Mais infoProdutora: EA SportsEditora: Electronic ArtsLançamento: 09/10/2020Plataformas: , , , Género:

Todos temos o nosso clube de futebol preferido. Mesmo os que “não ligam” ao desporto, simpatizam com um ou outro clube, seja da sua cidade ou bairro. Assim é também nos jogos de simulação de futebol. E a escolha não tem sido fácil a cada ano, com um autêntico derby anual. Até que a EA Sports lançou FIFA 21 e a goleada foi anunciada.

Estou obviamente a falar da rivalidade entre FIFA Football e Pro Evolution Soccer. Quais SL Benfica e FC Porto em campo, os dois jogos são profundos rivais neste género, ambos a evoluir e a demonstrar as suas mais valias com ataques e contra-ataques dignos de autênticas finais. Se este ano a concorrência decidiu apostar em algo “light”, a Electronic Arts não entrou em campo com uma “equipa B”. Jogou forte nos seus maiores trunfos e, como se diz na gíria do futebol, “meteu a carne toda no assador”. O resultado é um dos melhores FIFAs de sempre, arrisco mesmo dizer que é o expoente máximo da simulação de futebol em videojogo nesta era. E ainda o falta ver na próxima geração de consolas. Agora preciso explicar porque digo isto.

Olhando exclusivamente para o conteúdo, para dizer a verdade, não há aqui nada verdadeiramente revolucionário. Temos novamente os torneios, incluindo as licenças da Liga dos Campeões, Liga Europa e da Taça Libertadores. Temos outra vez o futebol de rua com o modo Volta, as equipas e competições femininas e, claro, está de regresso o mítico modo Ultimate Team, o tal que nos faz regressar todos os anos. Para trás, concretamente há três edições, ficou o modo carreira “The Journey” que revolucionou a série, obrigando a EA Sports a “apimentar” os modos de carreira de jogador e treinador tradicionais, mas sem grandes alterações profundas. Só pela lista de características, portanto, não impressionaria ninguém. É preciso entrar em campo para avaliar correctamente.

OK! Há mesmo algumas novidades nesta nova edição, mas são subtis. O modo Volta tem agora um elemento de formação do plantel, assente num formato de história para rodar nos 20 campos de futebol à volta do mundo. Não é muito aprofundado, mas dá a devida envolvência para justificar o nosso investimento neste modo de futebol 3vs3 e 5vs5. O gigante FUT tem também um novo modo cooperativo, podendo juntar forças para lutar contra rivais e atingir objectivos em equipa. Neste modo também introduz um novo nível de personalização dos estádios para aumentar o elemento de espectáculo. E, sim, continua a estar por detrás de uma “parede” de microtransacções. Nada de novo, portanto.

Também os modos de carreira sofreram umas melhorias, como já disse. O maior foco está nas transferências e nos treinos da equipa em ambas as formas de jogar, seja como jogador ou como treinador. Uma vez mais, FIFA tem uma grande maioria das ligas oficiais de futebol do mundo, assim com as principais competições de clubes, permitindo disputas de campeonatos e qualificações para provas nestes modos. Devo realçar que uma das adições mais importantes da nossa Liga NOS, algo que até a própria FIFA destacou, é a inclusão das feições e equipamentos do SL Benfica e FC Porto. Contudo, todas as equipas da nossa Primeira Liga estão lá, com maior ou menor rigor para reproduzir o campeonato Português.

De resto, de facto, é o mesmo jogo do ano passado no que toca a conteúdo. Para muitos, é o suficiente, sendo uma oferta muito robusta de conteúdo, com muitas horas de jogo pela frente. É discutível se as equipas omitidas ou fictícias fazem falta, como sempre (sim, a Juventus continua como Piemonte Calcio). Mas, essa é a tal “guerra” sobre a qual falamos todos os anos: a da disputa de licenças entre as duas franquias. Mesmo assim, FIFA continua a ser o jogo de futebol com mais conteúdo, sem dúvida. Contudo, concordarão comigo que a sua jogabilidade parou um pouco no tempo desde há uns anos. Noutros lados, joga-se rápido e no drible, FIFA foi ficando mais compassado e algo lento.

Os jogadores reclamaram por mais velocidade e a EA Sports ouviu. Quando entramos no jogo pela primeira vez, somos brindados com uma final da Liga dos Campeões. Frente-a-frente temos a equipa do jogador-bandeira desta edição (Kylian Mbappé) o Paris St. Germain e do outro lado, o campeão Inglês Liverpool. Todos os títulos FIFA começam com um embate deste género, especialmente enquanto o jogo se instala na consola ou PC. Geralmente, não ligo muito a este encontro, até porque ainda não estão carregadas as minhas preferências ou perfis de jogo. Ainda assim, a EA faz questão que estes encontros sucintos de introdução sirvam para nos cativar. E neste ano, para mim, conseguiu.

Quando esperava a tal jogabilidade compassada, profundamente táctica e demasiado baseada em estatísticas dos jogadores, encontrei um jogo francamente diferente. Os jogadores parecem mais expeditos nas arrancadas, os passes são mais “a rasgar”, no limite ou em jeito. Quem sabe a melhor alteração que testemunhei, são os passes em profundidade e as desmarcações. Sobretudo com jogadores mais habilidosos, o drible é francamente mais engenhoso, mas os defesas também recuperam melhor as posições e as linhas de ataque ou defesa são bem mais fluidas. Estava a assistir a um novo FIFA no ecrã, tão diferente do habitual jogo “pastoso”.

Um dos elementos mais importantes neste jogo é a percepção da posição dos jogadores. Sobretudo em níveis mais altos de dificuldade, o passe no tempo certo com a desmarcação do avançado, gera ataques e contra-ataques de autêntico sprint. Para dizer a verdade, há momentos em que esta nova lógica de passes em profundidade se revelou um pouco facilitadora demais, “partindo” defesas com demasiada dificuldade. As goleadas são possíveis mas também estamos sujeitos que do outro lado haja uma resposta à altura. Ainda assim, não vejo grandes surpresas no resultado final ou golos inesperados, muito menos alguma reviravolta louca de um clube menor. O balanço das estatísticas permanece e ainda bem.

Estas novas mecânicas de desmarcação e posicionamento também se fazem sentir online, mas com bastante mais equilíbrio, obviamente. Nas partidas que disputei no modo Pro Clubs, os jogadores usam e abusam desta lógica, obrigando-nos a criar planos dedicados a fechar linhas de passe em profundidade. Ainda assim, a velocidade não é tudo, podendo contrariar avançados com bons laterais. Ainda assim, achei que a melhor táctica é a da linha de fora de jogo. Mas, lá está, se o timing não for o melhor, quase não conseguimos travar os goleadores mais rápidos. Felizmente, notei que os guarda-redes são mais sólidos entre os postes e nas saídas. No fundo, é uma questão de nos habituarmos a esta nova velocidade.

Outro elemento que gostei bastante foi o dos bloqueios e roubos de bola dos defesas. Sobretudo na zona central, os jogadores fazem melhores coberturas ao adversário com bola, bloqueando remates de forma mais concisa e dificultando as manobras. Os ressaltos, já agora, são menos frequentes, tornando-se mais realistas e menos injustos quando acontecem. A inteligência artificial na defesa parece-me que está melhor, ajudando mesmo a cortar lances ou a seguir os jogadores que se desmarcam por si só. Mesmo assim, convém carregar no botão e mudar de jogador, não esperando que a IA faça tudo.

No outro campo, temos Volta. Aqui o realismo quase, quase toma um segundo plano, mesmo que note muitos elementos paralelos com a jogabilidade do futebol de 11. Aqui o campo é mais confinado, a jogabilidade é mais baseada na finta e na habilidade no drible. Há, com certeza, uma audiência fiel para o modo Volta, mas não parece ser um modo assim tão popular. Mesmo assim a EA não desiste de nos dar este FIFA Street V2, apostando em novas batalhas de clubes, online para três jogadores e novas localizações com campos diferentes em design e características. É sempre um bom escape ao futebol convencional mas até que ponto justifica estar aqui, não sei. Talvez um jogo individual já fizesse sentido.

Resta-me falar de como este jogo está cada vez mais deslumbrante. Cada partida é como uma transmissão em directo na televisão, especialmente nas ligas e competições licenciadas, onde até as entradas das equipas e os palcos das entregas de prémios são recriadas. O público possui bandeiras, tarjas, camisolas e outra decorações realistas. Nos estádios não faltam cartazes de grandes lendas dos clubes, como Eusébio no lado do Benfica. Claro que, uma vez mais, nem todos os estádios estão recriados mas, os que estão, são uma ode ao realismo. E os grandes actores desta peça, os jogadores, possuem faces ainda mais realistas, assim como algumas das suas celebrações mais populares. De facto, pelo menos no campo visual, FIFA 21 é uma excelente homenagem ao espectáculo que é o futebol.

Notem que todas estas evoluções são notórias já nas versões disponíveis, sim, mas a EA Sports promete algo ainda mais revolucionário na próxima geração de consolas. Segundo a EA, o jogo terá na PS5 e XSeries X|S “o comportamento mais autêntico jamais visto num jogo de desporto”. Testei este jogo no PC (port das consolas) e já fiquei impressionado com a qualidade das animações gerais, com muitos elementos de realismo nos jogadores, no público, nos estádios e até nos treinadores. Se isto ainda vai melhorar mais, quero o bilhete para a primeira fila. Estou certo que muito será cosmético mas, se já se confunde tanto o que vemos com uma transmissão de futebol real, o que nos espera na próxima geração?

Veredicto

Pode não ser a edição mais revolucionária em termos de conteúdo. As novidades de modos de jogo são significativas, mas poucas. No entanto, há uma autêntica reviravolta em campo, com a EA Sports a abordar de forma concisa a maior crítica desta série nos últimos anos. FIFA 21 é mais fluido, mais dinâmico, mais virado para o drible e para o primeiro toque, tendo agora desmarcações impressionantes. Exactamente o que não parecia ser talhado nas últimas edições. Visualmente, tem pormenores a roçar o realismo, mesmo antes de o vermos na próxima geração de consolas. O futebol espectáculo joga-se aqui mesmo.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.