Mais infoProdutora: Steel Wool StudiosEditora: ScottGamesLançamento: 28/05/2019Plataformas: Género:

O famoso jogo de terror Five Nights at Freddy’s chega agora ao PlayStation VR com a promessa de aumentar os sustos com a ajuda da imersão da Realidade Virtual. Ao mesmo tempo, quer melhorar a sua própria estrutura, algo que poderá agradar até os mais cépticos.

Tal como vários outros fenómenos que surgiram com a ajuda do Youtube, Five Nights at Freddy’s é uma das séries que o público pode tanto adorar como detestar. Por essa razão, as opiniões em torno deste título sempre foram algo díspares. Os fãs podem tanto apreciar o suspense da jogabilidade e toda o seu enredo, como os detractores podem desvalorizar o trabalho de Scott Cawthon, justificando a sua opinião nos “sustos forçados” sem que haja uma história digna que ligue os acontecimentos. Confesso que partilhei um pouco da opinião desta última audiência. Contudo, bastou a chegada da Realidade Virtual para mudar a minha opinião. Resta saber se é suficiente para reunir consenso entre todos.

Este novo título foi criado especialmente para ser usado na realidade virtual. Por isso, não esperem um novo capítulo da série. Trata-se, isso sim, de uma colecção de conteúdos que estiveram presentes nos três primeiros jogos desta série, tendo a adição de algum conteúdo novo e variações feitas especialmente para a ocasião, além da óbvia inclusão do VR. Muito provavelmente, será o primeiro jogo desta série que vão jogar, especialmente se tiverem o PSVR meio parado lá em casa e procuram um novo jogo.

Se é o vosso caso e não fazem qualquer ideia do que estou a falar, eu explico. Este jogo coloca-nos no papel de um vigilante numa pizzaria conhecida como Freddy’s Fazbear’s Pizza. Só teremos de sobreviver a seis turnos, que vão desde a meia noite até as 6h00, durante este tempo vários fantoches robôs ganham vida e tentam matar-nos. O que torna esta série tão única é o facto que tudo se passar na sala de vigilância, com o jogador a monitorizar todos os movimentos dos robôs através das câmaras de segurança.

A tensão característica deste título foi amplamente aumentada graças a Realidade Aumentada. Colocar-nos naquela sala obscura como relógio a contar lentamente, dá-nos uma certa claustrofobia, só possível com o PSVR. Isto, aliado ao seu design de som, que também tem um particular papel para aumentar a ansiedade de cada turno.

De facto, este é um thriller e não tanto um jogo de terror, a tensão é só criada por nós. É inevitável pregar o olhar das câmaras de vigilância, estando constantemente a carregar em todos os botões freneticamente à procura de ameaças, com a ajuda dos comandos PlayStation Move.

Também é possível jogar com o DualShock 4, mas a experiência é amplamente melhorada com dois comandos de movimento da PlayStation. Estes dão-nos outra percepção ao pressionar os botões, apanhar objectos e puxar alavancas. Mais uma vez, os Move são um casamento perfeito com o PSVR para nos movimentos mais realistas e imersivos.

Em termos de conteúdo, até nem nos podemos queixar. Traz consigo os quatro cenários dos três primeiros jogos e mais quatro mini-jogos distintos, cada um deles dividido em vários níveis. Entre eles está Dark Room, onde será necessário acender a lanterna em direcção dos fantoches antes que eles cheguem até nós. Depois temos Parts and Service, que nos leva a reparar vários robôs com o cuidado de não tocar em partes sensíveis. Em Vent Repair somos um técnico de reparação das condutas de ar do restaurante, sempre com o cuidado de não ser apanhado pelo inimigo. Por fim, há Night Terror’s, onde temos de sobreviver num quarto em vez da típica sala de vigilância. E há ainda diversos coleccionáveis para descobrir, escondidos pelos cenários.

Mas, nem tudo é positivo nesta nova vida do jogo. Em Five Nights at Freddy’s VR: Help Wanted assistimos ao regresso de alguns erros antigos e outros novos problemas. Apesar da contribuição preciosa do VR, a jogabilidade continua a não ser indicada para todos. Muito devido ao já mencionado sentimento de ansiedade constante e aos sustos “baratos” daí provenientes. Depois encontrei outros problemas com os movimentos quando, em mais que uma ocasião não foram bem emulados, gerando falhas. O que, num jogo que pede reacções rápidas, pode levar-nos ao ecrã de “Game Over” inadvertidamente.

O grafismo em si é bastante simples, tal como nos jogos originais. Não há aqui nenhum prémio de beleza para ser ganho, mas cumpre bem o seu propósito. Obviamente, com o PSVR há cedências gráficas a bem da performance, mas é só mesmo isso. No campo fisiológico, este é mais um daqueles jogos que não terão muito com que se queixar. Tendo em conta que estamos estáticos a controlar todas as câmaras de vigilância, não há risco das típicas náuseas pontuais que já são quase um sinónimo da Realidade Virtual.

Conforme já mencionei, o som merece especial destaque neste jogo, uma vez que tem um papel muito importante para aumentar a imersão e o tal (bom ou mau) sentimento de susto iminente. Como tal, recomendo que joguem sempre de auscultadores, preferencialmente surround, em complemento com o PSVR. Se gostarem deste género em específico, experimentem baixar os estores e jogar sozinhos de madrugada… cuidado só com os tais sustos “baratos”.

Veredicto

Considerando a quantidade generosa de conteúdo e o inegável valor que a realidade virtual traz em termos de imersão e atmosfera, é fácil considerar Five Nights at Freddy’s VR: Help Wanted o melhor capítulo da série. No entanto, não faz deste um excelente título de terror que possa recomendar a todos. As limitações de uma jogabilidade que sempre foi pouca ainda lá estão: o envolvimento psicológico causado pelo cenário peculiar pouco interactivo e os seus jump scares muito peculiares e divisórios. Em suma, Five Nights at Freddy’s VR: Help Wanted beneficia, sem dúvida, da transição para a realidade virtual mas… a produção bem que podia aproveitar para melhor a jogabilidade…

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.