Mais infoProdutora: Other Ocean InteractiveEditora: Sony Interactive EntertaimentLançamento: 24/10/2019Plataformas: Género: ,

Sir Daniel Fortesque chega mesmo a tempo do Halloween com uma aventura cheia de acção e humor desenvolvida pela Other Ocean Interactive. Este é o remake do original MediEvil, lançado na PlayStation em 1998.

Há 20 anos, Sir Daniel Fortesque tornou-se num improvável ícone da PlayStation. Era idoso, longe de ser um herói musculado e… bom, praticamente morto. Não obstante, MediEvil tornou-se num clássico de culto e o facto de estar de volta após duas décadas com um remake, sugere que a Sony procura novas formas de celebrar a sua história. Tal como os mais recentes remakes de Spyro e Crash Bandicoot, estamos perante uma reedição que mantém as características do original, neste caso o humor e a jogabilidade, enquanto adiciona um grafismo renovado e algumas melhorias adicionais para tornar a aventura mais acessível em 2019, ao mesmo tempo que apela à nostalgia.

A história de MediEvil apresenta-nos o temível Zarok, um feiticeiro que tem como objectivo tomar posse do reino de Gallowmere. Para impedir o seu plano, o nosso corajoso protagonista liderou uma milícia para oferecer resistência mas acabou por levar com uma flecha e foi logo o primeiro a falecer na revolta. Quando Zarok regressa passados 100 anos, mais decidido que nunca a levar a cabo o seu plano, decide criar um exército de mortos-vivos para tentar conquistar Galowmere novamente. Só que, nesse acto, ressuscita também Sir Daniel por engano. Agora, como um esqueleto que já não pode morrer, é a oportunidade ideal para acabar de uma vez com Zarok.

A equipa responsável por toda esta revisão técnica do jogo foi também a responsável pelo divertido Rick and Morty: Virtual Rick-Ality e Thimbleweed Park. Portanto, tanto a história rocambolesca como o humor latente estão bem entregues. De fato, o tom descontraído característico deste título está intacto, recriado do zero com todos os recursos originais e com o estilo original, ao mesmo tempo que a sua atmosfera foi melhorada.

Mas, neste intuito de serem fieis ao original, a jogabilidade foge um pouco ao que estamos habituados hoje em dia. Mesmo com a possibilidade de controlar a câmara livremente, algo que não existia há 20 anos, esta está posicionada de forma elevada demais, quanto a mim. Também o sistema de combate funciona mais na base da sorte do que da perícia, sendo preciso carregar nos botões rapidamente e no momento certo. A ausência do recurso de bloquear a mira nos inimigos, por exemplo, foi muita sentida. Em várias ocasiões, todos os meus ataques falhavam os inimigos devido à posição da câmara e à dificuldade constante de posicionar a personagem correctamente.

Se se recordam do jogo original, o objectivo desta aventura passa por coleccionar chaves para abrir portas, abrindo-as até chegar ao feiticeiro Zarok. Pelo caminho surgem vários inimigos de surpresa e é preciso fazer uma gestão mais cuidada dos nossos recursos e da durabilidade do nosso escudo pessoal. É um elemento estratégico interessante porque faz-nos pensar nas nossas acções. Está longe de um “souls like”, obviamente, mas também aqui há uma importante motivação para pausar e planear bem cada movimento. Afinal, os ataques inimigos tiram boas doses e vida.

Outro elemento interessante são os segredos que podem ser descobertos ao longo dos níveis. Baús e outros objectos são desbloqueados ao explorar caminhos alternativos ou quando o nível é explorado na sua totalidade. Eram assim os jogos deste género há vinte anos atrás. Além do combate e dos puzzles, havia um convite à exploração, vasculhando cada canto em busca daquele segredo mais obscuro. Já agora, recomendo que tentem fazer o máximo de todos os níveis para no final terem uma boa surpresa em 32-bits.

E há um desafio para os que gostam mesmo de completar tudo. MediEvil incentiva-nos a derrotar todos os inimigos que encontramos, de modo a preencher um “Cálice”. Em todos os níveis, depois de atingir uma certa quantidade de inimigos abatidos, é possível recolher o cálice dos heróis que, uma vez apanhado, torna possível visitar o salão dos heróis entre cada nível para trocar os cálices por novas armas. Este local deixa-nos também explorar a história deste reino e conhecer todos os heróis de Gallowmere com mais pormenor.

Em termos técnicos a produtora conseguiu não só manter a tal atmosfera intacta que já mencionei, como também melhorou diversos aspectos e pormenores tecnológicos. Um bom exemplo dessa recuperação é a banda sonora que acompanha a acção, obviamente uma evolução bem vinda com a qualidade esperada de um jogo moderno. Mas, onde a produção realmente me surpreendeu foi com a sua abordagem artística. Deixou-me deslumbrado em alguns locais do jogo, com algumas claras inspirações nos filmes de Tim Burton.

Os cenários são bastante variados e diferenciados, levando-nos a explorar cemitérios, áreas subterrâneas, labirintos e vilas estranhas. Por todo o lado, há uma grande variedade de criaturas que se destacam pelos seus ataques únicos e padrões de movimento distintos. O bestiário ainda hoje é bastante rico e inclui zombies, espantalhos, goblins, múmias, demónios e poderia continuar a listar. Tudo é francamente bem modelado, honrando obviamente a estética original onde é possível, num design que ninguém diria ter 20 anos.

Veredicto

Por muito gratificante que seja ver Sir Daniel em acção depois de todos estes anos, até mesmo com o novo visual, existem algumas questões que poderiam ser revistas. Principalmente na interacção que afecta o sistema de combate. A renovação do visual é bastante notória, especialmente com o protagonista e todos os seus inimigos fielmente reproduzidos com imenso respeito aos modelos originais. Ainda assim, sinto que não tem o mesmo impacto dos recentes remakes que já mencionei anteriormente. Talvez por saturação de tantos remakes e reedições, mas também porque a jogabilidade já acusa o peso da idade. MediEvil continua a ser uma boa aventura, ainda. Mas, diria, talvez mais indicada aos fãs do título original que o queiram revisitar.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.