Mais infoProdutora: KonamiEditora: KonamiLançamento: 15/09/2020Plataformas: Género:

Ainda ontem tivemos um exemplo de como os jogos sazonais correm o risco de se repetirem com umas poucas alterações para justificar mais umas vendas. A Konami corria um sério risco de isso acontecer agora, até porque o seu foco, segundo a produção, era a próxima geração PS5 e XSeries S|X. Mas, preferiu algo inédito que é, ao mesmo tempo, honesto e lógico. Lançou eFootball PES 2021 Season Update.

À primeira vista, chamar-lhe “Season Update”, é uma aparente admissão que nada de novo vai ser dado aos jogadores de PES, excepto uma nova época. No rigor, poderíamos pensar que este jogo era PES 2020, com umas poucas novidades. Já vamos ver que não é bem assim, mas, sim, é uma actualização da temporada de 2020/2021 das ligas e competições retratadas no jogo anterior. E sim, a Konami usou o mesmo motor de jogo, até mesmo os mesmos menus e as novidades novo modos para jogar são algo residuais. Contudo, há mesmo algumas novidades em campo que justificam um jogo “standalone”. O preço simpático é perfeitamente justo para uma actualização. Mas, a Konami bem disse que iria adicionar algumas novidades que os fãs iriam gostar.

Convenhamos que a série Pro Evolution Soccer tem vindo a recuperar bastante terreno ao rival FIFA Football. Esta grande jogada táctica de lançar um jogo a preço reduzido, fará alguma diferença nos bolsos de muita gente, mas é também uma manobra inédita nestes jogos. Com este valor (29,99€), esta poderá ser a melhor oportunidade para os que ainda não lhe deram uma (nova) chance. Sim, PES teve o seu mau momento, perfeitamente aproveitado pela franquia rival. Teve também os seus golpes difíceis de lidar, as suas perdas de licenças e as suas incoerências. Mas, desde que a produção começou a jogar ao ataque, cada novo PES tem sido uma autêntica evolução de qualidade.

Qualidade essa que não se fica pelo seu aspecto geral, sempre a evoluir para algo tão realista. Também na jogabilidade, as animações, as opções de interacção e os muitos outros pequenos pormenores, começam novamente a atrair os jogadores. PES foi sempre um jogo virado para a finta, para a táctica apurada e para o chamado “futebol espectáculo”. Diria que em PES 2021 SU, finalmente, atinge um patamar de qualidade em jogo que vai marcar de forma indelével o fim desta geração. Fê-lo no ano passado e reitera essa qualidade neste ano. Não vou fazer comparações com FIFA, pelas razões óbvias, mas simplesmente não sinto esta evolução positiva de jogabilidade no rival.

Mas, como é que PES 2021 evolui realmente? É mesmo em campo. Embora note alguns problemas crónicos que vi em PES 2020, a produção esteve mesmo a mexer na jogabilidade… para melhor, felizmente. Notam-se imensos aprimoramentos nas animações, na recepção de bola, nas transições e até nas arrancadas. Agora o jogo é claramente mais compassado, há mais pressão no jogador com bola, há mais incentivo ao passe ou ao dribble, com menos espaços para aproveitar. E a resposta é mais pronta, sobretudo da inteligência artificial. Isto é ainda mais notório com jogadores de maior qualidade.

Ainda assim, nota-se que a Konami não aprofundou muito mais as lógicas básicas do jogo. Quando estamos a jogar com uma Juventus fortíssima e perdemos o jogo no último minuto contra o Deportivo da Coruña, volta aquele espectro de imprevisibilidade esta série não larga e que não agradará a todos. Isto, claro, nos níveis mais elevados de dificuldade, onde arrancar uma vitória ainda é um feito em alguns encontros. Também as repetições (Replay) mostram com mais pormenor alguns erros de detecção de impacto e “clipping” dos jogadores, até mesmo encontrões que não são falta mas o árbitro assim entende. Enfim.

Também ainda se notam algumas “travadas” no ímpeto dos jogadores nas perdas de bola, algo que sempre me frustrou nesta série. Os ressaltos continuam meio injustos. E continuamos com efeitos estranhos na bola. E ainda não percebi porque nenhum jogo moderno de futebol ainda inseriu o video-árbrito. Bem sei que é uma “muleta” de realismo, em ambiente virtual um lance poder ser revertido por análise da repetição. Mas, independentemente da sua validade num videojogo, faz parte do futebol real. Por esta ordem de ideias, também as animações de substituições não fazem sentido.

Ainda assim, o que a produção adicionou à jogabilidade é notório, como naquele dia em que compramos umas chuteiras novas e os passes e remates soam melhor. São apenas botas, somos o mesmo jogador, mas há algo diferente, claramente. É assim em campo com PES 2021. Tudo é intencionalmente familiar, mas há ali qualquer coisa que parece fluir melhor, que funciona melhor. Recordo que neste ano a série PES celebra 25 anos. E neste aniversário, arrisco dizer que temos a melhor simulação do chamado “desporto-rei” que a Konami jamais entregou. Aqui, pelo menos, houve empenho em agradar os jogadores.

Mas, pronto, não podemos pedir o mesmo empenho no resto da oferta. Temos os mesmos modos de jogo (com excepção do recentemente adicionado modo EURO 2020 de PES 2020) e não houve nenhuma intenção de os alterar. A única mexidela, vem no modo MyClub. Claramente, este modo apresenta-se como uma resposta ao muito popular FUT da série FIFA. E há algumas melhorias nas lógicas das químicas e das estatísticas dos jogadores. Considero a construção de equipa mais acessível e os jogos mais disputados, sobretudo online. Este tornou-se, claramente, o foco da série, até mesmo com os seus pacotes especiais de clubes (Arsenal, FC Barcelona, FC Bayern, Juventus e Manchester United) a oferecer moedas virtuais, além de outros bónus para este modo em particular.

Agora, o que este jogo vinha fazer no rigor, a tal actualização de época, devo dizer que fiquei um pouco desapontado. No dia de lançamento, a Konami anunciou que várias equipas estariam já actualizadas (desde que as equipas tivessem já sido apresentadas na realidade) e que outras receberiam uma actualização “day one”. De facto, no arranque pude constatar que jogadores, equipamentos e até treinadores, estavam devidamente actualizados nas principais equipas. Mas, nem todas, infelizmente. E não estou a falar de equipas que não estão licenciadas ou que jogam em ligas não-oficiais ou possuem títulos fictícios. Falo mesmo de equipas que aparecem mal representadas.

Falando de cá, na Liga NOS entendo que algumas equipas, sobretudo as menores, não estejam devidamente licenciadas. Também entendo que nem todos os jogadores estão tão bem representados nas suas recriações virtuais. Mas, equipas como o Sport Lisboa e Benfica, a jogar com o equipamento do ano passado e sem patrocínio na camisola, com falta de vários jogadores recentemente contratados, parece-me algo estranho. Obviamente, devemos esperar que a guerra de licenças com o rival faça baixas. Também é possível que a Konami ainda venha a actualizar algumas ligas no futuro próximo. Pelo menos, assim espero.

Mas, não posso deixar de assinalar estas falhas se verificam noutras ligas. Everton Cebolinha ainda continua no Grêmio, por exemplo. Considerando que este é um jogo virtualmente igual ao anterior, com menus e aspecto geral (inclusive os seus menus encadeados), gostava de ver o mesmo empenho nas ligas que vi em PES 2020. E sim, é óbvio que tenho de dar destaque ao nosso “quintal”. Até porque as feições de centenas (milhares?) jogadores continuam a ser fenomenais, conseguindo mesmo replicar gestos técnicos e celebrações com mestria. Estas falhas no rigor em algumas equipas ou ligas saltam à vista.

Veredicto

Com um olho na próxima geração de consolas, a Konami podia muito bem ficar-se por lançar uma repetição do ano passado e cobrar o preço de algo novo. Com PES 2021 Season Update, correu um risco de lançar um jogo desvalorizado. Contudo, não se ficou mesmo pela “fotocópia” em campo, trabalhando para nos trazer uma excelente simulação de futebol, com muitos pequenos pormenores na jogabilidade. Tudo bem, nos menus e nas opções é o mesmo jogo do ano passado, mas não foi essa a premissa? Celebrando 25 anos de PES, o futebol, verdadeiramente, joga-se aqui.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.