Mais infoProdutora: Giants SoftwareEditora: Focus Home InteractiveLançamento: 19/11/2018Plataformas: , , Género: ,

Tal como aconteceu com a edição anterior, também Farming Simulator 19 tem direito a uma reedição, neste caso, uma “Platinum Edition“. Mas, não esperem algum novo mapa ou alguma adição radical à jogabilidade do título-base.

Há quase um ano que andamos nestas lides das safras e este jogo ainda não se tornou irrelevante. Ok, admito que se possa tornar algo aborrecido nos seus momentos mais parados. Mas, é preciso recordar que é mais um daqueles jogos com um público-alvo muito peculiar. Conforme ficou claro na análise em baixo, este jogo é um passo ambicioso da Giants Software e temos de admitir que, desde o lançamento, a produtora só tem vindo a aprimorá-lo. E adicionar uma expansão de conteúdo é sempre uma nota positiva para qualquer jogo. Só que é preciso ter cuidado quando chamamos edição “Platina” a alguma coisa. Pressupõe, de facto, uma versão definitiva de um título. Mas, neste caso… acho este título pomposo um pouco forçado.

Acho mesmo que esta expansão devia chamar-se “Edição CLAAS” e não “Edição Platina”. Isto porque o que realmente traz ao jogo é um pacote dedicado a esta famosa marca de maquinaria agrícola. Com esta expansão, terão novos veículos e actividades dedicadas às novas máquinas, como enfardar, por exemplo. Entre as novas actividades, podemos conduzir uma ceifeira-debulhadora e processar os fardos para serem recolhidos por outros veículos. Além de uma nova máquina forrageira e um tractor, teremos mais umas boas dezenas de ferramentas únicas da CLAAS para descobrir.

De resto, não há mais nada de novo no jogo com esta expansão. O que é perfeitamente desapontante para uma edição “Platina”. E o pior, quanto a mim, é o que se pede por umas quantas máquinas e actividades com a marca CLASS. As anteriores expansões tiveram preços bastante acessíveis (John Deere a 4.99€ e Anderson Group a 9,99€), sendo uma delas gratuita (HOLMER). Esta expansão surge pela exorbitante quantia de 19,99€, no que me parece uma clara manobra comercial para justificar uma licença, sem, de facto, assumir que é mesmo só uma cara expansão de uma marca.

Tudo bem, esta expansão traz consigo mais veículos, ferramentas e actividades que qualquer das expansões anteriores. E também é uma boa oportunidade para quem não jogou o título original de adquirir uma versão mais completa com um preço acessível (34,99€). Ainda assim, é um pouco injusto chamar a isto “edição platina”, quando isso pressupõe que tenhamos o jogo completo reeditado com algo novo e que inclua as expansões anteriormente compradas à parte. Não é isso que acontece, terão à mesma de comprar a expansões John Deere e Anderson Group em separado se quiserem o jogo realmente completo. O que não faz qualquer sentido.

Entendo que a Giants e a Focus Home Interactive quisessem manter a “tradição” de relançar o seu jogo para tentar espremer mais uns Euros da franquia. E nada como o fazer  com uma das marcas mais pedidas pelos fãs. Contudo, como aconteceu com Farming Simulator 17 e com os jogos anteriores, esperava-se uma edição “all in one” e não uma expansão cara dedicada a uma marca, jeitosamente baptizada para não o parecer. Ainda assim, se são fãs do jogo e estão a par do que se passa neste mundo tão peculiar, saberão da relevância e valor adicionado pelas máquinas da CLAAS. Agora… justificará o preço?

[Análise Original de 29 de Novembro de 2018]

Numa das últimas análises que fizemos nesta série, disse algures que este era um daqueles jogos “zen”. Sem tiros, sem explosões, sem puzzles complexos e com muita pacatez, Farming Simulator 19 faz-nos voltar à quinta para cuidar da safra.

Uma das maiores cartas que as séries modernas de jogos podem lançar para cima da mesa, é a do mundo aberto à exploração. De facto, parece que hoje em dia esta lógica de ter um um mapa gigante à disposição é quase obrigatório em alguns géneros. Outra cartada muito usada é a da liberdade de escolha ou de acção. Farming Simulator 19 quer que tenhamos essa liberdade, o que nem sempre joga a seu favor. É que estas opções tão vagas de jogabilidade têm os seus revezes. Num jogo com este calibre, a linearidade nem é assim tão indesejada, até porque há uma lógica e um ritmo entre as várias actividades disponíveis. Quando é que “mais” pode ser “demais”?

A ideia com que fiquei nas primeiras horas de jogo, é que a Giants Software queria investir bastante mais neste seu mundo aberto. Já irei falar do grafismo revisto, que é obviamente o maior dos destaques desta edição. Contudo, parece que a produção queria simplesmente ampliar tudo, sem que tivesse investido propriamente em simplificar mecânicas ou lógicas de jogo. A prova disso é a quantidade de novos veículos, novos cultivos, novos animais e muitas outras adições. Tudo é bem vindo, a bem da variedade. Contudo, para todos os efeitos, a inovação deu lugar à quantidade. Se os jogos anteriores introduziram algumas novidades, este entra em “velocidade cruzeiro”, mantendo toda a jogabilidade.

Obviamente, a vossa avaliação (tal como a minha) tem de ser sobre aquilo que o jogo oferece para entreter. E aí, não ficarão desiludidos. Tal como já disse, há muito para fazer neste jogo. Podem operar maquinaria para lavrar, semear ou colher uma quantidade considerável de diferentes cultivos. Além das demais licenças (Case IH, Challenger, Fendt, Krone, entre outras), este ano o jogo apresenta uma parceria importante com a gigante Norte-Americana John Deere, fabricante de tractores e de outra maquinaria de trabalho agrícola. Nunca houve, de facto, tanta variedade de marcas e de veículos.

Se o trabalho de lavoura não for do vosso agrado, podem sempre optar pela indústria madeireira ou até por criar animais. Voltamos a ter criação de porcos, vacas, ovelhas, galinhas e, pela primeira vez, também temos cavalos que até podemos montar para explorar o mapa. Todas estas actividades possuem um sistema financeiro que nos permite gerir e dedicar-nos a uma ou várias actividades em simultâneo. O objectivo é ganhar dinheiro para… investir mais no jogo. Não havendo um real fio condutor nesta lógica, temos toda a liberdade de escolher o que fazer, isto logo após um curto tutorial inicial. E é aqui que a nossa atenção começa a dispersar.

A falta de uma linha contínua de acção até é encorajada numas quantas actividades paralelas criadas para explorarmos este mundo aberto. O que ajuda a quebrar a monotonia, sim, mas não melhora a sensação de dispersão da atenção. Faria mais sentido escolhermos uma actividade e depois termos uma série de tarefas delineadas para que continuemos a produção dedicada nessa actividades. Isto era importante, sobretudo para os recém-chegados a esta série. E a falta de ajudas torna tudo ainda mais complexo. Ironicamente, com tanta coisa disponível, ficamos sem saber bem o que fazer. Podemos entrar online e jogar cooperativamente, o que até nos ajuda a aprender alguns processos com outros jogadores. Ainda assim, umas ajudas escritas pontuais eram bem vindas.

Falemos então desse grafismo. É, de facto, impressionante o trabalho de aprimoramento do visual de FS 19. Já no jogo anterior tinha apreciado o seu aspecto geral mas, nesta edição a Giants Software esmerou-se. Tudo tem um aspecto polido, desde as incrivelmente detalhadas máquinas, até aos ambientes muito bem trabalhados. Modelos, texturas e efeitos visuais revistos fazem deste o Farming Simulator mais bonito e visualmente realista dos últimos tempos. Só faltava a produção preencher este mundo com um pouco mais de vida para ser realmente deslumbrante.

Notem, porém, que alguns dos problemas desta série persistem, apesar do aprimoramento técnico notório. Os glitches visuais são constantes, incluindo equipamento que às vezes não obedece às leis da físicas ou NPCs a desaparecerem ou a ficarem bloqueados contra objectos de cenário. Para terem uma ideia, conto-vos uma situação pontual. Neste jogo, podemos contratar trabalhadores NPC e dar-lhes tarefas na nossa quinta. A dada altura, um dos trabalhadores que contratei ficou imobilizado junto a um tractor, tive de ir lá pegar no veículo e movê-lo. Quando o fiz, o trabalhador desapareceu completamente. Isto obrigou-me a contratar outro trabalhador para colmatar esta falha. Enfim.

Veredicto

Farming Simulator 19 é um jogo que tanto pode ser uma ode ao tédio, como um vício empolgante. Tanto pode ser simplista, como pode ser complexo. Tudo depende daquilo que escolherem fazer em campo. Só que essa liberdade de escolha faria mais sentido se todos soubessem o que fazer a seguir e como proceder em algumas tarefas mais complicadas. A falta de ajudas pode nem ser preocupante para os veteranos, que vão estar mais focados em apreciar o grafismo refinado deste título. Os novatos, porém, vão andar algum tempo a… “apanhar batatas”… o que até é apropriado, afinal de contas.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.