor inteligência artificial e surge quando menos esperamos. Para além disso, já falei da sua persistência e nunca é demais recordar que sabe usar muito bem o seu arsenal de armas. As balas normais não fazem qualquer dano e só nos resta correr. No entanto, basta um pequeno deslize e consegue apanhar-nos num ápice. Quando isso acontecer, usem tudo o que vos rodeia para tentar abrandá-lo. Disparem para barris explosivos ou baterias que soltam uma descarga eléctrica quando rebentam. Em último recurso podem tentar esquivar-se, mas o timing tem muito preciso. Falhem nisto tudo e já sabem o que vos acontece.

Já que falo da acção, devo realçar que, além do novo aspecto, a jogabilidade mantém-se praticamente igual ao clássico. Mantém a perspectiva na terceira pessoa, apesar dos primeiros minutos serem passados na primeira pessoa, algo também revelado pelo trailer. Esperem a mesma gestão de inventário com slots muito limitados no início do jogo, como sempre. E há também uns novos puzzles mas acho que nenhum vai desafiar-vos por aí além, até porque todas as pistas são dadas através de documentos e diários que vamos encontrando pelo caminho. Estes mesmos documentos, já agora, servem para contar a história dos eventos do jogo e conferem a devida continuidade no lore da série.

Comparando com o conteúdo do jogo original de 1999, existem também algumas novidades interessantes. Há locais novos e novos eventos-chave, por exemplo. Também deixa de existir a mecânica que perguntava ao jogador o que queria fazer em determinados momentos, tendo depois consequências no final do jogo. Neste título a Capcom decidiu ficar-se apenas com um final. Embora percamos aqui um elemento de imprevisibilidade, assim a história de Jill é mais focada. Provavelmente a produtora tem algo em mente para o seu futuro, pelo menos fiquei com essa ideia.

As próprias roupas das personagens também foram revistas. Notei que houve um esforço das vestimentas estarem mais de acordo com a época em que vivemos e com a situação replicada em jogo. As calças de Jill serão certamente mais confortáveis que uma mini-saia e o seu top possui agora alças. Bem menos sexista, por um lado, mas também mais prático, dadas as circunstâncias. Mas, os puristas não devem desesperar. Caso tenham feito a pré-reserva do jogo terão também acesso às roupas clássicas.

Finalmente a questão técnica, sem dúvida o que mais salta à vista, num trabalho exímio da Capcom de revitalizar este título. Visualmente, esperem mais uma excelente prestação do motor RE Engine. Todos os cenários continuam foto-realistas, as personagens tem uma animação mais próxima da realidade e as expressões estão mais convincentes. Um particular destaque para os efeitos visuais, com especial foco no efeito de fogo, para mim um detalhe impressionante nesta busca pelo realismo. Notarão o realismo deste efeito visual, principalmente quando Nemesis usa o seu lança-chamas e incendeia tudo o que nos rodeia. Apenas não apreciem muito de perto, já sabem.

No que toca às personagens principais, o seu novo design é de assinalar também. No caso de Jill, foi abandonada a cara de Julia Voth que deu a sua imagem desde o Resident Evil Rebirth para a velhinha GameCube. Esta personagem tem agora uma face muito diferente, com feições mais rígidas, como numa heroína de acção que sempre imaginámos. Carlos, por sua vez, sofreu uma alteração para ir mais de encontro com o aspecto rejuvenescido das novas personagens. Obviamente, o que mais se destaca neste agente é o seu cabelo “selvagem”, outra inovação da avançada simulação de físicas do RE Engine.

Este RE Engine já conseguiu provar que é um motor gráfico extraordinário, não há dúvida. A cada novo jogo criado neste motor, vemos como a Capcom é capaz de colocar no ecrã uma grande quantidade de polígonos em 4K, nuns constantes 60 FPS. Tive a oportunidade de analisar este jogo numa PlayStation 4 Pro e apenas notei algumas quebras de fotogramas em situações pontuais que “esticavam a corda”. Nenhuma destas quebras interferiu realmente na acção do jogo, a tal ponto que tenha prejudicado prestações. Mas, estão lá, não há dúvida e, em momentos, quebraram ligeiramente o ritmo da acção. É algo que estou certo vir a ser resolvido com umas actualizações.

Veredicto

Continuando o que tem vindo a fazer, a Capcom mostra uma vez mais, como se faz um remake à altura do seu clássico. Resident Evil 3 provou estar à altura da minha expectativa. Este é um trabalho cuidado daquele que é dos jogos mais aclamados desta série de culto. Tem uma orientação mais moderna e muito bem direccionada, explorando novos territórios de jogabilidade, mas fiel à atmosfera que caracterizou o original na primeira PlayStation. Chega mesmo a combinar habilmente o clássico e o moderno. Seja a primeira vez que o jogam, sejam veteranos, não podem perder um dos melhores jogos de acção e terror que poderão jogar nos próximos tempos.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.