Mais infoProdutora: KonamiEditora: KonamiLançamento: 10/09/2019Plataformas: , , Género:

Este é um ano de viragem para Pro Evolution Soccer. A Konami está empenhadíssima em recuperar um estatuto de líder incontestável que perdeu em tempos. eFootball PES 2020 não é só uma nova aposta nos eSports, é também um autêntico contra-ataque cerrado.

Todos os anos aguardamos pacientemente pelo início das épocas de futebol. Lá vamos nós torcer mais um ano pela nossa equipa favorita, entre derrotas e vitórias, esquecendo os bastidores (se possível). De facto, o chamado “desporto-rei” move muitas paixões. E também no mundo dos videojogos há um derby de paixões. Tempos houve em que tínhamos mais títulos de simulação de futebol, mas agora, qual SL Benfica e FC Porto, este campeonato é decidido a dois: PES e FIFA. Ultimamente, temos visto PES a entrar sempre primeiro em campo, seguindo o rival um pouco depois. Não sei é intencional, coincidência não deverá ser, mas PES anda a “marcar” cedo e FIFA sai dos balneários um tanto ofuscado, pelo menos nestas últimas edições. Será que é este ano que o líder é destronado?

A intenções desta edição de PES são muito claras. Esta é uma era de jogo online, de competição mundial até, numa constante demonstração de força e perícia na melhor jogada, na melhor equipa e… no melhor jogo. Os campeonatos de eSports, também eles, já movem multidões (e facturam como nunca). E é talvez por isso que neste ano temos a designação “eFootball” no título de PES. E, sim, continuo a achar esta designação algo redundante, uma vez que consegue falar de “Football” e “Soccer” numa só sentença. Mas, essa é uma discussão que nos levaria para outros relvados. O Futebol é só um, afinal. E a Konami devolve a identidade europeia do desporto ao título… à sua maneira.

Neste ano, portanto, os eSports parecem ter destaque em PES 2020, pelo menos a julgar pelo seu novo título e pela quantidade de vezes que a palavra “eFootball” se repete em menus e elementos de decoração. Existem, de facto, eventos sazonais online, com desafios para os jogadores no novo modo Matchday, em que a Konami nos convida a escolher uma equipa e ganhar um determinado desafio por tempo limitado. Obviamente que a competitividade com outros jogadores está também em MyClub que aposta igualmente em eventos online para nos recompensar com diversos bónus. E… é tudo…

Ironicamente, não há outras grandes novidades no resto do online. Quando este foco foi inicialmente anunciado, pensei que a produção iria adicionar novas formas de competir online, talvez até umas ligas regionais ou nacionais online, por exemplo. É bem possível que hajam planos para isso no futuro mas, até à data, a oferta multi-jogador não é assim tão realmente nova. Confesso que não serei o maior fã destes modos, sendo mais atraído às experiências a solo, com os jogos de ligas individuais, a Master League ou o modo Become a Legend. Entendo o valor destes desafios online, que certamente se tornarão mais apelativos se envolverem prémios. Mas, nem o próprio jogo parece ainda preparado.

Noutras novidades de conteúdo, o Euro 2020 está devidamente licenciado, embora nem todas as selecções (a nossa, por exemplo) possuam as devidas licenças. Também a famosa Master League deste ano foi remasterizada, segundo a Konami. Confesso que não achei nada realmente novo ou “remasterizado” neste modo de jogo. É virtualmente o que já conhecemos, com uma ou outra funcionalidade ou cosmética diferente. Há um novo sistema de diálogo, por exemplo, que nos permite tomar algumas decisões numa espécie de Role Play com cenas intermédias que, confesso, se repetem demais. Também o sistema de transferências foi revisto e aprimorado, algo que nos fazia frustrar às vezes. Ainda assim, diria que as novidades não chegam para assumir algum rejuvenescimento da oferta.

Modos à parte, o que obviamente irão notar logo à partida é a maior quantidade de equipas e ligas licenciadas. As principais equipas parcerias merecem destaque pelos menus, com Barcelona, Manchester United, Bayern Munich, sem esquecer a mais recente adição de peso, a Juventus. Contudo, o que mais interessará aos jogadores são as diversas ligas licenciadas e actualizadas, entre as quais um dos maiores destaques deste ano, as duas divisões Italianas. A nossa Liga NOS Portuguesa também está devidamente representada com equipas e (quase todos) os equipamentos. Contudo, os estádios ficaram novamente de fora. O que tira toda a envolvência que este jogo tanto quer dar.

E sim, continuam muitas equipas e ligas fictícias não licenciadas em jogo. Felizmente, podemos editá-las a nosso belo prazer, graças ao robusto editor que há anos nos acompanha. E ainda podemos importar equipas ou ligas personalizadas das várias comunidades online que se dedicam a isso. Contudo, nesta guerra autêntica por licenças, não gosto de ver os estádios fictícios que são escolhidos para substituir algumas importantes “casas” dos clubes. O que seria do Benfica sem a sua “Catedral”? Ou do Porto sem o seu “Dragão”? Até mesmo o Estádio Nacional onde joga a Belenenses SAD é icónico. Agora amplie-se isso para o resto do mundo, nas outras ligas, com estádios igualmente icónicos substituídos por outros francamente genéricos.

Como temos grandes recriações como o lendário Old Trafford ou o não menos mítico Camp Nou com uma fidelidade tremenda, considero uma perda não ter mais estádios correctamente representados. Bem sei que recriar um inteiro estádio é um trabalho de modelação muito vasto e, se calhar, nem é rentável fazer uma recriação de todos os estádios, sobretudo em ligas menores. E é óbvio que ainda temos de considerar as licenças de imagem associadas. Ainda assim, colocar o público vestido a rigor, até mesmo com alguns cânticos reconhecíveis (esquecendo um pouco aquela tarja queremos gritar ‘gol’), para depois o estádio não ser o esperado, sempre me desiludiu.

Mas, chega de trivialidades. Vamos para o campo que é onde este jogo tem vindo a mostrar grande valor. Neste ano, notem, a produção teve a importante ajuda técnica do mago Andrés Iniesta, ex-Barcelona, que surge aqui como consultor de jogabilidade. E os dois maiores contributos deste jogador, que é considerado um dos melhores médios criativos de todos os tempos, são os toques de “finesse” e a simulação de remate, que o jogo por qualquer motivo chama de “Miss-kick” (chuto falhado). Não, não falhamos remates, Konami, simulamos que chutamos a bola, é uma finta legítima e não uma falta de dioptrias.

Quando um jogador com bola está perante um adversário, raramente faz trivelas ou outros dribbles mais rápidos e mais falíveis. Dependendo da sua experiência e destreza com a bola, o mais provável é fazer aquilo que chamamos de “pentear” a bola, rolando-a pelos pés. É esta a classe de finta criada pela nova mecânica de “finesse”, que usa o analógico direito para dar ligeiros toques direccionais na bola. Confesso que as fintas sempre foram o meu “calcanhar de Aquiles” nestes jogos. Com esta nova mecânica, porém, dei por mim a fazer compassos mais largos de posse de bola, fintando com muito mais calma e conseguindo momentos verdadeiramente de classe. Obrigado, Iniesta.

Já o infame “miss-kick” é outra questão totalmente diferente. A simulação de remate ou de passe é útil apenas em momentos muito peculiares e não serve de muito em proximidade com um opositor a pressionar. Até porque, mal feito, é muito fácil perder a bola. Online então, é algo irrelevante, uma vez que os nossos reflexos (aliados ao tradicional input lag da PlayStation 4, versão analisada), não permitem muita fluidez em que esta mecânica seja prática. Basicamente, podemos insinuar que vamos dar um chuto na bola, chutando ao lado e o adversário é compelido a tentar cortá-la, resultando numa finta. Requer alguma prática e, enquanto joguei, não me lembrei de a usar. Mas, estou certo que alguém com mais perícia com as fintas terá aqui mais uma “arma” para humilhar adversários.

No resto do jogo, há mais para falar. Nota-se mais um refinamento dado ao ritmo das partidas e à fluidez resultante de estratégias bem ou mal concebidas. Sim, Pro Evolution Soccer sempre foi exímio a punir más estratégias e a dar-nos dores de cabeças com algumas estatísticas dos jogadores. O sistema de fadiga, quanto a mim, é das melhores características da jogabilidade, mas também cria alguns momentos de injustiça, dado que o computador nem sempre demonstra ser afectado por ela. O que cria um jogo francamente mais compassado para poupar os jogadores. Este não é o mesmo PES clássico das corridas loucas pelo campo, com dribbles rocambolescos e golos às três tabelas.

Até porque cada partida é diferente. A forma dos jogadores nem sempre é a mesma, assim como a estratégia do adversário pode ser montada para nos cortar linhas de passe ou corredores que normalmente usamos. Não há aqui margem para improviso. É preciso montar um ataque forte, um meio campo coeso e uma defesa sólida para contrapor o adversário. Contudo, noto que as diferenças individuais estão um pouco menos destacadas, parecendo mais diluídas em campo, sobretudo numa equipa equilibrada. E isso é por demais evidente no modo MyClub onde podemos ter empréstimos temporários de craques. Se a equipa não for equilibrada, nem o mago Ronaldinho Gaúcho nos safa de uma derrota.

Este ritmo estratégico não é algo novo em PES 2020. Já tem vindo a ser assim nesta mais recente era da série e é fruto de um refinamento contínuo e evidente. E isto é também sentido nos movimentos de jogadores controlados por nós e também nos controlados pela IA. Uma das melhorias mais significativas que notei é que a média de passes perdidos por falhas de posição dos jogadores artificiais são bem menores. Ainda perdemos muitos passes porque um jogador não corre para se desmarcar ou se deixa antecipar. Mas, considero menos frequente que em PES 2019. Ou isso ou ando a jogar melhor… hum, fica a dúvida.

Onde as coisas parecem ter sofrido um pouco nesta nova edição, é na defesa. Noto que os defesas até estão mais “arrojados” a interceptar os atacantes adversários, mas são muitas vezes “deixados para trás” por atacantes mais rápidos ou mais “frescos”. Houve uma certa mexida na aceleração dos jogadores que, se vierem embalados, são complicados de travar. E a IA não consegue gerir isto muito bem, criando algumas situações de defesas mais lentos a reagir. A solução aqui é jogar com um trinco ou apostar na marcação ao homem. Ainda assim não é uma estratégia totalmente infalível. Uma actualização de balanço futura? Talvez.

No que toca ao visual do jogo, tenho de destacar, em primeiro lugar, os menus. Durante anos largos, tivemos mais ou menos a mesma versão de menu, reciclado a cada nova edição. Este ano a Konami decidiu simplificar e “polir” este menu inicial com um novo hub central ao invés da habitual lista de opções. Não se deixem enganar porém, os sub-menus são exactamente iguais aos do ano passado… com outra cor. Mas, pelo menos este novo hub central está melhor organizado com os principais modos. E é (ligeiramente) mais intuitivo, diria. Os puristas, claro, não ficarão satisfeitos. Até porque algumas opções mudaram de sítio o que me causou uma certa confusão inicial. Nada demais.

E a jogar, novo deslumbre. O lendário Fox Engine continua a dar que falar em termos de realismo e qualidade geral de modelos, texturas e animações. Considero as recriações faciais e anatómicas dos jogadores das melhores que este género pode oferecer. Jogares com características únicas, como os sprints de Cristiano Ronaldo ou o aspecto encurvado de Lionel Messi, são fruto de um rigor na captura de movimentos. A tal ponto que chegamos a identificar jogadores pela sua postura. Se há algo a apontar, são só mesmo as expressões faciais dos jogadores quando se expressam. Há momentos em que roçam o realismo, outros parecem marionetas. Contudo, este não é bem um RPG para vermos personagens dialogar. Certo?

Veredicto

Este é o ano em que eFootball PES 2020 entra em jogo com toda a equipa ao ataque. A aposta nos eSports, porém, não é assim tão forte, por mais que o novo título assim o insinue. Contudo, onde interessa, em campo, este é um dos melhores (arrisco dizer “o” melhor) Pro Evolution Soccer dos últimos tempos. E não falo apenas das suas crescentes licenças e adições de conteúdo. As novidades nos controlos apadrinhadas por Andrés Iniesta valem muito, mas é o empenho da Konami em refinar a jogabilidade que nos traz um jogo sólido e desafiante. O primeiro ataque deixa a defesa adversária desprevenida e o marcador é inaugurado, num lance de puro futebol. A perder, porém, o adversário já está a iniciar o contra-ataque.

Esta análise foi realizada com uma cópia de análise cedida pelo estúdio de produção e/ou representante nacional de relações públicas.