Mais infoProdutora: TT FusionEditora: Warner Bros.Lançamento: 26/02/2019Plataformas: , , , Género:

A probabilidade de já terem a vossa prateleira cheia de jogos LEGO é grande. Ainda assim, não poderia faltar o título dedicado ao filme que acaba de ser lançado nos cinemas. Era imperdível, para os jogadores viverem a história de LEGO Movie 2.

A TT Fusion, subsidiária da TT Games e responsável por inúmeros jogos da saga, volta a produzir um título com que está familiarizada. Tendo criado o original em 2014, agora, cinco anos depois e com mais experiência adquirida, volta a seguir de perto o novo filme. Depois de tantos jogos lançados ao longo dos anos, no entanto, a nossa crescente preocupação com a estagnação da série continua. Será que o mundo aberto à exploração, aliado à sua história divertida e com algumas mecânicas revistas, serão capazes de nos agarrar durante mais um punhado de horas em aventura “de plástico”?

Está de volta o carismático mestre construtor Emmet Brickowski, com a sua amiga Lucy e inúmeras outras personagens que já participaram em algum jogo desta longa série ou estiveram no primeiro filme. Como argumento, temos uma nova invasão levada a cabo por monstros alienígenas criados com LEGO Duplo e que deixaram Bricksburg em… peças. Os nossos improváveis heróis ficam encarregues de voltar salvar o dia, com a ajuda de várias caras conhecidas como é o caso do nosso LEGO Batman, que volta a marcar presença para emprestar os seus serviços e excesso de carisma.

A jornada vai muito além de um só local, estendendo-se por outros planetas e sistemas, cada um com a sua temática e respectivos puzzles. É com esta premissa simples que o jogo se torna envolvente, com a história a desenrolar-se deforma agradável, mesmo que algumas “surpresas” sejam bastante previsíveis. A parte que mais gostei é o facto da acção não ser introduzida de forma linear, como acontece nos outros jogos da série. Os eventos estão muito próximos do filme e são representados pela viagem a mundos específicos. Recomendo, obviamente que vejam primeiro o filme para estabelecer o devido paralelo mas também para evitar spoilers.

Em termos de jogabilidade, LEGO Movie 2 Videogame comporta-se como qualquer outro jogo dos famosos tijolos coloridos. No entanto, aqui houve espaço para umas melhorias e alguma alterações. Nesta aventura não vão precisar de coleccionar gold bricks, andar à procura de minikits ou a mudar de personagem para resolver um determinado puzzle. Em troca, temos uma jogabilidade mais alinhada com LEGO Worlds, dando aos jogadores pequenas tarefas espalhadas por várias personagens ao longo do mundo. Na minha opinião, foi uma boa decisão e traz algo diferente para a série. No entanto, como é normal, os fãs mais sérios podem não apreciar este afastamento da fórmula. E também podem não gostar da forma como se destaca tanto do filme em si.

Logo de início temos a acesso à “página do construtor”. Esta, dá-nos a possibilidade de construir equipamento e estruturas indispensáveis ao progresso do jogo, como o Micro Manager, que elimina obstáculos do cenário ou um mini-trampolim, que irão usar vezes sem conta para alcançar partes mais altas. Para estas construções é preciso coleccionar muitos tipos de tijolos nas respectivas cores e isso pode ser feito destruindo outras construções ou desfazendo estruturas abandonadas. Tenho de clarificar que esta construção é feita de forma simplificada. Sempre que nos é pedido para construir algo, acedemos ao menu específico, selecionamos a construção pretendida e colocamo-la num espaço próprio.

A maior parte das missões pode ser completada em poucos minutos. E, se não precisarem de construir algo, será muito provável que vos seja pedido para derrotar três inimigos, apanhar um objecto que está ao virar da esquina ou mudar alguma peça de cor. Infelizmente, isto significa que a sensação de repetição se vai instalar muito rapidamente na maioria dos jogadores. E notem que irão ter de repetir muitas vezes este ritmo. É que para progredir na histórias e chegar a um novo planeta, terão de juntar peças roxas de LEGO. E estas só vos são dadas por cumprir estas tarefas específicas.

Felizmente, há variantes curiosas na jogabilidade lá mais para a frente. Os planetas principais concluem-se com batalhas de bosses gigantes de LEGO. Cada uma dessas batalhas leva-nos a descobrir um forma de enganar o boss a auto infligir-se. Pode envolver lógicas tão simples, como um camaleão comer uma fruta falsa em vez de uma fruta verdadeira. Sempre que conseguirem enganar os bosses, desenrola-se uma incrível sequência de plataformas ao longo do seu corpo com uma incrível sensação de verticalidade e escala. Bem ao género de Shadow of Colossus, por exemplo. Depois de tantas tarefas repetitivas, até gostei desta variedade e penso que esta quebra de ritmo beneficia muito o jogo.

Por muito que os objectivos sejam repetitivos, antes de mudar para o próximo destino, somos encorajados a explorar o mundo à procura de tesouros. Cada um deles, dá-nos peças, studs e uma peça especial que tem de ser aberta numa loja para recebermos o seu prémio escondido. Se quiserem ser rigorosos, esta é a versão LEGO das infames “caixas de loot”, embora muito mais subtis. Estes prémios escondidos passam por novas armas, construções diversas e mesmo personagens. No entanto, relembro que as personagens aqui são todas iguais e não têm habilidades únicas.

De um modo geral, a dificuldade não é, de todo, muito elevada. As mecânicas de jogo foram simplificadas e num instante conseguimos perceber o que há para fazer. Temos de nos recordar que, por mais que estes jogo e mesmo os kits físicos da LEGO, alegrem muitos adultos, é para os mais pequenos que este jogo se direcciona. Por isso, a dificuldade geral é, quanto a mim, ajustada a essa realidade. Não podia esperar nem mais, nem menos, especialmente tendo em conta como tem sido toda a série até agora.

Mas, por mais que tenha apreciado o jogo como um todo, encontrei alguns contratempos que me deixaram desapontado. Ao fim de tantos jogos seguidos, seria de esperar que a TT Games encontrasse soluções para diversos problemas crónicos da série. Nomeadamente nos comandos dos movimentos dos nossos heróis, que nem sempre respondem à minha vontade. Não sei bem dizer se será lag de input ou simples falha nos ritmos das animações. Também não gostei da câmara, muito instável, perdendo por vezes o nosso protagonista de vista. Há já algum tempo que esta questão se verifica nestes jogos, sendo ainda mais gritante quando jogamos a dois localmente.

E, infelizmente os problemas técnicos não ficam por aqui. Ao longo da aventura, jogando numa PlayStation 4, notámos que as quebras de framerates são demasiadas. Estive quase para não as considerar mas, de facto, chegam mesmo a quebrar demais o ritmo do jogo. Não dá para perceber o motivo desta falha de optimização. É que, em termos de grafismo, não é um jogo tão exigente, cumprindo o seu propósito de representar as peças de plástico num mundo imaginário. Ainda assim, notei uma falta de coerência em alguns cenários. Existem alguns cheios de construções e com grande vitalidade, enquanto que outros têm demasiado espaço livre, parecendo algo apressados. Para mim, um falha no design de níveis.

Veredicto

LEGO Movie 2 Videogame ofereceu-me algumas horas de diversão. Foi bom encontrar algumas novidades, incluído a lógica de jogabilidade inspirada em LEGO Worlds. A apresentação geral é muito boa mas, volta a entrar na repetição como os demais jogos, não surpreendendo realmente ninguém. Tenho pena que, ao fim de algumas horas, as novidades tivessem sido escassas e o entusiasmo da própria produção pareça ter desvanecido. O melhor que podemos retirar daqui são os combates com contra os bosses. O que é escasso, numa série que precisava mesmo reinventar-se urgentemente.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.