Mais infoProdutora: Team NinjaEditora: Sony Interactive EntertainmentLançamento: 13/03/2020Plataformas: , Género: ,

Já perdi a conta às vezes que achei que o derradeiro “souls-like” tinha chegado. Não é que se possa realmente criar algo novo num tipo de jogo tão saturado, tendo algumas entradas de melhor ou pior qualidade. Ainda assim, o primeiro título deste género da Team Ninja foi mesmo um dos melhores dos últimos tempos. Está aqui Nioh 2 para dizer que a luta ainda não terminou.

E, sim, este género de ARPG, tão bem tratado pela From Software nos seus jogos, está longe de ser perfeito, mas é quase “intocável” com a sua legião de fãs. Não basta apenas lançar a mesmíssima fórmula com “outra cara”. O primeiro Nioh foi para mim, muito mais que uma “omnipresente tentativa de nos matar e punir pelas nossas fracas prestações”. Foi também um jogo com que me apaixonei. A sua premissa era dura, mas a dedicação recompensou sempre. Aqui estava uma mistura de conceitos, entre a tal fórmula “souls-like” e muito do ADN herdado pela produtora da famosa série Ninja Gaiden. O resultado foi positivo e muito bem recebido. Era de esperar uma sequela à altura.

Ao contrário do primeiro jogo, em que jogámos no papel da personagem histórica (embora muito fantasiosa) William Adams, aqui somo um Shiftling. Trata-se de um ser híbrido, meio humano, meio demónio yokai a viver como mercenário na província de Mino. A história arranca no ano de 1555, cerca de 50 anos antes da história de William e os yokai dão trabalho ao nosso mercenário. Mas, também o colocam em perigo. Numa das batalhas, percebemos que os poderes deste ser híbrido podem facilmente fugir de controlo. Felizmente, temos a ajuda do misterioso Tokichiro para controlar os nossos poderes. Mas, será que a ameaça é só mesmo dos yokai? Ou terá Tokichiro algo a esconder?

A principal novidade, pelo menos a que encontrarão logo no início, é que o nosso Shiftling pode ser personalizado, criando uma personagem única. O criador de personagens é francamente robusto, permitindo personalizar imensos pormenores, inclusive feições e até o aspecto geral quando entramos no nosso formato yokai. É, obviamente algo acessória esta personalização, num jogo em que o foco é mais o combate. Mas, se serve para nos dar alguma sensação de imersão neste enredo, é uma adição bem vinda. O único senão é que também rouba protagonismo aos diálogos, sendo esta personagem muda durante toda a história, tornando as cenas intermédias também bem menos “vivas”.

Uma das características mais interessantes do primeiro jogo é que a Team Ninja aprendeu bastante com as sucessivas actualizações e adições de conteúdo. Por isso, era de esperar que a sequela capitalizasse bastante nas virtudes, sobretudo porque, como já disse, o mercado está repleto de “souls-like” de enorme qualidade. Mas, era complicado entusiasmar com mais um Nioh. Não só os tempos são outros, como o impacto causado pelo que traz também não podia ser idêntico. Sobretudo depois da From Software ter, praticamente, reescrito a história do género com Sekiro: Shadows Die Twice. É inevitável pensarmos aqui numa certa dose de repetição. Mesmo dentro da franquia (já lá vamos).

Ao contrário do que acontece com muitos outros jogos “standalone”, como este é apresentado, sugiro que joguem o primeiro Nioh antes de pegar neste. Não, não tem bem a ver com o enredo, que é totalmente independente, tendo apenas algumas chamadas para a história original. Tem mais a ver com dinâmicas de jogo, lógicas de progressão e até mesmo algumas falhas de conceito, como o reciclar de zonas de jogo e monstros. Tudo será familiar e é bom que não cheguem aqui sem preparação. Diria que as novidades foram desenhadas para serem mais evidentes aos veteranos. Embora, notem, sejam francamente relevantes.

No que toca ao combate, está melhor que nunca, seja contra os pequenos antagonistas aleatórios que encontramos pelo caminho, sejam os implacáveis bosses que testam a nossa calma e paciência. De facto, com um enredo um tanto desprovido de grandes desenvolvimentos, servindo quase só para justificar a acção, é bom que o combate seja tão bom ou superior ao primeiro jogo. E a vantagem é que, além de uns golpes novos, tudo será também familiar e quase que podemos apelar à “memória mecânica” se jogaram o primeiro título. Lembrem-se das três posturas (alta, média e baixa) e dos movimentos e tempos específicos de cada arma e… morrerão menos, pelo menos.

E é importante dominarem a nova funcionalidade de alternar entre humano e yokai. Existem três formas para assumir, o Brute dá golpes mais fortes e que podem desequilibrar, o Feral que consegue disferir golpes rápidos, e o Phantom que com capacidade de ataque à distância e teleporte. Esta gestão da transformação é uma das maiores diferenças no combate, conseguindo o yokai alguns golpes especiais que poderão fazer a diferença num combate mais feroz. Mas, também devem ter em conta que desapareceu o modo “Living Weapon“. E  agora temos também um novo e importante contra-ataque (Burst Counter) que se torna essencial dominar lá mais para a frente.

De resto, não há muito mais a assinalar como novidade. Voltamos a ter coleccionáveis para encontrar, invasões de jogadores reais ou da IA (hostis ou como coop para nos ajudar), entre outras funcionalidades conhecidas. Temos também o sistema de Soul Cores, em que podemos equipar três gemas que são influenciadas por um Guardian Spirit, oferecendo bónus diferentes e ataques poderosos com uma barra independente de energia (Anima). Há também uma árvore de evolução com a complexidade que esperam num jogo deste título, com 13 “ramos”, uma para cada arma, habilidade e magia. Tal como no primeiro Nioh, todos estes elementos envolvem adaptação ao nosso estilo de jogo e alguma experimentação.

Onde Nioh 2 consegue realmente destacar-se é quando tenta “encher-nos o olho”. O primeiro jogo já foi impressionante em termos visuais, com animações e efeitos muito bons. Esta sequela não fica atrás. Contudo, para puxar pela minha PlayStation 4 Pro, notei que as áreas de jogos são bem mais vastas, aumentando o interesse de explorar os mapas, estes francamente bem desenhados, com as posições dos inimigos muito bem colocadas. Há muito mais tensão em jogo, fruto de uma ambiência impecável, com as zonas de Dark Realms a removerem o mini-mapa e com inimigos a cada esquina. E toda esta dimensão torna-se ainda mais impressionante em lutas com bosses, como não podia deixar de ser.

Veredicto

Ao fim de umas boas dezenas de horas, concluo que a Team Ninja foi conservadora com Nioh 2. Simplesmente não quis arriscar demais. Isto é perfeitamente notório nos primeiros instantes, onde não consegui deixar de pensar que, apesar do novo enredo, parecia estar a jogar um Nioh 1.5. É por isso que acho que este título não tem, nem poderia ter o mesmo impacto que o primeiro. É simplesmente uma continuação de algo positivo, adicionando melhorias importantes, mas subtis e que não impressionam realmente perante a concorrência. Não é propriamente um título negativo. O jogo é óptimo para os fãs do género. Apenas não causa nenhum impacto duradouro.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.