Mais infoProdutora: Japan StudioEditora: Sony Interactive EntertainmentLançamento: 31/01/2020Plataformas: , , Género: ,

Quando Patapon foi lançado na PSP surpreendeu tudo e todos pelo seu aspecto minimalista, cores vibrantes e jogabilidade inovadora. 11 anos mais tarde, o segundo jogo chega agora à PlayStation 4 com Patapon 2 Remastered, num bom teste à sua longevidade.

A velhinha PlayStation Portable (ou “PSP” como é popularmente conhecida) foi responsável por lançar muitos jogos engenhosos que marcaram uma geração. Entre esses jogos inovadores, está a série Patapon que conta com três títulos no seu universo. A remasterização do primeiro jogo chegou-nos em 2017. E apesar desta sequela ter sido anunciada há algum tempo, a Sony manteve-se em silêncio até à semana passada. Para surpresa de quase todos, o jogo seria lançado poucos dias depois. Com este segundo jogo chegaram três novidades: a possibilidade de evoluir a tribo, a introdução de um herói e o maior destaque, a adição da componente multi-jogador. Estas novidades permitiram a repetição do sucesso do seu antecessor e ainda dar-lhe um ligeiro refrescamento. Agora, revitalizado para a PlayStation 4, vejamos como esta remasterização se comporta.

A história do jogo, se é que a podemos chamar de “história” , na verdade é mais um divertido pretexto para nos envolver no estranho contexto que a experiente equipa dos Japan Studios criou. Como tal, neste estranho enredo voltamos à companhia da tribo Patapon que, depois de um ataque do temível Kraken, se perdeu numa misteriosa ilha. Acontece que, não só estão perdidos num local desconhecido, como nem parece haver qualquer saída aparente. Então recorrem à “ajuda divina”.

O jogador, como um pretenso deus dos Patapon, terá o objectivo de guiar esta sua tribo perdida numa série de tarefas “rítmicas”. O objectivo é subsistir aos desafios, o que envolve caçar ou lutar com outras tribos, tudo com a ajuda dos míticos tambores, cujas mecânicas explicarei mais à frente. Para conseguir que os Patapon atravessem esta estranha zona ilesos, encontraremos no caminho uma nova tribo e um herói que nos irá mostrar-nos as misteriosas ruínas de Patapolis, um local que contém um segredo extraordinário. E fiquemos por aqui em termos de enredo.

Como podem constatar, Patapon 2 é um jogo que não pretende contar uma trama séria. Mas, isso não significa que não seja capaz de entregar uma experiência divertida. Como mencionei anteriormente, o objectivo de cada nível será liderar o nosso exército composto por pequenos guerreiros de vários tipos e habilidades contra criaturas e outras tribos. Tudo é apresentado num plano de duas dimensões que se desenrola da esquerda para a direita com apenas quatro botões do comando a serem usados para controlar os mini-guerreiros. Isto, dentro de tempos muitos específicos e no ritmo da música de fundo.

Na verdade, cada botão do comando PlayStation tem um som atribuído que joga com a fonética PATA e PON e também CHAKA e DON. E todo a jogabilidade se resume a combinar os sons de forma a controlar os Patapons presentes no ecrã. Não estranhem desligar o jogo e continuar a cantarolar as acções dadas à vossa tribo, aviso já. A título de exemplo de como isto funciona, posso dizer-vos que para marchar devem carregar nos botões correspondentes para fazer PON, PON, PATA, PON e para atacar PATA, PATA, PON, PATA. A sério, isto vai ficar na cabeça!

Marchar, atacar ou defender, são os comandos mais importantes e os que irão usar mais frequentemente. Se conseguirem usar vários comandos seguidos sem erros, aumentam a efectividade de cada guerreiro ao mesmo tempo que o ritmo fica mais acelerado. Nessa lógica, a jogabilidade passa a ser baseada apenas na contínua sucessão de três padrões. Como devem imaginar, esta repetição sucessiva leva-nos a uma certa monotonia inultrapassável, especialmente nas duas primeiras horas de jogo.

O que é pena, principalmente porque os comandos mais avançados poderiam ser usados mais cedo para dar alguma variedade ao jogo logo no seu início. A jogabilidade varia um pouco mais, ficando mesmo um pouco mais desafiante, quando a tribo enfrenta um boss. Só que estes eventos não são tão frequentes como gostaria. Também não ajuda muito a quebrar esta monotonia o facto de existirem apenas três tipos de “soldados”: os versáteis arqueiros, os guerreiros comuns e o decisivo Dekapon. Seria interessante mais classes, até para modificar um pouco mais a jogabilidade meio linear.

Quanto à tal Patapolis, o quartel general dos Patapons, temos aqui a oportunidade de ver todos os objectos que apanhamos durante os níveis, incluindo armas, armaduras e comida. É também possível aceder a mini-jogos que oferecem alguns bónus e melhorias para a nossa tribo. Além disso, cada um dos Patapon pode evoluir através da Tree of Life, que permite-nos compreender como devemos evoluir os soldados, seja mudar o seu aspecto físico ou aplicar mais pontos na defesa ou ataque.

Quanto ao outro destaque deste segundo título… desilusão. O modo multi-jogador cooperativo na PSP permitia que um máximo de quatro jogadores (no modo ad-hoc local) se juntassem, cada jogador com um herói e o seu exército a segui-lo. Sempre oferecia mais algumas horas de diversão, quando mais não fosse pelo completo caos que era possível obter com tantos jogadores a controlar a acção. Infelizmente, por qualquer motivo desconhecido, esta versão Remastered não recebeu o modo cooperativo, pelo menos até à data desta análise, nem mesmo via PSN. É possível jogar um pseudo-modo adaptado com três jogadores controlados pela IA, mas não é a mesma coisa. Enfim.

No lado gráfico, que nada tem a ver com o seu design colorido bem sucedido, Patapon 2 Remastered tem uma resolução de 1080p na PlayStation 4 normal e 4K na PlayStation Pro, como seria de esperar. No entanto, não há qualquer novidade técnica nesta remasterização, o conteúdo é precisamente o mesmo que vimos na versão da PSP, até mesmo nos seus menus clássicos adaptados. Tendo em conta a oportunidade desta remasterização, era interessante ter, no mínimo, algum update visual no interface ou até um New Game+, por exemplo. Aliado à falta de modo coop, algo que desconheço se ainda vai ser adicionado via actualização, faz com que esta remasterização perca um pouco do brilho criado pelo original lançado no longínquo ano de 2009.

Veredicto

Apesar de não oferecer nada de novo em relação à sua versão original da PSP (à excepção da nova resolução), Patapon 2 mantém-se como o interessante jogo de estratégia “rítmica” que tínhamos na nossa memória. A mesma jogabilidade, originalidade e diversão que o destacou na altura, só fica aquém do desejável pela ausência inesperada do modo multi-jogador. Por outro lado, fiquem cientes que estão perante um jogo de 2009 e que vos dará um design adaptado e uma jogabilidade muito própria de uma consola portátil, com alguma monotonia associada. Mas, aquelas músicas…

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.