Mais infoProdutora: Snail Games Editora: Snail GamesLançamento: 31/05/2019Plataformas: , , , Género: ,

Por motivos alheios à nossa vontade, chegámos algo tarde à febre de ARK: Survival Evolved. E parece que o “destino” quis que chegássemos igualmente tarde ao seu spin-off PixARK. Bom, nem é tanto um spin-off mas uma “revisão” da visão original, com algumas ideias interessantes e uma dose considerável de… homenagens…

Imaginem que, um dia, o mundo enigmático e fantasioso de ARK, colidisse com o outro não menos fantasioso mundo de Minecraft. Esta seria a “união de facto” que daria origem a PixARK. Um mundo aberto à exploração, com dinossauros e outros animais ferozes para caçar ou domesticar, sobreviver a todas as ameaças e ainda erguer autênticas fortalezas… mas, tudo com um aspecto “pixelizado”, recorrendo a familiares blocos de construção de elementos. Tal como esse outro jogo em que… vá lá, se inspira… este título da Snail Games torna-se assim um enorme jogo de construção (tipo LEGO para adultos e menos adultos), adicionando os elementos de sobrevivência do jogo original do Studio Wildcard.

Na verdade, PixARK já existe desde meados do ano passado (Março de 2018), tendo sido lançado nessa altura em Acesso Antecipado via Steam (PC) e Xbox Preview (Xbox One), continuando em produção por meses, chegando finalmente às consolas PlayStation 4 e Nintendo Switch apenas na versão de lançamento que chegou no final de Maio. Como só agora tivemos acesso ao jogo, chegamos “fora de horas” na sua janela de oportunidade. Ainda assim, com semanas (mais de um mês, na verdade) de possíveis actualizações e melhorias, pensei que até era uma boa altura para analisar o jogo. Foi mesmo?

O conceito por detrás de PixARK não é obviamente novo. É discutível se foi mesmo ARK: Survival Evolved que ditou a popularidade do género de sobrevivência em mundo aberto, mas foi com certeza um dos que tiveram maior sucesso. O que é certo é que já perdemos a conta aos jogos neste género que surgiram depois. Os títulos estilo “sandbox” são às dezenas por aí, com alguns igualmente a plagiar homenagear Minecraft, numas ocasiões de forma subtil, noutras sem qualquer problema de o assumir. E nesta fase do “campeonato”, PixARK parece uma autêntica sopa de ideias, lançadas num caldeirão a ferver, na esperança que o resultado final seja, pelo menos, empolgante.

Digo, desde já, que não é. OK, é um bocado cedo para um veredicto, mas sinto que tenho de ir logo ao cerne da questão. Este não é, nem um ARK, nem um Minecraft. Bem tenta ser ambos, mas não chega lá. Por outro lado, também não consigo encontrar um ADN que possa dizer que seja realmente seu. Tudo o que aqui encontrei não tem nem a profundidade desses dois jogos, nem a destreza técnica para trazer esta mistura de ideias num título sólido. E, digo-vos, havia aqui uma boa quantidade de premissas para tornar o conceito interessante. Talvez por isso sinta que a minha passagem pelo jogo foi um mistura de interesse e bastante desapontamento.

Então, mas… porque é que é assim tão desinteressante? Se são fãs de ARK, vão reconhecer os ingredientes que tornam esse outro jogo tão interessante. Assenta também na história de que “aterramos” sem memória numa ilha repleta de dinossauros e outros seres pré-históricos, temos de sobreviver com engenho e combate, construindo abrigos e confiando na tecnologia para abordar predadores cada vez mais desafiantes. Só que, todo o possível “realismo” dos modelos e elementos, foi substituído por blocos uniformes de construção. Até aqui tudo bem, boa premissa. Os problemas começam na implementação deste conceito.

Por incrível que pareça, mesmo estando perante um jogo “lançado”, ainda não é considerado como “terminado”. O que significa que a produção o assume “incompleto”. De facto, há muita falta de polimento em tantas áreas que nem sei onde começar, tornando a experiência um tanto frustrante. Bugs, glitches, quebras de frames por segundo, falhas de optimização constantes, parece um jogo apressado, o que não faz sentido nenhum considerando o tempo todo em que esteve em acesso antecipado. Estou certo que isto é algo que a Snail Games vai abordar nestas semanas ou meses seguintes, de forma a polir o jogo. Ou, pelo menos, assim espero, porque o que temos aqui é o que eu aceitaria numa fase Beta.

E, no entanto, nem são estes os problemas de maior impacto no jogo, quanto a mim. Tendo testado este jogo numa PS4, não consigo ultrapassar o seu interface extremamente complexo e igualmente a precisar de muito polimento. Foi claramente desenhado para se usar com teclado e rato, precisando de uma clara revisão dos controlos nas consolas. O que é incompreensível, uma vez que, dada a natureza do jogo, passamos tanto tempo nos menus a fazer gestão de inventário ou crafting, por exemplo. Não consigo mesmo perceber o que a produção esteve a fazer em mais de um ano em acesso antecipado na Xbox One.

Se conseguirmos ultrapassar todos estes problemas, ainda assim, encontramos um jogo que até tem alguns bons elementos, recordo, extraídos dos jogos em que se inspira. Tal como Minecraft, espera que usemos de intuição para juntar materiais e elementos de modo a criar armaduras, armas, ferramentas para nós, ao mesmo tempo que temos de criar estruturas e lidar com o meio ambiente. Depois, como ARK, não nos leva pela mão, oferecendo um mundo hostil em que a fome, sede, calor, frio e as ameaças dos predadores são constantes e até de outros jogadores que podem ajudar ou atacar. Tudo isto se enquadra muito bem no espírito do jogo original, fazendo jus a esse legado de sucesso.

Só que essa premissa tem um sério revés. Não há um tutorial para seguir, nem temos orientações para gerir as imensas necessidades. O que faz com que a curva de aprendizagem seja tão acentuada. Dado o grafismo e aspecto geral tão parecido com Minecraft, antevejo os mais jovens a pegar neste jogo e a sentirem dificuldades em entender como jogá-lo. A não ser que tenham passado por ARK, domar um animal, por exemplo, é uma ciência incerta. O mesmo acontece com uma vasta quantidade de receitas de crafting. Entendo que queiram manter a fórmula intacta, mas o público-alvo talvez merecesse umas ajudas, nem que fossem opcionais ou na forma de um codex.

Veredicto

Com muito boas ideias misturadas, querendo juntar os mundos de ARK: Survival Evolved e Minecraft num só conceito, a execução de PixARK, infelizmente, fica muito aquém do desejado. Nem só pelas inúmeras questões técnicas, com bugs e glitches em demasia, como também pelo interface hostil nas consolas e a falta de ajudas para recém-chegados. Entendo o serviço aos fãs de ARK, num jogo que também poderá satisfazer que gosta do conceito de Minecraft. Mas, é difícil recomendar um título que esteve mais de um ano em acesso antecipado e chega até nós a precisar de tanto polimento.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.